Situado à beira da praia que é um dos ícones do Rio de Janeiro, o Copacabana Palace, com 239 quartos e suítes e uma fachada imponente, é difícil de passar despercebido.
Para Mariana Sousa, estudante de hospitalidade na Universidade Federal Fluminense (UFF) no Rio, trabalhar no hotel foi uma oportunidade de ganhar uma experiência única. Ela começou como estagiária e depois foi contratada. O telefone que a acompanhava em seu papel de atendente de serviços aos hóspedes inspirou grandemente seu trabalho final de curso. “O Telefone, Junto com a História dos Hotéis de Luxo no Rio de Janeiro” foi publicado como artigo na Hospitality Magazine.
“Você tem que anotar tudo o possível e imaginável porque imagine se você esquecer ou anotar o número do apartamento errado para um chamado de despertar. E se no dia seguinte o hóspede perder um voo? E se esse voo fosse para levar o hóspede a uma reunião que poderia fechar um contrato de vários milhões de dólares? Tudo isso poderia resultar de não registrar corretamente o número do apartamento. Pode parecer uma coisa simples, mas as consequências potenciais são astronômicas”, explica ela.
Tratamento VIP
Ao longo de sua existência, o Copacabana Palace tem sido agraciado com a presença de reis, artistas, intelectuais e políticos, incluindo a atriz de Hollywood Ava Gardner; a cantora Janis Joplin; a princesa Diana e o príncipe Charles (agora rei Charles); o vocalista dos Rolling Stones Mick Jagger; o cineasta Orson Welles; o Beatle Paul McCartney; e futuros reis do Reino Unido Edward VIII e George VI.
Internamente, no âmbito do serviço, os hóspedes eram categorizados por cor, indicando se eram celebridades, figuras públicas, hóspedes frequentes, jornalistas, executivos ou afiliados à rede do hotel. Para atender seus hóspedes mais estimados, o hotel introduziu um documento interno exclusivo conhecido como “show me you know me”, destinado apenas à sua equipe. Mariana detalha: “Certos departamentos dentro do hotel receberam esse documento, que continha uma fotografia do hóspede VIP junto com informações personalizadas sobre essa pessoa, por exemplo, o hóspede gosta de chocolate, é alérgico a tal coisa, gosta de tantas almofadas.”
Além de suas acomodações suntuosas, o Copacabana Palace possui uma impressionante gama de amenidades, incluindo 13 salas de eventos com capacidade para até 2.000 hóspedes, uma piscina semi-olímpica, um spa, uma quadra de tênis e um centro de fitness. Notavelmente, é o único hotel na América Latina com dois restaurantes com estrela Michelin — MEE e Ristorante Hotel Cipriani —, distinguidos por suas avaliações internacionais que atestam sua excelência culinária. Além disso, o hotel oferece um restaurante de culinária internacional conhecido como Pergula.
O hotel foi construído a pedido do então presidente Epitácio Pessoa. Em 1919, ele procurou os empresários Octávio Guinle e Octávio Rocha Miranda com a tarefa de construir acomodações para hospedar visitantes da Exposição Centenária da Independência Brasileira. Durante esse evento significativo, o Brasil receberia chefes de Estado e personalidades distintas de todo o mundo. Pessoa queria posicionar o Brasil como uma nação renomada e respeitada no cenário internacional da época.
O hotel não foi concluído a tempo para o centenário em 1922. Foi inaugurado formalmente em 13 de agosto de 1923, com a presença do presidente Artur Bernardes.
O projeto do hotel foi confiado ao arquiteto francês Joseph Gire, famoso por suas contribuições à cidade, incluindo o Hotel Glória e o Edifício Joseph Gire, que mais tarde ganhou o apelido de “O Edifício da Noite”. Construído com cimento alemão e adornado com mármore de Carrara, a estrutura foi enriquecida com vidros e lustres da antiga Tchecoslováquia, móveis franceses, tapetes ingleses e cristais boêmios.
Em 1989, a família de Octávio Guinle cedeu a propriedade do Copacabana Palace, vendendo-o ao grupo Orient-Express, que depois adotou o nome Belmond. Atualmente, o hotel pertence ao conglomerado francês LVMH, após a aquisição da Belmond em dezembro de 2018.
Fonte: Agência Brasil



