Guitarrista Flavio Silva dá uma nova carga elétrica ao seu amado jazz brasileiro com “Eko”, previsto para chegar em 7 de junho pela sua própria Break Free Records. A sequência de “Break Free” de 2018, o terceiro álbum de Silva, mergulha mais fundo no som de fusão que sempre foi um ingrediente fervilhante em sua mistura inebriante de vários sabores de jazz e brasileiros.
Os ritmos brasileiros, é claro, têm sido uma peça indispensável no quebra-cabeça da fusão jazz desde que o percussionista Airto Moreira tocou nas sessões de Miles Davis para “Bitches Brew”.
Com “Eko”, Silva reforça a relação perfeita entre essas paletas sonoras. “Este é um álbum elétrico”, afirma Silva. “Mesmo com contrabaixo acústico, a estética é bem mais voltada para o lado elétrico.”
Este é um álbum elétrico. Mesmo com contrabaixo acústico, a estética é bem mais voltada para o lado elétrico.
Isso é evidente. A faixa de abertura “Motaba” é um verdadeiro estalo de chicote de poder e atitude com infusão de rock. Além disso, a faixa-título e a de encerramento “Sunflower” não são nada além de material potente e elétrico, irradiado tanto pelo Fender Rhodes e sintetizadores do tecladista Gabriel Gaiardo quanto pelo tom de guitarra sinuoso, porém cristalino, de Silva.
Dito isso, não há dúvida de que as músicas brasileiras e o jazz mais tradicionais também exercem uma influência poderosa nessas sete faixas. “Pare de Saranhar Meu Cabelo Menino” é notavelmente leve e delicado, impulsionado pelo trabalho de escovas nos pratos de Cuca Teixeira e pelo contrabaixo acústico sólido de Sidiel Vieira; tanto “Dom Quixote”, de Milton Nascimento, quanto “To Blade and Cowherd”, de Silva, exibem um toque mais leve e orientado ao post-bop; e “Heroes and Friends”, apesar de suas texturas elétricas escaldantes, é no fim das contas um balanço total.
Isso diz tanto sobre os colaboradores de Silva em “Eko” quanto sobre o próprio guitarrista. Gaiardo, Teixeira e Vieira são três dos músicos mais aclamados e demandados na cena da musicalmente rica cidade de São Paulo, onde cultivaram um repertório tão amplo quanto profundo, estabelecendo-se assim como pares de Silva sob qualquer critério. Dá para ouvir isso na música.
Flavio Silva nasceu 11 de fevereiro de 1985 em São Paulo, Brasil. Sua casa era imersa em música, seja na música folclórica nordestina que seu pai amava ou na MPB mais contemporânea preferida por sua mãe. O próprio Silva preferia os sons da música pop negra americana: funk e R&B, que o inspiraram a experimentar a guitarra que cresceu ouvindo os amigos do pai tocarem.
Aos 13 anos, o professor de guitarra de Silva o introduziu aos guitarristas de jazz fusion; um professor posterior o apresentou ao jazz acústico. A descoberta mudou literalmente sua vida. Iniciou-o no caminho para obter um diploma em jazz, que o levou aos círculos profissionais de jazz de São Paulo — e depois à Europa. Ele passou seis anos na Bélgica e nos Países Baixos, aprimorando sua técnica e gravando seu primeiro álbum homônimo com compatriotas brasileiros expatriados (incluindo o baterista Cuca Teixeira).
A próxima parada foi Nova York, onde Silva se matriculou na Queens College em 2015 para obter um mestrado em estudos de jazz. Seus professores incluíam os guitarristas Paul Bollenback e Mike Moreno, além do saxofonista alto Antonio Hart, que lançou Silva na cena infinitamente fértil de Nova York. Ele logo se tornou um guitarrista de primeira chamada entre a elite do jazz, vários dos quais se juntaram a ele para gravar seu segundo álbum, “Break Free” — um importante marco para o jovem guitarrista.
O lançamento de “Break Free” em 2018, porém, coincidiu com a pandemia mundial de COVID-19, e Silva optou por aguardar os lockdowns em sua cidade natal, São Paulo. Seu retorno e a estadia de dois anos na metrópole brasileira o levaram a se reconectar com seus colegas locais. Os frutos dessa reconexão são “Eko”, que reflete tudo o que o guitarrista realizou e aprendeu em sua carreira musical consolidada.



