Recentemente, enquanto conversava com a Professora Jillian Dunn da Universidade UCLA, algo que ela disse me deixou profundamente reflexivo. De acordo com ela, com apenas uma única peça de informação, a internet pode saber mais sobre você do que as pessoas que você conhece. Com duas peças, ela sabe mais do que sua própria família. Com três peças, a internet sabe mais do que seus amigos, e com quatro peças, ela pode saber mais sobre você do que você sabe sobre si mesmo.Essa declaração me deixou perplexo.
Como é possível que a internet saiba mais sobre mim do que eu mesmo, com apenas quatro peças de informação?
No dia seguinte, eu estava em casa com uma amiga que havia acabado de baixar o app TikTok no celular dela. Ela estava tentando entender como o algoritmo funcionava. À medida que ela passava mais tempo assistindo certo conteúdo, mais do mesmo tipo de conteúdo aparecia na tela dela. No entanto, algo estranho aconteceu: no dia seguinte, conteúdo que supostamente “não a interessava”
começou a aparecer, mas, estranhamente, ela não conseguia parar de assisti-lo.
Isso foi quando entendi o que Jillian estava dizendo. A internet realmente te conhece melhor do que você se conhece. Na era tecnológica em que vivemos, com o surgimento constante de novas plataformas, a quantidade de dados coletados sobre nós continua aumentando, e as preocupações com a invasão de privacidade se tornam mais proeminentes.
Mas a coleta de dados já ultrapassou o limite alguma vez? E se é para aprimorar nossa experiência online, vale a pena?
Pequenos padrões comportamentais são rastreados através de nossas buscas, das coisas que gostamos e compartilhamos, e é aí que as empresas de big data começam a descobrir atributos ocultos sobre nós que nem sabíamos que estávamos compartilhando informações sobre.
Com base nesses dados, personas são criadas que representam nossos perfis. Nossa idade, gênero, interesses e mais. E é através dessa informação que as empresas de big data podem personalizar ainda mais nossa experiência online.
No entanto, surge a pergunta: até que ponto a coleta de dados é aceitável? Até que ponto é ética e benéfica para nós como usuários?
Essas são perguntas importantes que precisamos fazer e refletir em um mundo cada vez mais conectado.
À medida que continuamos a compartilhar informações pessoais e interagir com plataformas online, é crucial estar ciente do poder que essas empresas têm sobre nossos dados e da importância de proteger nossa privacidade.
BEATRIZ DIAS
Designer Gráfica, Fotógrafa
Beatrizgcostadias@gmail.com



