Escrito pela jornalista, pesquisadora, escritora e cantor-compositora brasileira Chris Fuscaldo, o livro bilíngue “Discobiografia Mutante: Albums that Revolutionized Brazilian Music” celebrou em 2018 o legado fonográfico deixado pelos Mutantes. Afinal, foi o ano em que Os Mutantes, o primeiro álbum da banda que revolucionou a história da música nacional, completou 50 anos. O livro conta a história dos álbuns gravados por Arnaldo Baptista, Sérgio Dias e Rita Lee e tantos outros que andaram com o trio, destacando histórias muito curiosas, porém pouco conhecidas. Entre elas, algumas bem divertidas, como a foto da capa do álbum de estreia da
banda, em que Rita posou enrolada em uma toalha de mesa comprada por sua mãe em uma quermesse de igreja. Há também uma passagem sobre a participação de Jorge Ben (Jor) neste álbum: “Não só ele compôs ‘Minha Menina’, como também tocou guitarra e ainda cantou e imitou o apresentador de TV Chacrinha durante a gravação. Jorge é a voz que antecede o solo de Sérgio Dias dizendo ‘Tosse! Todo mundo tosse!’”, diz Chris no livro.
Sra. Fuscaldo veio a Nova York para um evento especial de lançamento que aconteceu na icônica livraria de Greenwich Village, Unoppressive Non-Imperialist Bargain Books, no dia 30 de janeiro. Em uma conversa moderada por Paula Abreu, programadora do festival SummerStage, e acompanhada pelo guitarrista dos Mutantes,
Sérgio Dias, via Skype, ela falou sobre seu processo de escrita e seu conhecimento sobre a banda.
A Banda que Causou Polêmica
O ano de 1968 foi diferente para Rita Lee, Arnaldo Dias Baptista e Sérgio Dias Baptista, que gravaram seu primeiro álbum como Os Mutantes (que depois se tornou apenas Mutantes) para nunca ser esquecido. A banda causou polêmica, inovou a música popular brasileira ao introduzir instrumentos elétricos nos festivais de canção, eventos musicais que atraíam público do tamanho de uma final de campeonato de futebol. Enquanto Gilberto Gil e Caetano Veloso tentavam driblar a censura da ditadura e o risco de serem presos a qualquer momento – o que
acabou acontecendo com eles -, os rapazes ainda viviam uma juventude que, pode-se dizer, transitava da rebeldia adolescente para a contracultura.
As capas dos discos dos Mutantes dão margem a especulações, debates e, como Rita até brinca, “até uma tese de doutorado”. No entanto, os resultados da pesquisa mostram que o trio zoava tanto que as capas eram meros resumos do que eles realmente eram. A ironia é evidente na maioria delas. Em “A Divina Comédia ou Ando meio Desligado”, por exemplo, Rita, Arnaldo e Sérgio quiseram confrontar os conservadores com uma foto dos três na mesma cama. Com essa irreverência, como reportou o The New York Times, a banda conquistou até artistas estrangeiros, de David Byrne a Kurt Cobain. O líder do Nirvana até escreveu uma carta para Arnaldo Baptista e declarou em entrevista: “Eu sei que eles
eram muito revolucionários, criaram seus próprios efeitos. E provocaram muita controvérsia, tiveram coragem para fazer o que fizeram durante o regime militar.” Filho de John Lennon e músico, Sean Lennon, que convidou Arnaldo para tocar com ele em uma das edições do festival Rock in Rio, elogia o trabalho dos Mutantes: “Eu não sabia que existia uma banda assim no mundo. Foi uma das melhores gravações que eu já tinha ouvido. Parecia que eles tinham percebido a psicodelia britânica, mas tinham um som muito particular.”
Discobiografia Mutante: Álbuns que Revolucionaram a Música Brasileira
Português / Inglês – 243 páginas
Autora: Chris Fuscaldo
www.discobiografiamutante.com



