“Vamos criar um grupo de países que não estão diretamente envolvidos na guerra entre a Ucrânia e a Rússia, para que possamos encontrar uma possibilidade de construir a paz”, disse Lula ao propor uma solução diplomática.
Em seguida, ele levou a ideia ao presidente Joe Biden durante sua recente visita a Washington D.C. A sugestão do presidente brasileiro é criar um “clube da paz”, com países neutros no conflito, como Índia e China, que tentarão mediar uma solução para o conflito.
Mas o que os EUA pensam do plano? A Administração Biden não disse não, mas deu indícios de que a abordagem diplomática deve ser uma decisão tomada pela Ucrânia.
A embaixadora dos EUA no Brasil, Elizabeth Frawley Bagley, escreveu e publicou um artigo editorial no jornal brasileiro “Jornal O Globo” em 23 de fevereiro de 2023, explicando a posição dos EUA sobre o assunto.
“24 de fevereiro de 2023 marca um ano desde que a Rússia lançou sua invasão brutal e em grande escala da Ucrânia. O legado da Rússia nesses doze meses é claro: até 15 milhões de ucranianos foram deslocados internamente ou vivem como refugiados fora do país, até 10 mil civis ucranianos foram mortos, incluindo centenas de crianças, e dezenas de milhares mais ficaram feridos. A Rússia separou milhares de crianças ucranianas de seus pais, e saqueou e destruiu patrimônio cultural, infraestrutura, usinas elétricas, cidades e agricultura na Ucrânia, devastando importantes suprimentos de alimentos para a Europa, África e outras partes do mundo. E as consequências da agressão injustificada da Rússia são muito maiores – causando um aumento acentuado na insegurança alimentar entre as pessoas mais vulneráveis do mundo.
12-18 milhões de pessoas a mais em todo o globo enfrentam insegurança alimentar devido a choques recentes nos preços de alimentos, combustíveis e fertilizantes, e incerteza em torno das exportações de grãos para ração, oleaginosas, óleos vegetais e trigo da região do Mar Negro após a invasão brutal da Ucrânia pela Rússia. O Programa Mundial de Alimentos estima que o número de pessoas que experimentam insegurança alimentar aguda esteja em um recorde de 349 milhões, acima dos 287 milhões em 2021, em parte devido à escolha da Rússia de invadir seu vizinho.
É quase impossível analisar esses números e não ficar horrorizado com a disposição de Putin em violar a Carta da ONU e os princípios de soberania e integridade territorial nela consagrados. Os próximos doze meses não podem ser como os últimos. A tentativa forçada da Rússia de subjugar seu vizinho e redesenhar as fronteiras da Ucrânia pela força é uma clara e flagrante violação da ordem internacional baseada em regras que tornou o mundo mais seguro e próspero por décadas. Uma coisa é clara: se a Rússia parar de lutar e se retirar, a guerra acaba. Se a Ucrânia parar de lutar, a Ucrânia acaba.
Hoje também é um momento para aplaudir o espírito dos ucranianos na defesa de seu país, sua democracia e sua liberdade, e para reconhecer a imensa resposta internacional – nos Estados Unidos, na Europa e em todo o mundo – à agressão da Rússia. Estamos inspirados por um compromisso em proteger a liberdade, os valores democráticos, a soberania e a integridade territorial, e a segurança global. Mas também estamos inspirados pela notável coragem e determinação do povo da Ucrânia, e sabemos que sua luta faz parte de algo muito maior. Os ucranianos precisam e merecem nosso apoio coletivo, e também nossos melhores esforços para ajudá-los a alcançar uma paz justa e duradoura. As medidas econômicas impostas pelos Estados Unidos e seus parceiros são especificamente projetadas para promover a responsabilização pelas ações da Rússia, ao mesmo tempo em que mitigam seu impacto em outras economias. Hoje, a Rússia está contando com países como Irã e Coreia do Norte para apoio, enquanto a Ucrânia é apoiada por mais de 120 países em todo o mundo, que coletivamente forneceram mais de 600 bilhões de reais em assistência de segurança, humanitária e econômica.
Os Estados Unidos e todos os amigos da Ucrânia estão contribuindo para uma ampla gama de esforços para defender a democracia e ajudar a manter a independência, soberania e integridade territorial da Ucrânia com base neste princípio: nada sobre a Ucrânia sem a Ucrânia. O Brasil está entre os muitos países que abriram suas portas e acolheram refugiados ucranianos neste momento de necessidade. Damos as boas-vindas a esforços de boa fé de parceiros para ajudar a trazer a justiça e a paz que o povo ucraniano merece, e para ajudar a restaurar a segurança à região e maior estabilidade econômica ao globo. Como disse o presidente Biden, “isso é sobre liberdade. Liberdade para a Ucrânia. Liberdade em todos os lugares.”



