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Duas Críticas Musicais do Brasil: Marisa Monte e David Feldman – The Brasilians

Duas Críticas Musicais do Brasil: Marisa Monte e David Feldman

Marisa Monte não é o que se poderia chamar de uma performer convencional – apesar de ter uma carreira muito bem-sucedida que abrange quase três décadas (sim, seu debut foi lançado em 1989), segundo relatos ela não estava muito feliz com a ideia de lançar uma coletânea de seus maiores sucessos. No entanto, como seu contrato com a Universal Music (que se fundiu com a EMI em 2011) exigia uma compilação, a solução foi reunir uma seleção de músicas menos conhecidas que apareceram como duetos em álbuns de outros performers ou em trilhas sonoras de filmes – mais algumas que nunca haviam visto a luz do dia até então.

Sendo Monte a perfeccionista que é, isso não é uma compilação jogada às pressas, mas uma seleção de músicas cuidadosamente curada. Algumas dessas faixas podem ser bem conhecidas pelos fãs de World Music, como o dueto dela com David Byrne no clássico de Jobim “Waters of March” que apareceu no primeiro álbum Red, Hot and Rio em 1996 – é uma atualização bem-vinda das composições de bossa nova, repleta de sons eletrônicos e a percussão afro-brasileira de Carlinhos Brown. Outra é a suave balada “Ilusion”, um dueto bilíngue (inglês/português) com a cantora mexicana Julieta Venegas do disco MTV Unplugged dela.

Entre os destaques está “Nu Com a Minha Musica”, uma composição de Caetano Veloso originalmente presente no criminosamente ignorado Red, Hot & Rio 2, uma celebração da Geração Tropicalia liderada por Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé e outros. Também ótima é “Chuva No Mar”, um dueto com a cantora de fado portuguesa Carminho.

Porque Monte é uma cantora tão versátil, muitos fãs não percebem o quão boa ela é em entoar um samba tradicional – na verdade, ela fez consideráveis esforços para gravar vozes do samba, e “Volta Meu Amor” e “Dizem Que o Amor” são excelentes exemplos disso – ela se perde na música sem pretensão alguma e surge com momentos muito agradáveis.

Eu conheci pela primeira vez os sons do pianista David Feldman como parte do lado brasileiro do projeto “Pandeiro Jazz” de Scott Feiner (ele gravou seu segundo álbum desse conceito com uma banda baseada no Rio). Alguns anos depois, ele participou do trio contemporâneo do baterista Duduka Da Fonseca. Nos últimos anos, ouvi que ele estava se apresentando nos Estados Unidos, mas não tive a chance de vê-lo ao vivo.

Apesar de seu nome soar inglês, Feldman nasceu no Rio e viveu em Nova York por vários anos após se formar na New School of Jazz and Contemporary Music até retornar ao Brasil, onde tem uma carreira sólida tanto como líder de banda quanto como sideman com artistas como Leny Andrade, Maria Rita e Leo Gandelman, para citar alguns.

No “Horizonte”, Feldman exibe suas habilidades em bossa nova em faixas como “Tetê”, um samba suave que evoca memórias do Jobim de meados de carreira com um toque de Dorival Caymmi, com o guitarrista Toninho Horta na guitarra e vocais. “Esqueceram de Mim no Aeroporto”, no entanto, vai em uma direção mais contemporânea. As baterias de Marcio Bahia têm polirritmias ricas que complementam o groove de Feldman de maneira perfeita – o baixista Andre Vasconcelos completa o fundo com entusiasmo com sua linha de baixo (mais um solo competente na metade).

“Ceu e Mar” segue uma direção similar – uma peça moderna com clara influência do samba jazz, especialmente via seção rítmica, que mantém o feeling do Rio mesmo se Feldman leva a música para outro lugar. “Sliding Ways”, por outro lado, soa como uma homenagem jazz ao samba de gafieira, o tipo tocado em salões de baile no Brasil. O trombonista Raul de Souza é convidado, dando à faixa um feeling cativante raramente encontrado em álbuns de jazz hoje em dia.

ERNEST BARTELDES
Redator freelancer
https://ebarteldes.wordpress.com


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