Dissident Practices, em exibição de 19 de abril a 16 de junho de 2023, na Anya and Andrew Shiva Gallery no John Jay College of Criminal Justice, em Nova York, explora como artistas mulheres brasileiras respondem às mudanças sociais — desde a ditadura militar em meados dos anos 1960 até o retorno à democracia em meados dos anos 1980, as mudanças sociais dos anos 2000, a ascensão da Direita no final dos anos 2010 e o recente desenvolvimento de uma geração mais jovem e diversa lutando pela igualdade de gênero e direitos LGBTQI+. Curada por Claudia Calirman, Professora Associada e Chefe do Departamento de Arte e Música no John Jay College of Criminal Justice, a exposição apresentará mais de 30 obras, incluindo escultura, vídeo e fotografia de 11 artistas brasileiras proeminentes e emergentes.
Entre as artistas em destaque estão Letícia Parente (1930–1991), Anna Bella Geiger (n. 1933), Anna Maria Maiolino (n. 1942), Regina Vater (n. 1943), Gretta Sarfaty (n. 1947), Lenora de Barros (n. 1953), Berna Reale (n. 1965), Renata Felinto (n. 1978), Fabiana Faleiros (n. 1980), Aleta Valente (n.1986), Lyz Parayzo (n. 1994). A exposição, apresentada em conjunto com a publicação do livro Dissident Practices: Brazilian Women Artists, 1960s–2020s, de Claudia Calirman (Duke University Press, abril de 2023), será inaugurada com uma recepção na quarta-feira, 3 de maio, das 19h às 21h, após uma mesa-redonda.
DESTAQUES DA EXPOSIÇÃO
Uma das artistas mais significativas trabalhando a partir do Brasil hoje, Anna Maria Maiolino explora as complexidades da linguagem em seu vídeo In-Out (antropofagia) (In-Out [anthropophagy; 1973–74]). Close-ups de duas bocas ocupam alternadamente a tela inteira — uma masculina, uma feminina — tentando se comunicar, mas sem sucesso. Em seu vídeo pioneiro Passagens I (Passages I; 1974), Anna Bella Geiger repete obsessivamente, ao absurdo, a subida de diferentes conjuntos de escadas que não levam a lugar nenhum.
O vídeo de Letícia Parente Preparação I (Preparation I; 1975) explora como as mulheres são alvo da publicidade e da mídia, ditando padrões e comportamentos para torná-las desejáveis, jovens, belas, saudáveis e modernas. Em sua video-performance Palomo (2012),
Berna Reale encarna a figura imponente e autoritária de uma policial, apontando para o poder institucional abusivo dentro do sistema de justiça criminal.
Na sequência fotográfica Transformações I (Transformations I; 1976), Gretta Sarfaty aparece com expressões de boca aberta. As múltiplas imagens de seu rosto, esticadas ao ponto do absurdo, geram expressões grotescas e cômicas. A fotomontagem em preto e branco Língua vertebral (Vertebral tongue; 1998) apresenta uma imagem da língua estendida de Lenora de Barros’s sobre a qual ela colocou um pequeno modelo da coluna vertebral.
Os perversos mecanismos de discriminação racial são abordados na prática performática de Renata Felinto. Em sua performance em vídeo White Face and Blonde Hair (2012), Felinto se veste como uma executiva branca e caminha pelo bairro chique Jardins, em São Paulo, folheando butiques de alto padrão.
Aleta Valente faz parte de uma geração de artistas que surgiu no alvorecer do século 21, usando as redes sociais para construir visibilidade. Na série de selfies intitulada Material Girl (2015), Valente utiliza a paisagem social pouco atraente das periferias do Rio de Janeiro para seus posts, transformando-se em uma versão tropical e empobrecida da popstar Madonna.



