Sem a produção de petróleo da margem equatorial — a área na costa norte do Brasil cujo potencial tem sido descrito como semelhante às camadas do pré-sal —, o país pode ter que importar petróleo novamente em até dez anos.
A declaração foi feita pela diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, e faz parte dos esforços da estatal para obter licença para explorar a região.
“O timing é crítico. Em cinco, seis anos haverá uma queda na produção do pré-sal. Como resultado, poderíamos nos tornar importadores de petróleo novamente em 2034, 2035, se não tivermos descobertas”, disse ela em uma aula magna na Universidade Federal do Rio de Janeiro.
A margem equatorial abrange uma área na costa dos estados do Rio Grande do Norte até o Amapá. A exploração é criticada por ambientalistas, que se preocupam com possíveis danos ambientais.
A Petrobras tem 16 poços nesta nova fronteira exploratória, que inclui a foz do rio Amazonas. No entanto, só tem autorização da autoridade ambiental Ibama para perfurar dois deles. A empresa pediu ao instituto que reconsidere sua decisão e conceda permissão para outras áreas.
Meio Ambiente
A Petrobras, disse a diretora, atendeu às exigências do Ibama para a licença — incluindo a criação de um centro para abrigar animais em caso de vazamento de petróleo; a garantia de que não haverá superlotação no Aeroporto de Oiapoque, no Amapá; e a simulação de exercícios de emergência ambiental.
No entanto, mesmo se a licença fosse concedida hoje, a Petrobras reconhece que levaria cerca de três meses para o início da perfuração.
A diretora Sylvia disse que, na costa do Rio Grande do Norte, onde a permissão foi concedida, dois poços já estão sendo perfurados, mas ainda não há opinião sobre sua viabilidade econômica, ou seja, se a quantidade de petróleo encontrada é rentável.
Transição energética
A diretora acredita que não há conflito entre a política ambiental do país de redução de emissões de gases de efeito estufa e seu interesse na exploração de petróleo. Ela explicou que a Petrobras usa tecnologia que produz menos dióxido de carbono.
Ela também argumentou que o petróleo continuará em demanda no mundo por décadas, tanto como fonte de energia quanto como matéria-prima para a indústria petroquímica, que produz uma ampla variedade de itens, além de plásticos.
“Qual petróleo estará presente? O de menores emissões. Nesse sentido, as emissões do pré-sal estão entre sete e nove quilos de dióxido de carbono por barril. A média global é 17kg; 20kg para alguns campos de grande porte”, observou ela, acrescentando que a produção da Petrobras alcançará emissões negativas de carbono antes de 2050.
Fonte: Agência Brasil



