O Pacto Global e o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) lançaram em 3 de abril, em São Paulo, um site voltado para ajudar empresas a contratar refugiados que vivem no Brasil. A página inclui informações para empregadores sobre como contratá-los. O secretário-executivo do Pacto Global, Caio Pereira, explica que o pedido de refúgio é suficiente para que as empresas deem emprego aos refugiados.
“Todos os passos estão descritos, juntamente com os documentos. O que vemos é que o principal desafio é a falta de conhecimento para contratar. Os recursos humanos geralmente têm seus próprios obstáculos, mas sabemos que, pela lei, é realmente fácil contratar.”
Ele argumentou que as empresas têm a responsabilidade de fazer um esforço ativo para promover a mudança social. “As empresas devem refletir a diversidade das pessoas.”
Adriana Carvalho, gerente de Princípios de Empoderamento da ONU Mulheres, disse que estudos mostraram que empresas mais diversas são mais rentáveis e vivem mais tempo. “Há uma série de razões sociais e econômicas para nos esforçarmos por uma sociedade mais inclusiva.”
As refugiadas mulheres, disse Carvalho, tendem a estar em casos mais complexos, pois muitas delas vêm com seus filhos.
A iniciativa voltada para esse grupo – Empowering Refugee Women – beneficiou 130 mulheres na Colômbia, Síria, Moçambique, a República Democrática do Congo e Venezuela. Em sua última edição, que começou em julho, inclui 50 participantes da Venezuela, Síria, Angola e Congo.
O oficial do ACNUR Paulo Sérgio Almeida apontou que o mundo está registrando o maior número de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial. “Por ter uma certa opinião política, por causa de sua fé, por causa de sua raça. Eles deixam uma vida para trás e chegam a um novo lugar para recomeçar.”
No Brasil, acolher venezuelanos foi o maior desafio, devido à necessidade de levá-los a outras cidades pelo país. “Em um país de dimensões continentais como o Brasil, eles vêm da ponta mais ao norte, onde se concentram sem oportunidades. Eles querem contribuir, mas não podem se dar ao luxo de ir para outro lugar.”
De acordo com o Comitê Nacional para Refugiados, ligado ao Ministério da Justiça do Brasil, o Brasil reconheceu 10.522 refugiados de 105 países até o final de 2018. Do total, mais de 5 mil têm registro ativo no país, com 52 por cento vivendo em São Paulo, 17 por cento no Rio de Janeiro e oito por cento no Paraná. Sírios representam 35 por cento dos refugiados com registro ativo no Brasil.



