Um ataque com coquetel Molotov deixou oito pessoas feridas durante uma manifestação em apoio aos reféns israelenses mantidos pelo Hamas, realizada neste domingo (1º) em Boulder, Colorado, nos Estados Unidos.
A informação foi divulgada pelo The New York Times, que apurou que o atacante foi identificado como Mohamed Sabry Soliman, cidadão egípcio que estava no país ilegalmente.
De acordo com o FBI, o suspeito planejava o ataque há um ano e agiu sozinho. Ele teria gritado “Free Palestine” antes de lançar dois dispositivos incendiários contra manifestantes que participavam do evento conhecido como Run for Their Lives, realizado semanalmente em várias cidades ao redor do mundo. A marcha visa chamar atenção para os civis israelenses sequestrados durante os ataques de 7 de outubro de 2023 em Israel.
Oito pessoas entre 52 e 88 anos — quatro homens e quatro mulheres — sofreram queimaduras e outros ferimentos. Segundo autoridades locais, duas vítimas em estado grave precisaram ser transferidas de helicóptero para um centro especializado em queimaduras em Denver. Não há registro de mortes até o momento.
Mohamed Soliman, 45, foi preso logo após o ataque, após ser identificado por testemunhas. Um vídeo verificado pela agência Storyful mostra o suspeito, sem camisa e segurando duas garrafas, gritando enquanto trechos de grama queimavam em frente ao tribunal da cidade. Em meio ao pânico, transeuntes tentaram ajudar os feridos e apagar as chamas com roupas improvisadas.
Durante o interrogatório, Soliman disse aos investigadores que queria “matar todos os sionistas” e que “desejava que todos estivessem mortos”, segundo trecho do depoimento incluído no relatório do FBI. Ele também afirmou que sua motivação era impedir o grupo de “tomar nossa terra”, referindo-se à Palestina.
As autoridades encontraram com ele um galão de gasolina, pelo menos 14 coquetéis Molotov prontos para uso — feitos de garrafas de vinho e potes mason — e um pulverizador de veneno adaptado para espalhar combustível.
O Departamento de Segurança Interna dos EUA confirmou que Soliman entrou no país legalmente em agosto de 2022 com visto de turista, mas extrapolou o período permitido, que expirou em fevereiro de 2023. Ele até solicitou asilo político em setembro daquele mesmo ano. Atualmente, vive em Colorado Springs com a esposa e cinco filhos.
Embora as acusações iniciais incluíssem duas contagens de homicídio em primeiro grau, as autoridades locais ainda não esclareceram os motivos dessas acusações, já que não houve mortes registradas. Soliman permanece detido na Cadeia do Condado de Boulder, com fiança fixada em US$ 10 milhões.
A resposta institucional veio em tom duro. O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu declarou que o ataque foi perpetrado “a sangue frio” e exigiu que o atacante seja julgado “na extensão máxima da lei”. Ele disse que o incidente “foi um ataque antissemita contra pessoas pacíficas que demonstravam solidariedade com os reféns do Hamas, simplesmente porque eram judeus”.
O prefeito de Boulder, Aaron Brockett, também condenou o ataque: “Esses membros da comunidade judaica marchavam pela paz e pela libertação dos reféns, e foram brutalmente atacados. É repugnante e nojento.”
Não há evidências até o momento de que Soliman estava ligado a grupos extremistas ou organizações políticas, conforme indicado por Mark D. Michalek, agente especial responsável pelo escritório do FBI em Denver.
Fonte: www.brasil247.com



