O Departamento de Estado dos EUA incluiu novamente Cuba em sua lista — elaborada de forma unilateral — de países que, segundo Washington, “não cooperam plenamente com os esforços de contraterrorismo”. A medida do atual Secretário de Estado, Marco Rubio, reverte uma decisão da administração Joe Biden, que havia retirado a ilha da lista no ano passado.
Naquela ocasião, após consultas com agências especializadas do próprio governo dos EUA, concluiu-se que não havia evidências para sustentar a alegação de que Cuba não colaborava na luta contra o terrorismo.
O Departamento de Estado dos EUA não tem mandato internacional para elaborar esta lista, que é produzida anualmente e apresentada ao Congresso dos EUA. A Lei de Controle de Exportação de Armas proíbe a venda de armas aos países incluídos.
Embora a inclusão ou exclusão de Cuba desta lista não tenha efeito imediato — já que a ilha não mantém relações militares com os Estados Unidos nem adquire armas do país desde a Revolução Cubana —, sua presença no documento serve de pretexto para Washington justificar a imposição de sanções contra a nação caribenha.
Embora relacionada, esta é uma lista separada da de “patrocinadores estatais do terrorismo”, uma classificação usada diretamente por Washington para aplicar sanções.
Máxima pressão e guerra econômica
O governo cubano criticou a decisão. Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que a inclusão de Cuba “não se baseia em evidências concretas”. Acusou Washington de “transformar novamente a luta contra o terrorismo internacional em um exercício político unilateral contra países que não se submetem aos seus interesses hegemônicos”.
Havana considera a medida parte da estratégia de “máxima pressão e guerra econômica” mantida pelos Estados Unidos contra Cuba.
“Seus promotores estão plenamente cientes do dano que causam à população cubana e do efeito intimidatório que exercem sobre qualquer Estado ligado ao terrorismo — independentemente da veracidade dos fatos”, conclui a nota.
O vice-chanceler cubano Carlos Fernández de Cossío, por sua vez, responsabilizou diretamente os Estados Unidos.
“São os Estados Unidos que se recusam a cooperar com Cuba e outros países na luta contra o terrorismo — o que é compreensível, dado o histórico de cumplicidade e participação de agências do governo dos EUA em ações terroristas, amplamente documentado”.
Medidas unilaterais sem apoio internacional
Em novembro de 2024, a Assembleia Geral da ONU aprovou, pelo 32º ano consecutivo, uma resolução exigindo o fim do embargo econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos a Cuba. A medida foi aprovada por ampla maioria: 187 países votaram a favor da proposta de Cuba, com apenas uma abstenção (Moldova) e os habituais dois votos contra — os Estados Unidos e Israel.
Durante o debate, especialistas independentes do sistema de direitos humanos da ONU apresentaram um relatório em que destacaram a necessidade de os EUA removerem Cuba da lista de patrocinadores estatais do terrorismo. Afirmaram que se trata de uma medida urgente, especialmente diante dos atuais desafios econômicos e humanitários enfrentados pelo país caribenho.
Ao designar Cuba como suposto “patrocinador estatal do terrorismo” — decisão tomada em 2021, durante a primeira administração de Donald Trump —, Washington aprofundou as restrições impostas à ilha, que está sob bloqueio estabelecido pelos Estados Unidos há 63 anos.
De acordo com cálculos apresentados à ONU, só entre 1º de março de 2023 e 29 de fevereiro de 2024, o bloqueio causou uma perda estimada de US$5.5 billion (R$31 billion), o que representa uma perda de mais de US$421 million (R$2.4 billion).
Fonte: www.brasildefato.com



