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Construindo um Laço Cinematográfico com Refugiados, em Tempos de Crise – The Brasilians

Construindo um Laço Cinematográfico com Refugiados, em Tempos de Crise

Um cineasta brasileiro espera que a incerteza provocada pela pandemia de COVID-19 gere mais empatia e solidariedade em relação aos outros, incluindo os refugiados, uma posição otimista também adotada pela Agência da ONU para Refugiados (UNHCR) no país sul-americano.

Karim Aïnouz é o diretor de “Central Airport THF”, um documentário que descreve a situação de requerentes de asilo abrigados no antigo Aeroporto Tempelhof, em Berlim, e que agora está disponível em plataformas de streaming.

Construído na década de 1920, o aeroporto de proporções gigantescas foi reformado na década de 1930 pelo regime nazista. Desativado em 2008, serviu como abrigo para requerentes de asilo entre 2015 e 2019, e desde então foi transformado em um parque público.

O documentário acompanha a vida do jovem estudante sírio Ibrahim e do fisioterapeuta iraquiano Qutaiba ao longo de um ano. Enquanto passam por entrevistas, aulas de alemão e exames médicos, eles tentam lidar com saudade de casa e a ansiedade gerada pela possibilidade de deportação.

O Sr. Aïnouz acredita que é possível traçar paralelos entre a situação deles e a experiência de bilhões de pessoas atualmente confinadas em suas casas em meio à pandemia de COVID-19, que enfrentam dificuldades financeiras e o medo de infecção.

“Essa incapacidade de saber o que o futuro reserva, o nível de incerteza e o fato de que a decisão sobre o futuro deles não mais lhes pertence, a situação é semelhante àquela que os refugiados estavam enfrentando naquela época”, disse o Sr. Aïnouz em entrevista às Nações Unidas, na cidade brasileira do Rio de Janeiro.

“Há também uma lição de humildade. São pessoas que não têm nada, que perderam tudo o que tinham. Elas só têm ‘daqui em diante’. Então, pensei que seria interessante exibir o filme neste momento específico”, disse ele. O documentário estava originalmente programado para estrear nos cinemas brasileiros em 26 de março de 2020, mas, devido à pandemia de COVID-19, optou-se por lançá-lo diretamente em plataformas de streaming.

Para o cineasta, o documentário não só permite que os espectadores se coloquem no lugar dos refugiados durante a crise atual, mas também que se relacionem com as pessoas mais vulneráveis da sociedade, como os sem-teto e os pobres.

“No Brasil, quando se contrasta as condições de vida dos bairros pobres com as muito abastadas, pode-se dizer que temos refugiados brasileiros vivendo dentro do próprio país”, disse o cineasta. “Espero que esta pandemia nos aproxime da dor dessas pessoas e nos torne mais solidários e menos hostis”.

Esperança por um Futuro Melhor

Apesar de viverem um período de tanta incerteza e espera, quando não podem voltar para casa ou saber com certeza o que o futuro reserva, os refugiados retratados em “Central Airport THF” permanecem esperançosos de que suas vidas mudarão para melhor na comunidade acolhedora.

“Quando você vê um garoto de 17 anos que deixa seu país, não porque quer, mas porque está fugindo da guerra, arriscando a própria vida para estar em um lugar que não é sua casa, e ele ainda tem esperança… é muito importante que tentemos demonstrar compaixão uns pelos outros”, diz o Sr. Aïnouz.

De acordo com o cineasta, o documentário apresenta uma lição importante para todos: as pessoas devem ter fé no futuro e imaginar que o futuro certamente será melhor que o passado. “Vamos imaginar que nossas diferenças nos unem em vez de nos separar” diz ele. “Espero que o filme gere um grau maior de empatia do que teria se fosse lançado em outro momento”, acrescentou.

Apoio da ONU aos Refugiados

José Egas, representante da Agência da ONU para Refugiados (UNHCR) no Brasil, traça um paralelo entre os refugiados do filme e a situação dos refugiados hoje.

“Com um olhar muito sensível, o diretor retrata uma situação que, embora muito particular, reflete uma perspectiva global. O isolamento enfrentado pelos refugiados neste documentário, assim como seus desejos e resiliência, pode ser facilmente extrapolado para a realidade atual. Nesse sentido, esperamos que o documentário toque corações e mentes, promovendo atitudes melhores em relação aos refugiados”, disse o Sr. Egas.

Vários países da região implementaram agora medidas especiais, permitindo a contratação de profissionais e técnicos de saúde qualificados estrangeiros, incluindo aqueles aguardando licenciamento ou cuja certificação ainda não foi validada pelos países acolhedores. Outros estados adotaram processos de reconhecimento acelerados, para agilizar sua inclusão nas respostas nacionais de saúde.

Trabalhadores de saúde refugiados e migrantes agora estão trabalhando com sistemas nacionais de saúde que respondem à pandemia, enquanto muitos outros estão prontos para apoiar e retribuir às comunidades que os abrigam.

A UNHCR está apoiando esses esforços que exploram as habilidades e recursos que médicos refugiados podem oferecer.


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