Um total de nove instrumentos musicais do samba, incluindo o pandeiro (um tipo de tambor de aro tocado com a mão), tam-tam (um instrumento de percussão, frequentemente referido como gongo), cuíca (um tipo de tambor de fricção) e tamborim, foram oficialmente reconhecidos como parte do patrimônio cultural nacional do Brasil. A lei que formaliza esse reconhecimento foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
As técnicas de artesanato usadas para criar esses instrumentos musicais também são reconhecidas como práticas e tradições culturais valiosas.
A lista dos nove instrumentos de percussão comumente usados em rodas de samba e escolas de samba também inclui o surdo (um tipo de tambor grave), rebolo (outro tipo de tambor), frigideira, timba e repique de mão (tambor de mão).
Conforme estabelecido na nova lei, esses instrumentos devem ser reconhecidos como expressões da cultura nacional quando seguem as práticas e métodos tradicionais específicos de seu artesanato. Os detalhes sobre os processos de produção desses instrumentos serão especificados em um decreto futuro.
A mestre percussionista Jackie Cunha, 32 anos, de São Paulo, é habilidosa em tocar todos esses instrumentos, exceto a cuíca. Ela recorda com carinho ter sido apresentada a eles ainda criança, quando sua mãe a levava para rodas de samba na cidade. Aos sete anos, já dominava seu primeiro pandeiro.
Para a percussionista, o reconhecimento oficial dos instrumentos do samba é motivo de celebração, embora pareça muito atrasado.
“A importância desse reconhecimento é imensa. Instrumentos como o surdo, caixa de madeira, tamborim e pandeiro são usados em muitos ritmos diferentes, não só no samba, porque trazem um som distinto, uma riqueza de detalhes e uma variedade de tons”, explicou ela.
O percussionista Glauber Marques representa a terceira geração de tocadores de cuíca em sua família. Ele aprendeu o instrumento com seu avô, um sambista, na Nenê de Vila Matilde — uma das escolas de samba mais tradicionais de São Paulo.
“A alma do samba está nos instrumentos. A essência verdadeira está no ritmo, no som. Sem instrumentos, não há samba”, explica ele. “Como meu avô dizia, a cuíca é o instrumento mais malandro; ela chora e ri ao mesmo tempo.”
O mestre de bateria Rafa é especialista em instrumentos de samba e atualmente comanda 172 percussionistas na escola de samba Imperatriz da Pauliceia. Em 2015, ela fez história ao se tornar a primeira mulher a liderar a bateria de uma escola de samba em São Paulo.
Para Rafa, independentemente da afinação ou do tempo melódico — seja em uma roda de samba ou na bateria de uma escola de samba durante o Carnaval —, os instrumentos musicais dão corpo e alma ao samba.
Fonte: Agência Brasil



