6 de junho de 2026Um Jornal Bilíngue
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Prefeitura do Rio mira modelo de Nova York para Força Municipal Armada

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Durante uma visita ao Rio de Janeiro nesta quinta-feira (26), o chefe do Departamento de Polícia de Nova York, Michael J. LiPetri, defendeu o uso intensivo de monitoramento remoto e ciência de dados como base para enfrentar problemas de segurança pública. A prefeitura do Rio reconhece a cidade dos EUA como modelo para formar a nova Força Municipal, uma divisão de elite armada da Guarda Municipal, que deve iniciar operações em março.

LiPetri visitou o Centro de Inteligência, Vigilância e Tecnologia em Apoio à Segurança Pública (CIVITAS Rio), onde trocou experiências com o prefeito Eduardo Paes.

“Em Nova York, priorizamos colocar o melhor cientista de dados para trabalhar ao lado do comandante da polícia. Eles podem mapear a cidade e ter uma noção de previsibilidade do crime”, diz ele.

“[Foi possível] entender que as noites de sexta, sábado e domingo são as mais violentas, além de certos horários. [Decidimos que] a maioria dos policiais não tem folga nesses dias. É nesses períodos que o maior contingente está nas ruas, e é por isso que tivemos o ano mais seguro da história da cidade no ano passado”, exemplifica ele.

Análise de Dados

A prefeitura do Rio afirmou que a principal inspiração de Nova York é o CompStat, uma ferramenta criada na década de 1990 para gestão estratégica baseada em análise de dados e indicadores de segurança.

O novo Sistema Municipal de Segurança (SSM) terá 22 áreas prioritárias de monitoramento. O objetivo é mapear as principais áreas criminosas, realizar reuniões semanais de prestação de contas de resultados, analisar dados, alocar pessoal de forma precisa por horário e tipo de crime, focar na prevenção e garantir responsabilização direta dos comandantes.

O secretário de Segurança Urbana do Rio, Breno Carnevale, disse que os principais focos da Força Municipal serão o combate a furtos e roubos, crimes que, segundo ele, têm o maior impacto na vida diária da população. A ideia é que seja uma força complementar, sem sobrepor às atribuições investigativas da Polícia Civil ou às operações da Polícia Militar.

Os agentes usarão câmeras corporais, GPS em tempo real e serão monitorados diretamente do Centro de Operações da Prefeitura. O prefeito Eduardo Paes diz que o diferencial da Força Municipal serão operações baseadas em planejamento, gestão por indicadores e ajustes rápidos de estratégia.

“Houve mais de 500 horas de treinamento, da parte teórica à operacional e treinamento no sistema operacional e câmeras corporais. Houve treinamentos de tiro com arma de fogo, testes de sacar armas, enfim, tudo o que faz parte de uma academia de polícia, para que possam ir às ruas mais qualificados”, diz Carnevale.

Uma preocupação em relação à nova força é a capacidade de diálogo e ação conjunta efetiva entre forças de segurança municipais e estaduais, dada a história de divergências entre líderes das duas esferas de poder.

“A integração com a Polícia Militar e a Secretaria de Segurança do Estado já está em curso. Vamos trabalhar juntos. Nossas forças sempre trabalharam de forma integrada, independentemente do ambiente político. Há um acerto sereno sobre isso”, garante o prefeito.

Desde a votação que criou a Força Municipal, o novo modelo de segurança da prefeitura tem enfrentado críticas e resistência. Vereadoras Mônica Cunha (PSOL) e Maíra do MST (PT), por exemplo, disseram que uma nova força armada nas ruas terá o efeito contrário, trazendo mais insegurança à população. Elas argumentam que grupos sociais como camelôs e professores já sofrem com violência de guardas municipais e ficarão ainda mais em risco.

Fonte: Agência Brasil


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