Mais de 1.045 pessoas morreram no Irã em razão de ataques realizados pelos Estados Unidos e Israel desde o início da escalada militar no país. O número foi divulgado pela agência semioficial iraniana Tasnim, enquanto o conflito entrava em seu quinto dia na quarta-feira (4), com bombardeios em várias cidades iranianas e retaliações lançadas por Teerã, segundo a Al Jazeera.
Explosões foram registradas em diversos pontos da capital, Teerã, de acordo com relatos da mídia iraniana e imagens exibidas pela televisão estatal, que mostraram os escombros de um prédio atingido no centro da cidade. Além da capital, os ataques também alcançaram a cidade santa de Qom e outras áreas urbanas do país.
A ofensiva militar continua a se expandir. O jornalista da Al Jazeera Mohamed Vall relatou que Israel classificou as operações mais recentes como “a décima onda de ataques contra o Irã”. Segundo ele, além de Teerã, outras cidades também foram alvos. “Teerã tem sido o centro disso, mas também Caraj e Isfahan, tanto a leste quanto a oeste da capital”, afirmou. Vall acrescentou que cinco pessoas morreram em um dos bombardeios e que há relatos de escolas atingidas.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou que danos visíveis foram identificados em dois prédios próximos ao complexo nuclear de Isfahan. Apesar disso, a agência enfatizou que não houve impacto em instalações que armazenam material nuclear e não há risco imediato de liberação radiológica.
A Rússia também expressou preocupação com a escalada militar. O Ministério das Relações Exteriores do país alertou que a usina nuclear de Bushehr pode estar em risco devido a bombardeios realizados pelos Estados Unidos e Israel. Segundo Moscou, explosões foram ouvidas a poucos quilômetros do perímetro da instalação nuclear.
Enquanto o território iraniano enfrenta ataques aéreos contínuos, Israel também está em alerta máximo devido à resposta militar de Teerã. Sirenes soaram em várias cidades após o lançamento de mísseis iranianos, levando os moradores a buscar abrigo enquanto sistemas de defesa tentavam interceptar os projéteis.
Alertas de abrigo foram emitidos para Jerusalém, Tel Aviv e outras regiões. O serviço de emergência israelense Magen David Adom informou que não há vítimas até o momento desses ataques.
A jornalista da Al Jazeera Nida Ibrahim relatou ter ouvido explosões na região de Ramallah, na Cisjordânia. “De onde estamos agora em Ramallah, ouvimos explosões muito altas, e elas podem ser resultado de interceptações”, disse ela.
Segundo ela, a ofensiva iraniana parece ter sido ampla, o que pode dificultar os sistemas de defesa aérea israelenses. Ibrahim também citou relatos da mídia local sobre estilhaços atingindo a área de Beit Shemesh. “Segundo a mídia israelense, houve estilhaços de interceptações que caíram na área de Beit Shemesh, a cidade a oeste de Jerusalém, onde estilhaços, ou um míssil, caíram há dois dias e mataram nove israelenses”, afirmou ela.
O Exército israelense também informou que um lançamento anterior de mísseis iranianos havia sido detectado horas antes.
Teerã prossegue com ataques retaliatórios com mísseis e drones contra Israel e também em áreas do Golfo. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o confronto pode durar até um mês.
Novas explosões foram registradas em Teerã na quarta-feira. O Exército israelense anunciou que realizou uma série de bombardeios na capital iraniana, visando estruturas ligadas às forças de segurança do país.
De acordo com o Exército israelense, os ataques miraram prédios associados à milícia Basij, uma força voluntária ligada ao Corpo de Guardas da Revolução Islâmica Iraniana (IRGC), bem como instalações relacionadas ao comando de segurança interna.
O repórter Tohid Asadi, que monitora a situação na capital iraniana, afirmou que explosões intensas foram ouvidas na cidade e em outras partes do país. “Também recebemos relatos de explosões em diferentes cidades, incluindo Caraj e Isfahan”, disse ele.
Segundo ele, a Guarda Revolucionária anunciou a entrada de forças terrestres nas operações militares. “Eles disseram que forças terrestres entraram em operações no campo de batalha onde 230 drones foram mobilizados”, afirmou.
Asadi acrescentou que as autoridades iranianas também mencionaram uma ação naval contra navios militares dos EUA. “Eles também falaram sobre uma operação naval visando navios militares dos EUA”, disse ele.
O jornalista relatou não haver sinais de redução da tensão. “Em Teerã, não vejo sinal de desescalada, e a escalada é o nome do jogo”, afirmou.
No plano diplomático, as perspectivas de cessar-fogo permanecem distantes. O chanceler iraniano Abbas Araghchi criticou duramente o presidente dos EUA, Donald Trump, acusando-o de abandonar a diplomacia.
“Ele traiu a diplomacia e os americanos que o elegeram”, declarou Araghchi em uma postagem na rede social X.
O chanceler iraniano também criticou o tratamento das negociações nucleares. “Quando negociações nucleares complexas são tratadas como um negócio imobiliário, e grandes mentiras ofuscam a realidade, expectativas irreais nunca podem ser atendidas”, disse ele.
Araghchi concluiu culpando a postura de Washington pela escalada militar. “O resultado? Bombardear a mesa de negociações por despeito”.
Source: brasil247.com


