O Museu Nacional do Brasil (Museu Nacional), localizado no bairro do parque Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, é um museu centenário e
centro de pesquisa. Abrigava uma das maiores exposições das Américas, incluindo uma coleção de animais, insetos, minerais preciosos, uma vasta coleção de utensílios indígenas, múmias egípcias, meteoritos, fósseis, artefatos arqueológicos sul-americanos locais, além de inúmeras outras descobertas importantes.
História
O Museu Nacional foi criado há 200 anos, em 1818, por Dom João VI, rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. O então príncipe regente e a família real portuguesa haviam se mudado para o Brasil em 1808 para escapar da invasão de Napoleão Bonaparte.
O prédio que abrigava o museu era o Paço de São Cristóvão. Construído no início do século XIX, tornou-se a residência de Dom João VI e, mais tarde,
de seu filho Dom Pedro I, que em 1822 foi coroado o primeiro imperador do Brasil independente. Após a independência, o museu foi renomeado Museu Real e Nacional. O palácio continuou sendo a residência de Dom Pedro II e da família imperial durante todo o século XIX.
O Museu Nacional foi estabelecido por uma iniciativa real para fomentar a pesquisa científica no Brasil, que até então era uma vasta colônia relativamente inexplorada pelas disciplinas científicas, tornando o Museu Nacional a mais antiga instituição científica do país e o maior museu de história natural e
antropologia de toda a América Latina. Como inicialmente abrigava principalmente espécimes de plantas e animais com muitos tipos diferentes de aves, o antigo prédio onde o Museu Nacional ficava localizado no Rio Centro era amplamente referido como a “Casa dos Pássaros”.
O Museu Nacional também abrigava uma das maiores bibliotecas de pesquisa científica do Rio de Janeiro e oferecia uma variedade de cursos de pós-graduação em disciplinas que iam desde antropologia, sociologia, botânica, geologia, zoologia e paleontologia.
O que foi Perdido

Quase 90 por cento dos 20 milhões de itens abrigados no Museu Nacional do Brasil foram destruídos pelo incêndio.
As coleções do Museu Nacional apresentavam artefatos raros de todo o mundo. Sua coleção egípcia, composta por 700 artefatos, tornou-se a maior da América Latina. Também contava com uma rica coleção de artefatos indígenas brasileiros.

O museu também abrigava itens pertencentes à família real brasileira, deixados para trás em 1889, quando um golpe militar republicano pôs fim à monarquia no país e exilou a família na França. A rica coleção real incluía o sarcófago de Sha-Amun-em-su (mumificado há cerca de 2.708 anos), que foi trazido pelo imperador Dom Pedro II ao Brasil em sua terceira viagem ao Egito, em
1876.
O que Foi Recuperado
Autoridades brasileiras disseram que recuperaram peças de um fóssil de 12 mil anos de uma mulher neolítica que estava entre os artefatos preciosos do Museu Nacional do Rio de Janeiro.
O fóssil, apelidado de “Luzia”, foi descoberto em 1970 no estado de Minas Gerais, sudeste do país, por uma expedição liderada por franceses.
Uma equipe da Universidade de Manchester posteriormente fez uma reconstrução facial digital com base no crânio, que foi usada para modelar uma escultura da antiga mulher.
O meteorito Bendegó da coleção de meteoritos do museu, que é o maior meteorito de ferro já encontrado no Brasil, saiu ileso. De acordo com a National Geographic Society, ser uma “grande rocha metálica” é o que o salvou
de danos, pois essas qualidades o tornam resistente ao fogo.
Bombeiros também recuperaram vários retratos do andar superior do museu, que haviam sido queimados, danificados por fumaça e água, mas não destruídos.
Uma porção da coleção do museu, especificamente o herbário e espécies de peixes e répteis, estava abrigada em outro local e não foi afetada. Havia também uma grande biblioteca científica dentro do museu, contendo milhares de obras raras, que não foi danificada.
Esforços de Salvamento
Há um plano, que deve custar R$ 10 milhões, oferecido pelo Governo Brasileiro como orçamento de emergência, para reconstruir as ruínas do prédio. A UNESCO diz que a reconstrução levaria 10 anos para ficar pronta. O museu ainda está vivo promovendo alguns festivais chamados Museu Nacional Vive ou Museu Vive para o público em tendas montadas em frente às melhorias em construção na sede queimada, com exposição de fósseis, cobras vivas e animais empalhados como pterossauros e tatu, entre outros. O museu faria uma exposição permanente ao ar livre. Alguns especialistas dizem que seriam necessários R$ 100 milhões para reconstruir as dependências principais.
A causa do incêndio está sob investigação da Polícia Federal.



