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Quem é a Superestrela do Folclore Brasileiro Saci-Pererê? – The Brasilians

Saci-Pererê /sassy-perere/ é um tipo de Saci. Sim, existem muitos tipos de Sacis por aí. O exemplar “Pererê” é geralmente um menino de pele muito escura e de uma perna só, que fuma um cachimbo, usa um capuz vermelho e se transporta em um mini furacão. Essa descrição pode mudar às vezes, e Saci-Pererê também pode ser descrito como um velho em vez de um menino. Não obstante, ele é sempre de uma perna só e de pele escura. Alguns dizem que seu nome vem da língua Tupi Guarani: çaa cy significa “evil eye” e pérérég significa “leaping”, so Saci-Pererê could be interpreted like “The

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olho mau saltitante”.

Embora seu nome sugira algo maligno, Saci-Pererê não é um monstro e na maioria das vezes não é mau também. Em algumas de suas histórias, podemos considerar que ele se comporta como uma criança mimada que quer que tudo seja feito do seu jeito, do contrário fica agressivo. Saci-Pererê pode aparecer para você pedindo algo. Se você recusar dar a ele, então enfrentará as consequências – assim como “doces ou travessuras” no Halloween.

Além disso, se formos a fundo no arquétipo de Saci-Pererê, podemos concluir que ele é o trickster do folclore brasileiro.

Poderes, Fraquezas e seus Hábitos

Um brincalhão incorrigível, ele esconde brinquedos das crianças, solta animais da fazenda, provoca cães – e amaldiçoa ovos de galinha, impedindo que eclodam. Na cozinha, o Saci derrama sal, azeda o leite, queima o cozido de feijão e joga moscas na sopa.

Se um grão de pipoca não estourar, é porque o Saci o amaldiçoou. Dado meia oportunidade, ele embota as agulhas da costureira, esconde seus dedais e embaraça seus fios de costura. Se vê um prego no chão, vira a ponta para cima. As pessoas culpam qualquer coisa que dá errado – dentro ou fora de casa – no Saci.

Além de desaparecer ou ficar invisível (frequentemente com apenas seu gorro vermelho e o brilho vermelho de seu cachimbo ainda visíveis), o Saci pode se transformar em um Matitaperê ou Matita Pereira, um pássaro esquivo cujo canto melancólico parece vir do nada. Pode-se escapar de um Saci perseguidor cruzando um riacho. O Saci não ousa atravessar, pois então perde todos os seus poderes. Outra maneira é soltar cordas cheias de nós. O Saci é compelido a parar e desfazer os nós. Também se pode tentar apaziguá-lo deixando cachaça ou tabaco para seu cachimbo.

Ele gosta de fazer malabarismo com brasas ou outros objetos pequenos e deixá-los cair pelos buracos em suas palmas. Um sujeito extremamente ágil, a falta da perna direita não o impede de cavalgar a cavalo sem sela e sentar de pernas cruzadas enquanto fuma seu cachimbo (uma façanha comparável ao jorro de fogo das narinas da Mula Sem Cabeça).

Todo redemoinho de poeira, diz a lenda, é causado pela dança giratória de um Saci invisível. Pode-se capturá-lo jogando no redemoinho um rosário feito de contas de oração abençoadas separadamente, ou saltando sobre ele com uma peneira. Com cuidado, o Saci capturado pode ser convencido a entrar em uma garrafa de vidro escuro, onde pode ser aprisionado com uma rolha marcada com uma cruz. Ele também pode ser escravizado roubando seu gorro, que é a fonte de seu poder. No entanto, dependendo do tratamento que recebe de seu mestre, um Saci escravizado que recupera a liberdade pode se tornar um guardião e amigo confiável ou um inimigo devioso e terrível. De qualquer forma, não conheço ninguém que já tenha capturado um Saci-Pererê, ele é rápido demais em seu furacão.

Origens da Lenda

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O mito do Saci provavelmente deriva do Ŷaci-ŷaterê da mitologia Tupi-Guarani, uma criança mágica de uma perna só com cabelo ruivo brilhante que hipnotizava as pessoas e quebrava o silêncio da floresta com seus gritos e assobios altos. Ele era originalmente uma criatura da noite, e de fato o ŷaci (jaˈsi) significa “Moon” no Antigo Tupi.

Esse personagem indígena foi apropriado e transformado no século XVIII pelos escravos africanos trazidos ao Brasil. Escravos das fazendas contavam histórias do Saci para divertir e assustar as crianças. Nesse processo a criatura ficou negra, seu cabelo ruivo se metamorfoseou em um gorro vermelho e, como os anciãos africanos que geralmente contavam as histórias, ele passou a fumar sempre seu cachimbo de barro e cana.

Na Cultura Popular

O que fez Saci-Pererê ficar tão famoso entre todos os outros nomes e seres bem conhecidos? A resposta é Monteiro Lobato, um escritor brasileiro.

Em 1918, Monteiro Lobato publicou um livro chamado Saci-Pererê: Resultado de um Inquérito (Saci-Pererê: O resultado de uma inquirição) no qual apresentou uma compilação de Sacis que coletou de todo o país por correio. Havia muitas variações e descrições.

Ele era tão fã de Saci-Pererê que incluiu o Saci como personagem em Sítio do Pica-Pau Amarelo (The Yellow Woodpecker Farm), lançado em 1920, entre outros personagens do folclore brasileiro.

Embora Saci-Pererê não fosse um dos protagonistas principais das crônicas, ele desempenhava um papel especial causando travessuras, pregando peças e mais.

Nos anos 1960, o gnomo de uma perna só – agora “domesticado” em uma criatura brincalhona, mas inofensiva e amável – foi escolhido pelo principal cartunista brasileiro Ziraldo como o personagem principal de sua revista em quadrinhos Turma do Pererê.

O personagem também aparece no mangá Akumakun (1963-1964) de Shigeru Mizuki.

A canção “Águas de Março” de Tom Jobim menciona a Matinta Pereira, e o samba “Fumo de Rolo” de Nei Lopes conta a história de um pescador sendo abordado pelo saci enquanto coletava canas na floresta.

O Sport Club Internacional tem a figura do Saci como seu mascote, devido às raízes populares do clube, a cor vermelha de sua roupa e a esperança dos torcedores de que o time pudesse pregar peças nos adversários.

Com o objetivo de combater a tendência crescente de adotar o Halloween anglo-céltico no Brasil, o Dia do Saci foi criado em 2005, e é comemorado igualmente em 31 de outubro.

No videogame Max Payne 3 de 2012, ambientado principalmente em São Paulo, Brasil, um Saci trapaceiro faz uma participação como vilão no programa de desenho animado do jogo The Adventures of Captain Baseball Bat Boy.

O Saci aparece em AdventureQuest Worlds. Esta versão tem aparência humana, empunha uma colher e tem um tornado onde deveriam estar suas pernas, enquanto realiza ataques de vento.

O Saci aparece no filme Invisible City (2021), interpretado por Wesley Guimarães.

Photo: www.shutterstock.com/Mirt Alexander.

Uma nova espécie de dinosauromorfo, descoberta em 2001 em Agudo (sul do Brasil), foi nomeada Sacisaurus porque o esqueleto fóssil estava faltando uma perna.

Os nomes dos satélites brasileiros SACI-1 e SACI-2 foram retroacrônimos do nome do personagem, assim como quatro retrotransposons no DNA da esquistossomose Schistosoma mansoni foram nomeados Saci-1, Saci-2, Saci-3 e Perere.

Como a fisiologia de uma perna só do Saci nos lembra pessoas com deficiência física, uma rede social chamada SACI (acrônimo de Solidariedade, Apoio, Comunicação e Informação, ou Solidarity, Support, Communication and Information) foi criada na Universidade de São Paulo com o propósito de estimular esses quatro esforços rumo à reabilitação social e médica de pessoas com deficiência física.

O Guardião da Floresta (Orishas)

As raízes de Saci-Pererê podem variar, mas uma referência importante que deve ser considerada é que temos Arôni, um guardião da floresta que trabalha para o Orisha Ossain na mitologia iorubá.

Ossain é o Orisha da cura, aquele que conhece todos os segredos das florestas, os poderes das ervas e toda sorte de magia natural. Arôni é seu mensageiro e usa um capuz e carrega um cachimbo no qual queima ervas para liberar suas propriedades mágicas.

Ao fazer essa associação, podemos apontar uma habilidade “oculta” de Saci-Pererê: Ele seria capaz de usar os poderes mágicos das ervas? Seria capaz de usar magia em geral?

Fonte: www.folklorethursday.com por Daniel Faria & www.wikipedia.org


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