Uma mente brilhante, rápida, crítica e sábia. Um coração magnífico transbordando de amor. Um sorriso aberto, largo e cativante. Uma aura vibrante, positiva e venerável. Essa era Clara Angélica Porto Caskey.
Existem qualidades magníficas de seres humanos que raramente são encontradas na mesma pessoa. É raro, por exemplo, ter uma alma pura e límpida e também ser angelical ao mesmo tempo. Essa raridade não se aplicava a Clara Angélica Porto Caskey. Em seu próprio nome ela carregava candura, sabedoria, beleza, a grandeza dos anjos, e por isso ela era o Porto de tantas pessoas. Em Clara, era fácil identificar o melhor que a vida tem a oferecer: calor, um sorriso, simplicidade e erudição.
O mês era janeiro, o ano era 2008, a cidade era Nova York, o bairro era Little Brazil, na 46th Street, no meio da Times Square, e o jornal era The Brasilians.
Foi lá que conheci Clarinha, ou, para mim, Claríssima.
Enquanto cursava um mestrado em jornalismo na New York University, eu queria me conectar com a comunidade brasileira da região e busquei um estágio no jornal The Brasilians.
Consegui a vaga com o então editor-chefe, Edilberto Mendes, e recebi de Clara, na época editora da seção em inglês da publicação, aquele abraço e sorriso únicos estilo sergipano que nunca esquecerei.
Alguns meses depois, recebi de Edilberto Mendes o cargo de editor associado da seção em português do The Brasilians.
Sob a orientação competente de Mendes, Clara Angélica Porto e eu editamos o jornal com Mendes por oito anos. Durante esse tempo, uma jornalista com aguçado senso de investigação, flair poético e compromisso, vi que Clara se dedicava à redação como uma mãe se dedica aos filhos.
Astuta, ela fez do jornalismo de notícias e entretenimento uma verdadeira missão de dedicação, engajamento e zelo pela profissão, sempre tratando o leitor do jornal como uma pedra preciosa.

Dessa forma imersiva e transformadora, com cuidado, com textos impecavelmente escritos em inglês, Clarinha trouxe aos leitores tantas entrevistas com personalidades, autoridades, artistas, informações sobre o calendário cultural da Big Apple, editoriais críticos e elaborados, e análises políticas que cobriam a vida de presidentes, cônsules, embaixadores e, mais importante, a vida dos imigrantes da comunidade brasileira nos Estados Unidos.
Intransigente na busca pela qualidade, imparcial e independente no jornalismo, Clara Angélica Porto Caskey fez da pesquisa e da busca por notícias um empreendimento prazeroso e tocante que fez história e deixou sua marca na redação do The Brasilians, publicação fundada em 1972 por Jota Alves e publicada por décadas depois pelo empresário João de Matos, amigo pessoal de Clara.
Com o rigor da elegância textual jornalística, Clara uma vez me ensinou: “Fabres, dê uma olhada neste artigo (ela tinha escrito o texto em inglês, mas falava comigo em português), você encontra algum erro de gramática (cabelim de sapo)?” Eu li o artigo, reli e fiz duas ou três alterações e sugestões comuns a editores.
Nossa Claríssima, com seus próprios protestos de edição, foi clara: “Fabres, você não encontrou nem um único run-on e melhorou o que não estava bom? Vou reescrever tudo.” Rimos muito sobre isso.
O The Brasilians Newspaper se junta a inúmeros outros em prestar homenagem à sua inesquecível editora da seção em inglês, que contribuiu impecavelmente para a melhoria do jornal, a expansão de sua leitura e os marcos dos princípios fundamentais do jornalismo ético e profissional que sempre guiaram a publicação e a própria Claríssima.
Sempre vamos amá-la, Claríssima
FABRÍCIO SILVA
Jornalista


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