November 4, 2026A Bilingual Newspaper
New York, New York, US
17C
pten

Nós, os imigrantes

Imigrar, largar o seu país, sua pátria para trás é um ato de inconformismo, coragem e muita bravura.

Qualquer adjetivo que se coloque na nossa condição de imigrante não consegue com clareza definir o que somos, o que fomos e o queremos deixando o Brasil à procura de um oásis para as nossas significativas esperanças.

Muitos nem sabem o por que de sua aventura.

Alguns, outros tantos justificam que “ganhar dólares” e melhorar a situação dos que padecem no Brasil, como filhos, família, amores e motivos diversos que foram ficando para trás é a sua razão maior.

E as vezes, nem acaba sendo.

Na chegada, no aporte de qualquer jeito, o choque cultural, a princípio assusta.

O encontro dos muros imaginários e os limites do novo lugar nunca estiveram tão presentes nos sonhos de imigrantes brasileiros, como é o nosso caso.

Mas se faz necessário conhecer as diferenças  e encontrar força para entre emigrar e imigrar como ponto de partida.

Porem, a diferença entre emigrar significa sair do seu país de origem e imigrar significa entrar e se estabelecer em um novo país numa clara e objetiva diferença.

Neste vai e vem de coisas vamos deixando para trás, as conquistas, mesmo poucas que tivemos em busca de outras tantas que imaginamos que existam logo ali, além do horizonte e que um dia virão, como ficar rico, independentes e poderosos.

Idealistas e crédulos que somos, mesmo cegos em busca de nossas conquistas aquilo tudo passa a representar sonhos maiores e melhores que acalentamos como uma verdade absoluta.

Ao pisarmos em solos outros que não são os nossos imaginamos liberdade e abundância como desfrutam os nativos.

Queremos ser como eles ou um deles.

O cantor e compositor Caetano Veloso em uma de suas canções, “Lindo e maravilhoso”, com precisão absoluta fala de um presságio, sinal de indícios e intuições e crenças de vitória daquilo que se espera… que na certa virão … hão de vir…

Aqui, serve para exemplificar uma agonia que diz;

“Atenção, tudo é perigoso, tudo é divino, maravilhoso…

É preciso estar atento e forte…”

Não temos tempo de temer a morte”…

O palavreado da letra canção acaba mostrando no pacote de bonanças que sonhamos vem junto montão de coisas que nem imaginávamos que existiam.

Ainda antes de concluir, um mea culpa feliz, a gente pode parafrasear uma citação do escritor Euclides da Cunha em sua célebre frase “O sertanejo é  antes de tudo, um forte” em sua obra-prima “Os Sertões” (1902), onde descreve a força do brasileiro, além de um tudo e todos, como os nordestinos e a sua capacidade de sobreviver às adversidades e sua impressionante resistência ao incerto amanhã.

Nisto tudo mostra o imigrante extremamente resiliente, indiferente ao cansaço um homem que apresenta fatiga constante das muitas lutas, um ser que luta, um quase gigante nas sinuosas trilhas da vida afora.

Como é o nosso caso, os imigrantes do Brasil.

O imigrante é um forte em todas as circunstâncias e representa todos nós.

Se fôssemos colecionar histórias e relatos de brasileiros poderíamos copiar o exemplo do que fez o Profº. Jose Carlos Sebbe, Catedrático da USP, em seu livro “Brasil fora de si”.

Ali se descobre e descerra um véu de histórias de quase toda ordem e o desabafo muitos de brasileiros, mostrando um pouco do que é viver o Brasil fora de si.

Mostra ainda que a idade vai chegando, a velhice atenua sua presença discretamente e os seus entes queridos deixados para trás viram apenas uma referência, um algo inexplicável justificado pelas as pequenas conquistas.

Os tropeços mostram com a mais absoluta certeza de que o seu lugar é no Brasil.

No curso das coisas há relatos diferenciados mostrando que nem tudo é maravilha.

As dificuldades enfrentadas por quem trabalha diariamente, mas sente que não consegue melhorar de vida.

A frase “a gente trabalha, trabalha e não sai do lugar” rapidamente ganhou repercussão e gerando milhares de comentários de pessoas que dizem viver a mesma realidade.

Num lampejo filosófico, com uma certa propriedade, baseada em meus muitos anos de estradas, posso afirmar que “você faz o seu caminho, escolhe os atalhos e monta as suas próprias armadilhas.”

Dizer mais o quê ?

Conselhos aos que muitos que ainda acreditam na força de crença ao assumir o papel de imigrante?

Acabar com seus sonhos, seria extremamente cruel.

Deixa-los ir, soltos, sonhando, invadindo os desafios de qualquer forma enquanto se pode. É mais gentil e humano.

Por quase quarenta anos à frente da comunidade brasileira, nos EUA, um trabalho gratificante e feliz pude comprovar uma certeza, quase que absoluta de que “navegar é preciso, viver não é preciso…” (Fernando Pessoa)

O brasileiro tem a mente e o coração no Brasil.

Só o corpo se mostra presente na luta do dia-a-dia, em qualquer parte do planeta.

EDILBERTO MENDES
Jornalista


  • Facial biometrics will be mandatory for mobile phone users

    Starting in 2027, mobile phone users will need to undergo biometric validation to contract and maintain phone lines. The requirement was approved by the National Telecommunications Agency (Anatel) and aims to curb fraud, since the line holder will now be identified. Biometrics will be performed through facial recognition with proof of life, which will be…


Comments

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *