17 de abril de 2026 Um Jornal Bilíngue

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JOSÉ GASPAR – Página: 5 – The Brasilians

Autor: JOSÉ GASPAR

  • A revelação (Episódio XIV)

    Durval virou-se e viu Botelho parado no início do corredor. O professor de biologia estava ofegante, com a boca aberta, a língua para fora e os olhos arregalados, parecia que tinha visto um fantasma. Uma mão apoiada na parede, o corpo alto e magro meio tombado para frente como se fosse desmaiar a qualquer momento.…

  • A ameaça (Episódio XIII)

    “Se não quiser morrer pare de se meter onde não é da sua conta”. Era tudo o que havia na carta. Escrita com letras recortadas de jornal e coladas desalinhadas no papel sulfite. Antes do delegado Moreira chegar, Dolores começara a passar mal ao ler a mensagem. Durval pensou no porquê não aprendia a poupar…

  • A carta misteriosa (Episódio XII)

    Durval estava todo espremido no banco de trás do Fusca de Joana. A mulher havia empurrado o assento do motorista todo para trás a fim de caber com seus cento e trinta quilos atrás do volante. Durval matutou como ela conseguia manobrar o carro com a direção espremida na barriga daquele jeito. Ao lado dela,…

  • Beethoven no hospital (Episódio XI)

    Joana havia trazido a sopranino junto. Ela sabia que Durval preferia a flauta mais aguda quando estava ansioso ou preocupado. E ele estava bem ansioso e preocupado na cama do hospital todo quebrado, desde que fora empurrado para o precipício dentro de seu Corcel. – Melhor não tocar a flauta pequena aguda, disse Dolores logo…

  • Paranóia no hospital ( Capítulo X)

          Quando Durval abriu os olhos viu Dolores debruçada sobre ele. Os olhos dela estavam arregalados e fixos, a boca entreaberta. A mulher parecia ter visto o diabo em pessoa. As sensações de Durval foram vindo aos poucos. A primeira coisa que sentiu foi Dolores esfregando sua mão com força.      …

  • O assassino ataca de novo (Capítulo IX)

    A primeira sensação foi de um vazio enorme no estômago. Por um momento o tempo parou, enquanto o Corcel transpunha a borda do abismo e caia ladeira abaixo. Durval segurou firme no volante e esperou o baque, fechou os olhos. Pareceu passar uma eternidade até o carro bater com força no chão de terra. O…

  • Caminho de volta (Capítulo VIII)

         Durval sempre se perguntava por que deixava escurecer para ir embora da casa de Botelho. Sabia que as estradas de terra ficavam intransitáveis quando chovia, e naquele lugar sempre chovia. Eram quase dez horas da noite quando o caseiro manco abriu o portão, em meio à garoa fina, e Durval saiu do sítio…

  • O sapato do assassino (Capítulo VII)

    — É uma pegada, não há dúvida — disse o professor. O laboratório de Botelho ficava no porão da casa. O teto era baixo e Durval mantinha o corpo curvado para frente para não bater a cabeça nas vigas de madeira que sustentavam a casa em cima. As paredes eram repletas de prateleiras empoeiradas, abarrotadas de…

  • A velha raposa (Capítulo VI)

         O caminho até a casa de Botelho era intrincado e de difícil acesso. Morava em um sítio afastado do centro da cidade. Durval tinha um mapa, mas mesmo assim sempre se perdia. Por sorte o dia estava firme; as ruas de terra ficavam intransitáveis quando chovia, e o Corcel vermelho 78 de Durval…

  • A evidência do crime (Capítulo V)

    O cadáver havia sumido. Uma hora estava estirado na cozinha da casa de Durval e Dolores, com o sangue formando uma poça circular ao redor da cabeça, como uma auréola. E na outra hora não estava mais lá. Nem vestígios do morto. Nem sangue. Nem nada. — Será possível que o gato comeu? — disse…