O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um dos discursos mais impactantes de sua presidência durante a abertura da 79ª Assembleia Geral da ONU em setembro. Misturando crítica e apelo, seu discurso expôs a incapacidade das grandes nações de se unirem para enfrentar os desafios globais e destacou o esforço necessário em vários setores para transformar a realidade do mundo. “Estamos andando em círculos, entre possíveis compromissos que levam a resultados insuficientes”, afirmou.
Lula não poupou críticas ao estado atual das negociações globais, incluindo a aprovação do Pacto para o Futuro, que foi conquistada “com dificuldade”, revelando o enfraquecimento da capacidade de diálogo das nações. Para o presidente do Brasil, esse pacto representa o paradoxo de nosso tempo, quando compromissos frágeis e insuficientes se tornaram a norma. “Estamos vivendo tempos de angústia crescente, frustração, tensão e medo”, disse ele.
O cenário de conflitos internacionais foi a abertura do discurso. Lula apontou que 2023 registrou o maior número de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial e os gastos militares globais atingiram a marca de 2,4 trilhões de dólares. O presidente do Brasil lamentou que, enquanto essa vasta quantia vai para a guerra, milhões de pessoas permanecem com fome e sem apoio diante das mudanças climáticas. “O uso da força, sem o amparo do direito internacional, está se tornando a norma”, criticou, enfatizando o impacto devastador de guerras simultâneas em lugares como Ucrânia, Gaza e, mais recentemente, Líbano.
Lula também chamou atenção para a crise humanitária que se espalha no Oriente Médio, especialmente em Gaza e na Cisjordânia, descrevendo a situação como “uma das maiores crises humanitárias da história recente”. Ele lamentou o ciclo de violência, onde “o direito de defesa se tornou o direito de vingança”, agravando o sofrimento dos civis e impedindo um cessar-fogo que poderia salvar vidas.
Mudanças Climáticas
Outro tema central de seu discurso foi a crise climática global. O presidente do Brasil criticou a falta de cumprimento dos acordos climáticos e a inércia na redução das emissões de carbono. Ele apontou que 2024 está a caminho de ser o ano mais quente da história moderna e mencionou desastres ambientais, de furacões no Caribe a inundações no sul do Brasil, como exemplos claros dos impactos percebidos. “O planeta está farto de acordos climáticos não cumpridos”, afirmou, enfatizando que o Brasil assumiu sua responsabilidade, reduzindo o desmatamento na Amazônia em 50% e se comprometendo com sua erradicação completa até 2030.
Lula também recordou que o Brasil sediará a COP-30 em 2025, com foco no multilateralismo para enfrentar a emergência climática. Ele enfatizou que o Brasil é líder na transição energética, com uma matriz energética limpa e grandes investimentos em biocombustíveis, energia renovável e hidrogênio verde.
Para Lula, os avanços tecnológicos devem beneficiar a humanidade, especialmente na erradicação da fome e na redução da desigualdade. Ele apontou que, embora a Inteligência Artificial ofereça soluções inovadoras, esses recursos não estão sendo distribuídos adequadamente. Para ele, nada é tão absurdo e inaceitável quanto a permanência da fome e da pobreza em um tempo em que temos tanto à disposição, tantos recursos científicos e tecnológicos, e a revolução da inteligência artificial.
Lula convidou todos os países a se juntarem à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, que será lançada durante a Cúpula de Líderes do G20 em novembro de 2024 no Rio de Janeiro. O objetivo é atrair o maior número de países signatários e parceiros internacionais comprometidos em criar políticas públicas transformadoras que possam reduzir a fome e a pobreza a longo prazo. A iniciativa está aberta a todos os países, não apenas aos membros do G20, demonstrando o caráter inclusivo e global da proposta.
Fonte: G20.ORG



