Donald Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos para um segundo mandato em janeiro de 2025. O que esperar da relação entre Estados Unidos e Brasil — duas das maiores economias e atores geopolíticos das Américas — nos próximos quatro anos? Com ambas as nações enfrentando desafios domésticos complexos e dinâmicas globais em mudança, o futuro de sua relação bilateral está prestes a evoluir de maneiras significativas.
Sob a primeira presidência de Trump (2017-2021), as relações EUA-Brasil foram amplamente definidas por interesses mútuos, particularmente em comércio, segurança e um ceticismo compartilhado em relação a ideologias de esquerda. O presidente Jair Bolsonaro, que estava no poder no Brasil durante grande parte do mandato de Trump, era visto como um aliado ideológico do presidente americano, com ambos os líderes adotando populismo conservador, desregulamentação e posturas antiglobalização. Bolsonaro frequentemente elogiava Trump por sua postura dura contra a China e suas políticas de “America First”.
Agora, com Bolsonaro fora do cargo e o Brasil sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (que assumiu em 2023), a relação entre as duas nações tem sido moderada por abordagens diplomáticas mais tradicionais. No entanto, o retorno de Trump ao poder provavelmente mudará a dinâmica diplomática para uma abordagem mais transacional — especialmente no que diz respeito ao comércio.
Trump, conhecido por sua ênfase em acordos comerciais “justos”, pode buscar renegociar ou aprimorar acordos comerciais existentes com o Brasil, particularmente em setores como agricultura, energia e mineração, onde o Brasil é líder global. Os vastos recursos naturais do Brasil, incluindo soja, minério de ferro e petróleo, continuarão a torná-lo um parceiro valioso para os Estados Unidos, apesar das diferenças ideológicas com o governo Lula.
Lula deseja sucesso a Trump e pede progresso em parcerias
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva emitiu uma declaração oficial parabenizando o presidente dos EUA Donald Trump.
“Em nome do governo brasileiro, parabenizo o presidente Donald Trump por sua posse. As relações entre Brasil e Estados Unidos têm raízes em uma longa história de cooperação, respeito mútuo e amizade duradoura”, disse Lula. O presidente brasileiro também enfatizou os laços bilaterais “fortes” em diversos setores, reafirmou o compromisso do Brasil com parcerias em andamento e desejou sucesso a Trump em seu mandato.
“Nossas nações compartilham laços fortes em vários campos, incluindo comércio, ciência, educação e cultura. Tenho confiança de que podemos continuar avançando nessas e outras parcerias. Desejo ao presidente Trump um mandato bem-sucedido que promova a prosperidade e o bem-estar do povo americano, contribuindo para um mundo mais justo e pacífico”, acrescentou ele.
Anteriormente, durante a abertura de uma reunião ministerial em Brasília, Lula comentou sobre a posse de Trump, expressando sua esperança de manter relações fortes com a administração Trump.
“Alguns dizem que a eleição de Trump pode representar desafios à democracia global. No entanto, Trump foi eleito para governar os Estados Unidos. Como presidente do Brasil, espero que ele tenha um mandato frutífero, promovendo progresso tanto para brasileiros quanto para americanos, mantendo os EUA como parceiro histórico do Brasil”, afirmou Lula.
Relações Econômicas
O Brasil é a oitava maior economia do mundo, e os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil. Em 2023, as exportações dos EUA de bens e serviços para o Brasil foram de $37.9 billion, queda de 26% em relação a 2022, e as importações do Brasil foram de $36.9 billion, queda de 2% em relação a 2022. Isso representa um valor total de comércio de $74.8 billion em 2023. Em 2023, as exportações para o Brasil representaram 2,3% do total de exportações dos EUA, e as importações do Brasil representaram 1,2% do total de importações dos EUA. Os Estados Unidos compraram um recorde de $29.9 billion em produtos manufaturados do Brasil em 2023, correspondendo a 81% do total de importações dos EUA do Brasil, reafirmando os Estados Unidos como o principal destino para bens de valor agregado brasileiros.
Políticas Ambientais e Tensões sobre Mudanças Climáticas
Uma das áreas de maior divergência entre EUA e Brasil com o retorno de Trump pode ser o meio ambiente. Durante seu primeiro mandato, Trump foi duramente criticado por revogar regulamentações ambientais, retirar os EUA do Acordo de Paris sobre Clima e defender políticas que priorizavam o crescimento econômico sobre preocupações ambientais. Em seu primeiro dia no cargo, Trump novamente retirou os EUA do Acordo de Paris sobre Clima, mostrando que suas posições em relação ao meio ambiente não mudaram.
O Brasil, tanto sob Bolsonaro quanto agora sob Lula, tem enfrentado escrutínio internacional pelo desmatamento na Amazônia, um dos ecossistemas mais vitais do mundo. Embora Lula tenha se comprometido a combater o desmatamento e revitalizar as políticas ambientais do Brasil, o histórico de Trump sobre mudanças climáticas sugere que ele pode adotar uma abordagem menos cooperativa, enfatizando o crescimento econômico sobre padrões ambientais internacionais.
O compromisso do Brasil em proteger a Amazônia pode levar a atritos diplomáticos se Trump buscar diminuir o papel das preocupações ambientais na política externa dos EUA. No entanto, ambos os países podem encontrar pontos em comum na promoção de tecnologias verdes, especialmente no contexto dos mercados de energia e da competição global emergente por liderança em energia renovável.
Relações Diplomáticas
O retorno de Trump à Casa Branca provavelmente reacenderá algumas das diferenças culturais e ideológicas que definiram as relações EUA-Brasil durante seu primeiro mandato. Com a ênfase da administração Biden em direitos humanos, democracia e justiça social, as políticas de Trump devem adotar novamente uma direção mais nacionalista e populista — potencialmente alienando certos setores da sociedade brasileira, particularmente aqueles que veem a retórica de Trump como divisiva ou prejudicial à cooperação global.
Os próximos anos testarão a resiliência das relações EUA-Brasil à medida que Trump retorna ao poder, trazendo consigo uma mistura de política externa agressiva, estratégias econômicas nacionalistas e uma abordagem marcadamente diferente à diplomacia global. Embora preocupações com comércio e segurança permaneçam centrais na agenda bilateral, questões ambientais, direitos humanos e diferenças ideológicas podem fornecer pontos significativos de tensão.
No final das contas, o sucesso da relação dependerá da capacidade de ambas as nações priorizarem interesses mútuos enquanto navegam pelas mudanças geopolíticas mais amplas que continuarão a moldar a paisagem global na década de 2020. À medida que EUA e Brasil continuarem a evoluir politicamente, sua parceria provavelmente permanecerá uma de oportunidades e desafios nos anos vindouros.
Fontes: Agência Brasil & U.S. Embassy


