17 de abril de 2026 Um Jornal Bilíngue

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Tupiniquim Americano – The Brasilians

Alguns dos que leem a versão em inglês podem não estar familiarizados com o termo português Tupiniquim, uma expressão carinhosa que os brasileiros usam para se referir a si mesmos de maneira um tanto autodepreciativa. Tecnicamente, um tupiniquim refere-se a um membro da tribo indígena Tupi, mas no dia a dia, os brasileiros usam o termo para se referir a si mesmos em geral, independentemente de terem raízes indígenas nativas. Sinto que eu também sou um pouco tupiniquim – americano com certeza, mas ainda muito brasileiro no meu jeito de pensar, agir e ser.

Meu primeiro contato com o Brasil foi no início dos meus 20 anos, quando pisei no asfalto quente do aeroporto Guararapes, em Recife, pronto para começar um estágio no Banco Mundial. Desde então, voltei ao país quase todos os anos nos últimos 25 anos ou mais. Às vezes por diversão, outras para fincar raízes. Fiz mestrado em economia na Universidade Estadual de São Paulo, em Campinas, ou UNICAMP, como é conhecida. Mais tarde, voltei ao Brasil para o ABN AMRO Bank para ajudar na aquisição do famoso Banco Real. Foi durante esse tempo em São Paulo que conheci minha primeira esposa, e por causa dela, sou o pai orgulhoso de Isabella, uma bela brasileira-americana de 15 anos que mora aqui nos EUA.

Em 2009, após passar quase uma década em Nova York, mudei minha família de volta ao Brasil – desta vez para o Rio de Janeiro – para poder ficar mais perto deles enquanto começava um novo capítulo na minha vida do outro lado do Atlântico, em Luanda. No total, morei quase 8 anos no Brasil.

Não consigo nem começar a contar o número de voos que fiz entrando e saindo do Brasil. Ainda mais difícil é lembrar quantas vezes passei almoços de domingo à tarde sentado com amigos em uma churrascaria, entornando caipirinhas e pedindo aos garçons outra rodada de picanha com alho bem crocante. Mas ainda mais difícil de somar é o número de amigos e relacionamentos que colecionei ao longo dos anos – tantos que nem vou tentar citar todos eles por medo de que falhar em mencionar apenas um leve a sérias recriminações.

Adoro uma boa piada brasileira ousada, contada com as expressões coloridas de um mineiro. Sonho com o ar salgado de Ipanema e uma tigela de açaí de verdade com granola – não o tipo fajuto que vendem nas academias agora nos EUA. Muitas vezes sinto falta da simplicidade da vida brasileira, onde a maioria das pessoas tem um jeito de viver que supera a vida fanática de trabalho em primeiro lugar que os americanos se convencem de que precisam para se validar. Quando estou no Brasil, quase me torno um brasileiro; dizem que meu sotaque em português é quase imperceptível. Tenho orgulho de ser um tupiniquim americano. E é desse ponto de vista que escreverei minhas colunas futuras. Espero que vocês gostem delas.

Nota do editor: Arick Wierson é amigo do jornal The Brasilians e de seu proprietário e fundador, João de Matos, desde o início dos anos 2000, quando Arick desempenhou um papel chave na promoção do Brazil Day e sua parceria com a Cidade de Nova York. Na época, Arick era um consultor sênior chave do prefeito Michael Bloomberg e frequentemente era chamado para ser seu embaixador junto à comunidade brasileira, dada sua profunda familiaridade com a cultura e o país. Ele fala português fluente e passou muitos anos estudando e trabalhando no Brasil. Nos anos seguintes, as viagens de Arick o levaram pelo mundo todo, trabalhando em mídia, política e tecnologia. Hoje ele escreve uma coluna regular para a CNN, além de The Observer, Vice e Worth Magazine. A coluna mensal de Arick para The Brasilians refletirá essa riqueza de experiência enquanto ele reflete sobre questões de particular importância que estão na encruzilhada de tudo o que envolve EUA e Brasil. Você pode segui-lo no Twitter em @ArickWierson.


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