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José Leonilson: Empty Man é inaugurada na Americas Society – The Brasilians

José Leonilson: Empty Man é inaugurada na Americas Society

Nos anos 1980, quando o mundo reverberava com as ondas de choque provocadas pela AIDS, o artista brasileiro José Leonilson (1957– 1993) adaptou o discurso político da epidemia a uma ruminação metafísica. Sua obra oferece um panteão de símbolos, poéticas e padrões, traçando em termos pessoais a odisseia de uma doença que provocou medo, confusão e pânico.

Americas Society (AS) apresenta José Leonilson: Empty Man, a primeira exposição individual nos Estados Unidos de uma das principais figuras da arte contemporânea brasileira. A mostra é organizada pela curadora independente Cecilia Brunson, pela diretora de Artes Visuais e chefe de curadoria da AS Gabriela Rangel, e pela assistente curadora da AS Susanna V. Temkin, com a cooperação do Projeto Leonilson, sediado em São Paulo.

O universo mítico de José Leonilson constrói uma narrativa existencial em torno de sua própria condição, e essa intimidade atemporal ressoa no contexto de uma doença marcada tão frequentemente por perdas. “A prática de José Leonilson abordou a questão da arte como um exercício de introspecção. É mesmerizante”, descreve Cecilia Brunson. “Seja esboçado, pintado, ilustrado ou bordado, seus símbolos evoluem para um vocabulário que pode articular seu amor, isolamento, gênero, sexualidade — em última análise, uma reconciliação com a ideia de sua morte.”

A mostra apresenta cerca de 50 obras, incluindo desenhos, pinturas e bordados, e documentos emprestados de instituições públicas e coleções privadas no Brasil e nos EUA. Focando na produção do artista a partir de meados dos anos 1980 até sua morte em 1993, a exposição destacará sua linguagem idiossincrática, na qual ele combinou um léxico iconográfico distinto com texto íntimo. A exposição será acompanhada por uma publicação ilustrada.

Nascido em Fortaleza em 1957, José Leonilson Bezerra Dias emergiu como uma figura seminal no mundo da arte contemporânea brasileira durante os anos 1980. Ao longo de sua carreira, ele viajou extensivamente pela Europa, e suas pinturas, desenhos e instalações foram apresentadas em mostras individuais e coletivas na França, Alemanha, Itália e Espanha, além de muitas exposições realizadas no Brasil. Em 1991, o artista testou positivo para HIV. Esse diagnóstico provocou uma mudança decisiva em sua carreira, pois Leonilson começou a desenvolver seus bordados íntimos, uma prática que continuou até sua morte em 1993, aos 36 anos.

A exposição ficará em cartaz até 3 de fevereiro de 2018.

Para mais informações: www.as-coa.org/ josé-leonilson-emptyman#overview


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