Historicamente, o Brasil tem sido um país de destino, influenciado por sucessivas ondas de imigrantes. Algumas iniciativas iniciais, como o Decreto nº 80 (1824) e programas governamentais que forneciam subsídios para os custos de viagem dos imigrantes, promoveram o crescimento de comunidades de migrantes europeus. A abolição da escravatura em 1888 levou a economia a enfrentar uma escassez de mão de obra, particularmente sentida nas plantações de café. A resposta legal foi o Decreto nº 528 (1890), que regulou a entrada de imigrantes no Brasil, favorecendo europeus. Os principais países de origem do Brasil no final do século XIX foram Portugal, Itália, Espanha e Alemanha.
Nos primeiros anos do século XX, a imigração continuou intensa, e a migração japonesa começou. No entanto, a crise econômica de 1929 foi fortemente sentida, particularmente na indústria cafeeira brasileira, e o desemprego consequente levou à introdução de restrições mais rígidas à imigração. O Decreto nº 19.482 (1930) suspendeu toda a imigração por um ano e a Lei de Cotas, estabelecida na Constituição de 1934 e reforçada em 1937, limitou a imigração anual de qualquer país individual a 2% do nível médio dos 50 anos anteriores. O período que se estendeu do final da Segunda Guerra Mundial ao final dos anos 1970 viu um crescimento econômico significativo. As políticas de imigração tornaram-se novamente mais flexíveis, mas ainda privilegiavam europeus. Ao mesmo tempo, sob o governo de Getúlio Vargas (1930-45 e 1951-54), os migrantes foram incentivados a assimilar-se à cultura brasileira com o objetivo de construir uma única identidade brasileira.
Na atualidade, o Brasil é um destino atraente para latino-americanos de diversos perfis socioeconômicos e educacionais, particularmente
após a criação do Mercosul em 1991. A imigração no Brasil é atualmente regulada pela Lei nº 6.815 (1980) e pelo Decreto nº 86.715 (1981), que estabelecem o Conselho Nacional de Imigração como o órgão responsável pela implementação da política migratória e emissão de vistos e permissões de trabalho. Medidas mais recentes priorizaram permissões de entrada para aqueles que frequentaram pelo menos o ensino médio.
As últimas três décadas viram o Brasil passar de um país de destino para um de origem. As crises econômicas nas décadas de 1980 e 1990 foram fatores nisso. O censo mais recente contou mais de 670.000 brasileiros vivendo no exterior, mas dados oficiais do Ministério das Relações Exteriores estimam o total em mais de 2 milhões em 2008. Seus principais destinos são Estados Unidos, Japão e Paraguai, e em menor grau os países da União Europeia.
Estoque de brasileiros nos EUA
Os Estados Unidos estão entre os destinos favoritos do Brasil, abrigando entre 800.000 e 1,3 milhão de imigrantes, segundo dados do Ministério das Relações Exteriores. Eles estão principalmente na Costa Leste do país, têm alto nível de escolaridade em comparação com outras comunidades de imigrantes e participam ativamente da economia dos EUA, apresentando baixa taxa de desemprego.
Esses dados resultam de anos de pesquisa dos brasileiros Álvaro Lima e Allani Barbosa de Castro, culminando no livro recentemente lançado “Brazilians in the United States – Half a Century (re) Making America (1960 – 2010)”, publicado pela Fundação Alexandre de Gusmão e disponível para download gratuito em: http://funag.gov.br/index.php/en/ (em português).
No livro, Lima e Allani analisam a evolução da comunidade brasileira nos Estados Unidos desde a década de 1960, mostrando por meio de gráficos e estatísticas as mudanças no perfil do imigrante brasileiro, suas conquistas e os desafios atuais.
Os autores destacam várias descobertas interessantes, entre elas:
• 67% dos brasileiros imigraram em busca de uma vida melhor ou um novo começo
• 37% dos brasileiros nos Estados Unidos são naturalizados
• O nível de desemprego dos imigrantes brasileiros é inferior ao de outros imigrantes e nativos
• 44% dos proprietários brasileiros e 50% dos inquilinos têm custo de moradia que excede 30% de sua renda
• 41% dos imigrantes brasileiros nos Estados Unidos são proprietários de suas casas
• Os imigrantes brasileiros nos Estados Unidos enviaram US$ 2,9 bilhões ao Brasil em 2015
• 36% dos empreendedores imigrantes brasileiros residem na Flórida
A pesquisa mostra que os brasileiros nos EUA fazem parte de uma classe média que ganhou poder social e econômico e agora busca integração política. Esses imigrantes estão aqui para ficar, construir famílias, negócios e comunidades inteiras.
Fonte: Com a OCDE



