17 de abril de 2026 Um Jornal Bilíngue

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A Autobiografia Franca e Brutalmente Honesta de Rita Lee – The Brasilians

A Autobiografia Franca e Brutalmente Honesta de Rita Lee

A música da superestrela do rock brasileiro Rita Lee Jones faz parte da minha vida desde que me lembro, começando quando sua canção icônica “Ovelha Negra” explodiu nas rádios brasileiras em meados dos anos 1970 até praticamente os dias atuais, mesmo que eu ainda não tenha ouvido seu lançamento de 2012 Reza (“Oração”). Assisti a seus shows ao longo dos anos (incluindo sua última apresentação em NYC em 2003), e sua música tem feito parte da trilha sonora da minha vida junto com todos os outros músicos ou bandas que admirei ao longo dos anos.

Quando soube que ela havia lançado uma autobiografia, fiquei um pouco curioso, mas não fiz questão de ler imediatamente. No entanto, minha mãe bondosamente a comprou para mim como presente de Natal e eu não resisti em abrir o tomo e descobrir do que se tratava.

Como em qualquer biografia de rock, os leitores tendem a querer que o autor vá direto às histórias por trás da música, mas como esta também é a sua própria história, passamos algumas páginas conhecendo a infância de Lee e seu relacionamento com os pais, duas irmãs e família extensa em uma grande casa em São Paulo. Fiquei realmente surpreso ao saber que ela teve uma vida familiar bastante estável – ia à Comunhão com a família e levava uma vida bem normal, exceto pela horrível história em que Lee foi estuprada com uma chave de fenda aos sete anos de idade – e que o culpado nunca foi preso.

Quando chegamos aos anos 60, as coisas ficam suculentas, enquanto ela descreve seus anos com Os Mutantes e sua relação com o movimento Tropicalista iniciado por Caetano Veloso e Gilberto Gil. Também conhecemos o lado feio da banda e a forma como ela foi expulsa de maneira abrupta uma vez que os irmãos Brandão decidiram levar a banda para uma direção progressiva inspirada no Yes, e então acompanhamos toda a sua carreira com detalhes sobre a gravação de todos os álbuns que ela fez até sua aposentadoria, quando decidiu parar de fazer turnês e se dedicar à família e a um estilo de vida mais tranquilo.

O livro é altamente pessoal, e ela não poupa os momentos mais sombrios de sua vida, incluindo sua infame prisão em 1976 por posse de drogas enquanto estava grávida de seu primeiro filho Beto Lee, seus vícios e especialmente o comportamento autodestrutivo que quase destruiu seu relacionamento com o marido e parceiro de composição de longa data Roberto de Carvalho. Ela é brutalmente honesta ao falar de seu desdém pela reunião dos Mutantes e também de seus detratores – especialmente o falecido crítico de rock Ezequiel Neves, que a odiava abertamente e publicava seu veneno na imprensa com impunidade, inclusive espalhando rumores sobre sua saúde.

É uma leitura muito boa – ainda não está disponível em inglês, mas certamente merece ser traduzida, mesmo que só chegue a um pequeno público de seus fãs hardcore que não tiveram chance de aprender português, como sugerem as letras em inglês de “Baby”, de Caetano Veloso – que ela gravou com Os Mutantes, a propósito.

ERNEST BARTELDES
Redator freelancer
https://ebarteldes.wordpress.com


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