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Pesquisador Indígena Brasileiro Mapeia 150 Plantas Medicinais de Seu Território – The Brasilians

O objetivo inicial era identificar tratamentos para as três doenças mais comuns entre o povo Pataxó Hã-Hã-Hãe da terra indígena Caramuru/Paraguassu, no sul da Bahia: infecções parasitárias, diabetes e hipertensão.

Assim começou a pesquisa do etnobotânico Hemerson Dantas dos Santos Pataxó Hãhãhãe. Como o nome sugere, ele pertence a esse grupo étnico e atualmente é aluno de doutorado no Instituto de Ciências Ambientais, Químicas e Farmacêuticas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Mais tarde, no âmbito formal da pesquisa acadêmica, Santos expandiu seu estudo e catalogou 175 plantas medicinais usadas por seu povo. Seu objetivo era recuperar o conhecimento ancestral sobre seu uso – conhecimento que havia sido gradualmente perdido ao longo do tempo.

Entre as várias descobertas feitas durante sua pesquisa, ele verificou que muitas das plantas medicinais usadas são, curiosamente, espécies exóticas introduzidas posteriormente no território.

Para o pesquisador, isso demonstra a fragmentação e o deslocamento forçado da população original, além da devastação ambiental, grilagem de terras e o estabelecimento de grandes fazendas.

“Grande parte da cobertura florestal foi agora perdida e transformada em pastagem. Como resultado, muitas das plantas mencionadas pelos anciãos da aldeia foram muito difíceis de localizar, e algumas até desapareceram”, disse Santos, comentando as principais dificuldades que enfrentou durante sua pesquisa.

Em relação aos resultados do estudo, o pesquisador identificou 43 plantas usadas para tratar três doenças: diabetes, vermes parasitas e hipertensão. Para vermes parasitas, a planta mais comumente usada é o mastruz. Para combater o diabetes, o povo indígena usa a moringa, e para hipertensão, usa o capim-limão.

Além disso, a investigação verificou que 79 por cento das 175 plantas pesquisadas têm usos consistentes com a literatura científica recente.

Eliana Rodrigues, orientadora de pesquisa do aluno de doutorado, enfatizou que o trabalho vai além de simplesmente registrar o conhecimento de seu povo: “Também se trata de resgatar esse conhecimento.” Segundo ela, grande parte do conhecimento ancestral foi perdido, mas uma porção significativa foi preservada, como demonstrado pelo estudo.

Povo e plantas

“Santos é o primeiro pesquisador etnobotânico do mundo”, disse Rodrigues, referindo-se à relação entre o pesquisador indígena e seu objeto de estudo.

O termo “etnobotânico” refere-se à ciência que descreve a relação entre diferentes povos e suas plantas. “Ele documenta o conhecimento sobre culturas específicas, suas plantas e seus usos para vários fins, como medicina, alimento e construção – tanto civil quanto naval”, explica Rodrigues.

Os resultados da pesquisa de Santos serão publicados em um livro sobre o estudo, outro livro contendo receitas para o uso seguro das plantas e uma apresentação audiovisual. Além disso, um viveiro de plantas foi estabelecido em uma aldeia para uso pela população local.

“Eles já estão cultivando mudas no viveiro para distribuir entre os indígenas que vivem em aldeias próximas, além da própria aldeia dele”, acrescentou a orientadora.

Fonte: Agência Brasil


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