O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, defendeu laços de cooperação mais profundos com os EUA, argumentando que isso poderia trazer oportunidades ao Brasil em várias áreas, incluindo economia e comércio. A declaração foi feita em 27 de março, durante uma audiência pública com a Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados.
Araújo criticou administrações anteriores em suas relações com os EUA e destacou o apoio demonstrado pelo presidente Donald Trump aos brasileiros nos esforços do país para ingressar na Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
“A relação com os EUA pode ser a parceria mais negligenciada nos últimos anos no Brasil, pois muitas vezes se pensava que os EUA resultariam em laços ruins em várias áreas. Nosso objetivo é recuperar o tempo perdido”, disse ele.
Ingressar na OCDE, disse o chanceler, representaria um selo de qualidade para
bens brasileiros e facilitaria negociações comerciais e econômicas no Brasil. O primeiro passo para forjar laços sólidos com os EUA ocorrerá nos próximos dias, com a chegada de uma missão técnica dos EUA ao país para inspecionar carne brasileira.
Salvaguardas
O chanceler reiterou a importância do Acordo de Salvaguardas Tecnológicas, assinado pelos governos do Brasil e dos EUA durante a visita do presidente Jair Bolsonaro a Washington. O pacto regula o uso comercial da base de lançamento de Alcântara, no estado brasileiro do Maranhão, e ainda precisa ser ratificado pelo Congresso Nacional para entrar em vigor.
O mercado de satélites movimenta cerca de US$ 200 bilhões por ano, apontou Araújo. “É um acordo que não prejudica em nada a soberania brasileira.”
Agronegócio e China
Durante a audiência, o ministro das Relações Exteriores mencionou que a agenda do Brasil com a China será reforçada entre maio e junho, quando uma comissão bilateral, com membros de ambos os países, está programada para se reunir a fim de negociar interesses comuns.
Araújo continuou dizendo que há grandes preocupações com estados de fronteira, como Roraima e Acre, sobre como criar as condições necessárias para impulsionar o comércio. Ele também falou sobre negociações recentes para a construção de estradas e pontes nessas regiões.



