No dia 4 de julho, as ruas dos Estados Unidos se enchem de bandeiras e famílias animadas com a celebração da independência. Alguns meses depois, no dia 7 de setembro, o Brasil também celebra sua independência – mas em um tom muito diferente. Com desfiles militares, cerimônias oficiais e pouco engajamento popular, a data passa quase despercebida por muitos brasileiros. Embora as duas nações tenham conquistado sua liberdade em contextos históricos diferentes, é na forma como celebram que as diferenças mais chamam a atenção.
Como americanos e brasileiros celebram este dia?
O 4 de julho ganhou significado para o país em 1776, quando as treze colônias se uniram para declarar a independência. Desde então, este dia significa muito mais do que apenas um feriado americano: marca o nascimento de uma nação.
Por todo o país, de pequenas cidades a grandes metrópoles, um sentimento patriótico é evidente, marcado por churrascos em varandas, bandeiras por toda parte e civis vestidos nas cores do país. Além de tudo isso, os desfiles são muito animados e tomam as principais ruas de cada cidade. Eles são marcados por bandas marciais, balões vermelhos, brancos e azuis, o hino nacional e veículos enfeitados. Os famosos fogos de artifício até foram tema de uma música de Katy Perry e são o evento mais aguardado do dia. Para turistas, é sem dúvida o símbolo mais marcante deste momento, já que monumentos essenciais do país (como a Estátua da Liberdade) servem de pano de fundo para esses fogos.
No Brasil, dois meses depois, a celebração é diferente. No dia 7 de setembro de 1822, D. Pedro declarou oficialmente a separação do Brasil de Portugal, com um grito que ainda é conhecido hoje: “Independência ou Morte”. Assim como nos Estados Unidos, muitas cidades no Brasil, incluindo Brasília, começam o dia com desfiles cívicos e militares. Prefeituras e o exército os organizam. Forças armadas, escolas públicas e militares estão presentes. Em geral, o dia é preenchido mais com cerimônias oficiais do que com festas populares. O foco principal costuma ser em Brasília, a capital federal, onde estão os três poderes.
A principal diferença está na forma como os cidadãos veem este dia. A maioria das pessoas muitas vezes não dá importância a essa marco histórico e usa o feriado apenas para “descansar” ou “viajar com amigos e familiares”, deixando seu significado passar despercebido. A celebração ocorre, mas a participação generalizada é limitada.
Patriotismo em ambos os países
Qualquer um que tenha visitado os Estados Unidos sabe que as bandeiras estão por toda parte, e, como retratado nos filmes, o patriotismo dos americanos é sempre notável. Portanto, o nacionalismo faz parte integrante da identidade do país, e datas nacionais como o 4 de julho reforçam o sentimento de orgulho coletivo. E eles não escondem! É evidente no cinema americano, na mídia e até no esporte.
No Brasil, momentos como esse não são tão óbvios. Os brasileiros muitas vezes têm personalidades fortes, mas é preciso um pouco de estímulo para trazê-las à tona. O amor e o orgulho de ser brasileiro são evidentes em momentos específicos, como as Olimpíadas, a Copa do Mundo ou conquistas nacionais em geral. Para muitos, o uso excessivo de símbolos nacionais pode parecer exagerado ou politizado. Apesar disso, o hino nacional é um dos mais respeitados, enquanto bandeiras e outros símbolos nem sempre têm o mesmo impacto nacional.
Como os governantes usam essas datas?
Os que estão no poder usam estrategicamente o Dia da Independência americano para reforçar ideias de unidade, democracia e liberdade. Discursos patrióticos são feitos, mas com objetivos diferentes dos dias normais. Políticos usam a data para disseminar um símbolo de consenso, moldando o significado da celebração.
O 7 de setembro, por sua vez, é frequentemente usado como palco para manifestações políticas intensas. Alguns presidentes usaram o desfile como oportunidade para mobilização política, o que gerou críticas e confusão sobre o uso da data.
Enquanto o 4 de julho e o 7 de setembro marcam o mesmo evento — a conquista da independência —, a forma como são celebrados revela os caminhos diferentes que Estados Unidos e Brasil trilharam em sua construção nacional. Nos EUA, a data é sinônimo de pertencimento e orgulho coletivo, um verdadeiro espetáculo popular. No Brasil, a celebração ainda é em grande parte institucional, distante do dia a dia das pessoas. Essa diferença no engajamento popular desempenha um papel significativo na formação dos aspectos culturais das celebrações.
EDUARDA DE NADAI GENERATO
Jornalista



