17 de abril de 2026 Um Jornal Bilíngue

New York,US
22C
pten
Projeto no Paraná, Brasil, Fortalece a Conservação Costeira e o Combate às Mudanças Climáticas no Litoral – The Brasilians

Projeto no Paraná, Brasil, Fortalece a Conservação Costeira e o Combate às Mudanças Climáticas no Litoral

Enquanto a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2025 (COP30) reuniu pesquisadores e líderes mundiais em Belém (PA) para discutir estratégias de mitigação e adaptação, iniciativas locais mostram como ciência e comunidades podem trabalhar juntas na linha de frente da conservação ambiental. No litoral do Paraná, o projeto Marés de Mudança, desenvolvido pela Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Universidade Estadual do Paraná (FUNESPAR), com apoio do Programa de Biodiversidade Litorânea do Paraná (BLP), é um exemplo dessa integração.

Executado no Complexo Estuarino de Paranaguá (CEP), uma das áreas ecologicamente mais importantes do país, o projeto identifica e avalia como espécies bênticas não nativas — organismos que vivem no fundo do mar, como moluscos e crustáceos — se comportam em um cenário de aquecimento das águas e condições ambientais alteradas, avaliando os impactos nas atividades portuárias, comunidades locais e Unidades de Conservação (UCs).

Segundo o coordenador do projeto, o biólogo Rafael Metri, professor da Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR), a pesquisa está alinhada à Década da Ciência dos Oceanos das Nações Unidas, com o objetivo de conscientizar sobre a importância dos oceanos e mobilizar atores públicos e privados, bem como organizações da sociedade civil (OSCs), em ações que promovam a saúde e a sustentabilidade dos mares.

“Pesquisamos a biodiversidade de organismos bênticos, especialmente em costas rochosas e substratos artificiais. Esses organismos refletem com precisão as condições ambientais e, quando o cenário muda, algumas espécies mais tolerantes acabam prevalecendo”, explica.

Segundo o biólogo, espécies introduzidas tendem a ser mais resistentes a variações ambientais. “Em áreas impactadas, onde a biodiversidade nativa está comprometida, elas se estabelecem com mais facilidade. Já observamos um aumento nas ondas de calor marinho e sua influência na abundância de espécies nativas e invasoras”, acrescenta.

O litoral do Paraná, reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) como Patrimônio Natural Mundial, abriga os remanescentes mais preservados da Mata Atlântica no país, vastas áreas de manguezais e comunidades tradicionais que dependem diretamente dos recursos marinhos. Diante disso, as mudanças climáticas e a presença de espécies invasoras ameaçam tanto a biodiversidade quanto a economia local.

“Qualquer atividade que afete a vulnerabilidade de comunidades e ecossistemas precisa ser cuidadosamente avaliada. Em uma região portuária com alto tráfego de embarcações, a bioinvasão é um impacto que deve ser monitorado”, enfatiza Metri. “Os serviços ecossistêmicos dos recifes rochosos são fundamentais para a manutenção da biodiversidade, dos recursos pesqueiros e dos ciclos ecológicos. Mas esses serviços estão ameaçados pelo aquecimento das águas e acidificação, aspectos que buscamos entender melhor”, complementa o pesquisador.

Principais impactos

Entre os impactos observados estão danos diretos à pesca artesanal, com espécies invasoras competindo com as nativas e alterando o equilíbrio ecológico. Ostras e caranguejos não nativos afetaram a renda dos pescadores e exigiram adaptações nas práticas tradicionais.

A ostra-capuz (Saccostrea cuccullata) tem dominado áreas de manguezal e costeiras, substituindo ostras nativas usadas para consumo e comércio. Menor e com sabor inferior, é mais difícil de abrir e pode causar ferimentos devido à borda afiada de sua concha. O caranguejo-azul invasor (Charybdis helleri), por sua vez, compete com espécies nativas capturadas por comunidades tradicionais. Há também registros de briozoários não nativos, que se enroscam nas redes, reduzem a eficiência da pesca e aumentam o esforço dos pescadores.

Esses relatos foram coletados em conversas com pescadores locais e restaurantes, no âmbito de um processo de ciência cidadã conduzido pela equipe do projeto Marés de Mudança. Além de gerar uma base de dados sobre espécies marinhas não nativas, o projeto promove educação ambiental e ciência cidadã, envolvendo comunidades e instituições como o Ministério Público Federal (MPF), o Ministério Público do Paraná (MPPR), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Instituto Água e Terra (IAT), e universidades como a Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR), o Instituto Federal do Paraná (IFPR), a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e o Centro Universitário de Estudos e Pesquisas em Desastres (CEPED).

“Temos grupos de pesquisa, gestores ambientais e comunidades trabalhando juntos por um ambiente marinho saudável. Em regiões portuárias, essa interdisciplinaridade é essencial e, diante das mudanças climáticas, ainda mais urgente”, afirma Metri.

Processos de licenciamento ambiental portuário incorporaram diagnósticos e programas de monitoramento de espécies não nativas, impulsionados pela ação conjunta de academia, agências ambientais e Ministério Público. Segundo Metri, “o projeto demonstra como ciência, gestão e comunidades podem trabalhar juntas pela conservação costeira e adaptação às mudanças climáticas. Conservar zonas costeiras exige ação conjunta, promovendo resiliência e sustentabilidade”, enfatiza.

O programa incentivou a pesquisa

Com duração de dois anos e investimento superior a R$ 640 mil do Programa de Biodiversidade Litorânea do Paraná, o projeto adota uma abordagem interdisciplinar que inclui coleta, caracterização de espécies e mapeamento participativo, permitindo um monitoramento mais preciso e compreensão de sua dispersão.

As informações coletadas serão compiladas em uma base de dados pública, promovendo a colaboração entre instituições e comunidades. Materiais de conscientização também estão sendo desenvolvidos para educar o público sobre a importância da gestão de espécies invasoras, contribuindo para a conservação de ecossistemas costeiros e o aprimoramento de ferramentas de gestão ambiental, como planos de manejo e conselhos de áreas protegidas.

Sobre o Programa de Biodiversidade Litorânea do Paraná

Criado em 2021, o Programa de Biodiversidade Litorânea do Paraná promove a conservação, a pesquisa e o uso responsável dos recursos naturais, fortalecendo Unidades de Conservação e impulsionando o desenvolvimento sustentável do litoral paranaense. Financiado pelo Termo de Ajustamento de Conduta Judicial (TAJ) assinado após o derramamento de óleo em 2001, o Programa transformou um passivo ambiental em um investimento histórico em conservação: mais de R$ 110 milhões serão alocados a iniciativas estratégicas ao longo de dez anos.

A governança do Programa é compartilhada entre organizações da sociedade civil, instituições de ensino superior e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com supervisão do Ministério Público Federal e do Ministério Público do Paraná. A gestão financeira e operacional do Programa é realizada pelo Fundo Brasileiro da Biodiversidade (FUNBIO). Para saber mais, visite www.biodiversidadelitoralpr.com.br.

Fonte: brasil247.com


  • Ator Juca de Oliveira morre aos 91 anos

    Ator Juca de Oliveira morre aos 91 anos

    O Brasil perdeu na madrugada deste sábado (21) um dos nomes mais expressivos das artes cênicas nacionais. O ator, autor e diretor Juca de Oliveira faleceu aos 91 anos em São Paulo, vítima de pneumonia associada a uma condição cardiológica. A informação foi confirmada pela assessoria da família à TV Globo, veículo que noticiou o…