A exposição Samico Entre Mundos [Rumores de Guerra em Tempos de Paz] apresenta ao público de Nova York quatorze xilogravuras produzidas pelo artista Gilvan Samico (1928 – 2013) no período entre 1997 e 2010. Curitada por Marcio Harum, a exposição ficará em cartaz no Lower East Side de 4 de fevereiro a 5 de março.
A exposição apresenta ao público americano um dos mais importantes artistas latino-americanos, cuja carreira compreende 300 exposições em 30 países diferentes, prêmios na Bienal de Veneza e obras adquiridas pelo MoMA.
Nascido em Recife, localizada na região nordeste do Brasil, Samico e suas obras foram “redescobertos” após sua morte em 2013. Com várias exposições individuais e coletivas no Brasil, suas xilogravuras foram destaque nas mais recentes bienais realizadas no país. Seu trabalho se destaca e difere de seus contemporâneos graças à sua linguagem universal. Partindo de lendas e mitos, reinventa a arte popular de sua terra natal ao adicionar elementos e temas de muitas outras culturas. Samico alcançou, segundo ele mesmo e críticos de arte, o que Jung chamou de “Inconsciente Coletivo”, uma espécie de conhecimento comum de lendas, imagens e símbolos de diferentes culturas compartilhados entre os seres humanos.
“Algumas pessoas me perguntam sobre minha fascinação pela arte egípcia porque veem influências egípcias em minhas gravuras. Não tenho nada a dizer [em resposta], a menos que faça parte da minha experiência no inconsciente coletivo. Não sei. É como se essas velhas histórias continuassem se repetindo em [nossos] genes até chegarem a mim. Um certo crítico disse uma vez que minhas xilogravuras estão impregnadas desses símbolos essenciais da cultura popular. Acho que ele está certo.” – Samico citado por Tânia Nogueira no livro Mythology and Cordel.
Considerado um dos ícones do Movimento Armorial, um movimento artístico que buscava criar uma arte brasileira enraizada nos elementos indígenas, africanos e europeus que formam a base de sua cultura local, Samico adotou uma interpretação mais autoral de seu universo em suas obras mais recentes, que serão apresentadas em Samico Entre Mundos [Rumores de Guerra em Tempos de Paz].
O curador Marcio Harum, que está à frente da curadoria do Centro Cultural São Paulo, uma das mais importantes instituições de arte contemporânea do Brasil, incluiu sessões agendadas de leitura de tarô no programa da exposição como uma forma de destacar a identificação recorrente da obra de Samico com a estética das cartas de tarô e conectá-la à prática da viúva do artista, Célida Samico, que é bailarina, professora de ioga e taróloga.
Para mais informações, visite: www.dreambox.nyc/samicobetweenworlds e www.samico.art.br



