17 de abril de 2026 Um Jornal Bilíngue

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Fique de Olho no Setor Tecnológico em Boom do Brasil – The Brasilians

Fique de Olho no Setor Tecnológico em Boom do Brasil

O humor brasileiro é muitas vezes uma janela com a visão mais clara da psique brasileira. Uma boa piada contada em um buteco ou pé sujo, os bares de esquina do bairro onde os brasileiros se reúnem para um chope no final da tarde, é uma boa maneira para estrangeiros captarem o que os brasileiros realmente pensam sobre questões grandes e pequenas. Uma das observações mais astutas, embora mordazes, que me lembro de ouvir de vez em quando durante os anos em que vivi no Rio e em São Paulo era que “Brazil is the country of the future! And it will always be so!” (“O Brasil é o país do futuro! E sempre será!”) Em uma frase concisa, essa pérola de humor autodepreciativo transmite o orgulho dos brasileiros pelo enorme potencial de seu país, ao mesmo tempo em que joga um balde de água fria nessas mesmas aspirações nacionais.

O problema, é claro, é que os brasileiros têm todos os motivos para serem céticos quanto à própria capacidade de emergir como um player formidável no palco mundial. O Brasil tem sido um dos mercados emergentes mais voláteis nos últimos trinta anos, com períodos interconectados de crescimento desenfreado seguidos de recessões profundas. Em alguns aspectos, apenas pelo tamanho do país e sua produção econômica anual de quase US$ 2 trilhões, o Brasil já é um peso-pesado, embora ainda esteja subperformando em relação ao seu potencial verdadeiramente impressionante. E embora grande parte das manchetes tenda a se concentrar no papel do Brasil como uma das principais forças na produção agrícola global, ou na promessa de sua indústria de petróleo e petroquímicos em crescimento, acredito que a área na qual a comunidade global de negócios deve ficar de olho é o setor de tecnologia emergente do país. É uma oportunidade tão grande que poderia impulsionar toda a economia brasileira.

De uma perspectiva de 30 mil pés, o ecossistema de tecnologia atual do Brasil possui todos os ingredientes necessários para decolagem: um robusto pool de talentos jovens e altamente educados, acesso a capital de risco local e global

Foto: shutterstock-franz12

, e um enorme mercado interno inchando com mais de 200 milhões de pessoas. O país está fomentando uma comunidade de empreendedores de alta qualidade e experientes que são igualmente – senão mais – sofisticados do que qualquer um que possa ser encontrado em Nova York, Londres ou até no Vale do Silício. E talvez o melhor sinal de todos: muitos empreendedores brasileiros bem-sucedidos, após saírem de suas empresas, estão buscando reinvestir seus ganhos de volta no ecossistema brasileiro local. Essa realocação de capital de volta ao mercado brasileiro destaca uma diferença dramática em relação aos ciclos de boom anteriores na economia brasileira, nos quais as empresas mal podiam esperar para converter seus lucros em dólares e protegê-los no exterior, garantindo os ganhos antes que a próxima crise econômica se instalasse. Essas mudanças indicam uma maturidade recém-adquirida no clima de investimentos institucionais, que está preparando o terreno para um boom tecnológico sustentado na economia brasileira.

Assim como seus pares na Europa e na América do Norte, o início da Covid-19 acelerou a mudança cultural da classe média brasileira para uma adoção em larga escala de um estilo de vida digital e online. E embora os mesmos entraves que definiram o “Risco Brasil” por décadas – corrupção, burocracia excessiva e códigos legais e tributários complicados – ainda apresentem desafios reais para startups de tecnologia, há motivos para um otimismo cauteloso.

Esse otimismo é o motivo pelo qual investidores nacionais e internacionais estão olhando para o Brasil como a próxima melhor aposta em tecnologia e inovação. Caso em questão: a Softbank do Japão, acionista majoritária da Uber, está investindo US$ 5 bilhões em startups latino-americanas, com a maior parte direcionada a startups brasileiras. A Magazine Luiza – considerada a mais inovadora das grandes redes de varejo do país – está construindo uma plataforma de e-commerce, pagamentos e fulfillment para capacitar pequenos e médios varejistas que têm arrastado os pés na digitalização de seus negócios. A plataforma da Magazine Luiza por si só certamente vai inaugurar uma nova onda de varejistas tradicionais. Isso trará seus negócios para a internet da mesma forma que Shopify e Squarespace fizeram nos EUA. Agronegócio, fintech e saúde digital são outras áreas de alto potencial de crescimento dentro do setor de tecnologia brasileiro.

O fato de o Brasil ficar atrás de outras grandes economias em termos de alta tecnologia, aliado a um mercado de liquidez agora pronto para apoiar saídas bem-sucedidas, sugere que desta vez, quem sabe, o apelido do Brasil como o país do futuro finalmente está colidindo com o presente.

ARICK WIERSON
Colunista da CNN, produtor de televisão e consultor político
Twitter: @ArickWierson


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