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‘Rigor e Beleza’ de Beatriz Milhazes no Guggenheim – The Brasilians

‘Rigor e Beleza’ de Beatriz Milhazes no Guggenheim

Esta exposição apresenta o trabalho da artista contemporânea global Beatriz Milhazes (n. 1960, Rio de Janeiro), que se engaja com sua herança cultural e identidade brasileiras por meio da linguagem da abstração. O vasto corpo de trabalho da artista abrange quatro décadas — dos anos 1980 até o presente — e engloba escultura, colagem, gravura, têxteis, arte pública e, especialmente, pintura. Esta exposição focada apresenta um grupo de quinze pinturas e trabalhos em papel de 1995 a 2023, extraídos da coleção permanente do museu e complementados por empréstimos importantes, que juntos contextualizam a narrativa mais ampla da evolução artística de Milhazes.

O trabalho de Milhazes está profundamente enraizado na história e tradição brasileiras, inspirando-se na arte e arquitetura coloniais, artes decorativas e na vibrante celebração do Carnaval. Ela também é influenciada pela Tropicália, um movimento cultural dos anos 1960 que misturava arte, música e literatura para celebrar a identidade brasileira enquanto protestava contra o regime militar repressivo. Os ritmos e cores da bossa nova, um estilo musical nascido no Rio de Janeiro no final dos anos 1950, também ecoam em sua obra.  Além dessas influências, Milhazes dialoga com o trabalho de artistas como Henri Matisse e Piet Mondrian, referenciando também Tarsila do Amaral, cujas criações foram fundamentais para o desenvolvimento visual e estético do Modernismo brasileiro.

Em 1989 Milhazes desenvolveu uma técnica inovadora que ela chama de “monotransfer”, inspirada no processo de monotipia, em que uma imagem pintada é transferida de uma placa para o papel, produzindo uma imagem espelhada. Ela inicia seu processo pintando motivos em folhas de plástico transparente com tinta acrílica. Uma vez seca a acrílica, ela sobrepõe e adere os filmes pintados à tela e depois remove o plástico, revelando as formas invertidas. As composições resultantes são vibrantes e dinâmicas, combinando formas abstratas, padrões orgânicos e estruturas geométricas em superfícies texturizadas impregnadas da memória das ações da artista.

As pinturas iniciais nesta exposição, principalmente da coleção do museu — como Santa Cruz (1995), In albis (1995–96) e As quatro estaçōes (As Quatro Estações, 1997) — extraem inspiração da opulência das igrejas coloniais barrocas brasileiras do século XVIII e de vestimentas ornamentais. Milhazes sintetiza essas influências em motivos abstratos e representativos, com círculos e arabescos, delicado crochê e renda, flores e padrões florais, e pérolas ornamentadas e trabalhos em ferro emergindo ao longo de suas composições. Por volta de 2000, ela começou a explorar efeitos ópticos em suas pinturas, usando repetições lineares para criar padrões ondulantes e ritmos visuais, como visto em Paisagem carioca (Paisagem Carioca, 2000), O cravo e a rosa (O Cravo e a Rosa, 2000) e O Caipira (O Caipira, 2004).

Os trabalhos em papel nesta exposição, criados entre 2013 e 2021, demonstram a experimentação contínua de Milhazes com colagem. Ela combina elementos produzidos em massa como sacolas de compras de marca, embalagens de barras de chocolate e papel estampado com recortes de suas próprias serigrafias monocromáticas para criar padrões intricados e configurações abstratas ousadas.

As pinturas recentes de Milhazes, incluindo Mistura sagrada (Mistura Sagrada, 2022), marcam uma mudança em direção à exploração do poder espiritual da natureza no rastro da pandemia de COVID-19. Embora referências ao mundo natural estejam presentes desde o início de sua carreira, aqui ela mergulha nos ciclos de renovação — vida e morte — por meio de formas angulares coloridas e padrões intricados. Elementos orgânicos, reflexo da proximidade da artista com o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, a Floresta da Tijuca e a Praia de Copacabana, ecoam nas geometrias harmoniosas, sistemas conceituais e universos cromáticos que permeiam sua obra.

Onde: Solomon R. Guggenheim Museum and Foundation, Nova York.

Quando: De 7 de março a 7 de setembro de 2025


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