17 de abril de 2026 Um Jornal Bilíngue

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O Sucesso da Designer Tati Vitsic em Nova York – The Brasilians

Os giz de cera e lápis de cor da sua infância traçaram a jornada bem-sucedida de Tati como uma renomada designer gráfica internacional. Com uma lista de clientes que inclui grandes marcas como GAP, Lucky Brand, Reebok e Macys, ela precisou de muito mais do que sorte para ter sucesso na sua área. Preparação acadêmica, habilidades empreendedoras e talento são todos ingredientes importantes para alcançar o sucesso. Não surpreendentemente, sua marca, produtos e linha de papelaria “Pommy New York” lhe renderam prêmios como o “Outstanding Achievement Award” (Interactive Media Awards).

The Brasilians: Tati, você se interessou por design durante a infância, participando de muitas exposições de arte aos 13 anos. Conte-nos o que despertou seu interesse pelas artes?

Tati Vitsic: Desenhar sempre foi algo natural para mim desde a infância, e comecei a fazer aulas de desenho para adultos quando tinha apenas 10 anos, no Art Studio do “Tijuca Tennis Club”. Minha mãe é artista e meu pai é engenheiro, então acredito que herdei a veia artística deles. Aos 13 anos, eu já participava de Salões de Arte para adultos, como o prestigiado Salão do “Naval Art Club” no Rio de Janeiro.

TB: Houve algum momento na sua infância que despertou seu interesse pela arte?

TV: Desde pequena, participei de muitos concursos de desenho infantil e ganhei alguns prêmios, como um bolo de chocolate em uma loja de congelados. Isso certamente foi um incentivo para eu continuar perseguindo o sonho de me tornar artista.

TB: Conte-nos sobre sua trajetória como designer no Brasil:

TV: Quando ainda estava na escola, eu criava adesivos para vender, capas de calendário, cenários e fantasias para peças de teatro, camisetas, etc. Profissionalmente, comecei a trabalhar como designer gráfica quando estava na faculdade, estudando Comunicação Visual na PUC. Trabalhei como designer gráfica e web para instituições culturais e sem fins lucrativos e empresas corporativas, como Petrobras e Globosat. Depois, tive meu próprio negócio de papelaria no Rio, especializado em cartões e convites personalizados. Além disso, sempre tento incorporar minhas ilustrações no meu trabalho de design gráfico.

TB: O que a trouxe para os Estados Unidos?

TV: Eu vim pela primeira vez para NYC em 1996, para fazer alguns cursos na School of Visual Arts, em Computer Art, Illustration e Graphic Design. Depois vim aqui algumas vezes como turista, mas sempre quis ficar mais tempo! Até que um dia, em 2006, finalmente encontrei uma empresa para patrocinar meu visto H1B como web designer. Desde então, tenho ido e voltado algumas vezes, devido a problemas com visto.

TB: Conte-nos sobre o trabalho que você desenvolve aqui nos EUA:

TV: Por alguns anos, trabalhei na agência de internet Cake & Arrow, onde participei de designs web para marcas como: Citibank, Metlife, Kaplan, Ivanka Trump Collection, entre outras, e recebi alguns prêmios renomados na área. Depois de mais de 10 anos trabalhando como web designer, decidi mudar de carreira e voltar para a faculdade. Em 2014, me formei no Fashion Institute of Technology em Textile/Surface Design. Desde então, tenho trabalhado nas indústrias de Moda e Produtos para o Lar, e trabalhei para: Roxy, Reebok, Macy’s, Lucky Brand, Burlington, Forever 21, Walmart, etc.

Além disso, também trabalho como designer gráfica e ilustradora freelancer, criando: logos, identidade visual para marcas, papelaria, pôsteres, cartões, banners, etc. Uma das minhas ilustrações para a campanha #Vaccinated no Amplifier.org acabou de ser selecionada e premiada em um desafio de design de pôster para promover a vacinação contra a Covid-19.

Também desenvolvo trabalho como artista visual, e participei de algumas exposições no FIT Museum, Brooklyn Art Library, Figment NYC e LIC Arts Open.

TB: Conte-nos sobre sua empresa Pommy New York:

TV: Assim que me formei no FIT, lancei minha marca de design têxtil/surface e ilustração Pommy New York (www.pommynewyork.com), que tem um estilo colorido, divertido, caprichoso e jovem. Meus estampados podem ser vistos em produtos como: roupas, bolsas, lenços, almofadas, toalhas, cadernos, entre outros, e foram vendidos para Gap/Old Navy, Walmart, Kohls, Rainbow Shops, Joann Fabrics, Uniform Advantage, etc.

TB: Quais dificuldades você enfrentou como artista brasileira vivendo nos Estados Unidos?

TV: A parte mais difícil é, sem dúvida, os problemas com visto. Está cada vez mais difícil conseguir um visto para trabalhar aqui legalmente. Mesmo com permissão de trabalho, ainda é complicado entrar no mercado em NYC sem ter contatos, porque a concorrência é realmente alta. Sem mencionar que algumas empresas exigem green card para fazer parte do processo de seleção de emprego.

TB: Quais artistas influenciaram seu trabalho?

TV: Quando era criança, o ilustrador brasileiro que mais me influenciou foi Daniel Azulay, e internacionalmente, Walt Disney foi minha inspiração. Como minha mãe é artista, tive contato com livros de arte desde cedo, e admirava Van Gogh, Renoir, Degas, Matisse, Picasso. Na universidade PUC, fui muito influenciada pelo incrível ilustrador Amador Perez e pelo ilustrador de livros infantis Guto Lins. Na SVA, tive a oportunidade incrível de estudar com o renomado designer Milton Glaser, criador do slogan “I ❤️ NY”.

TB: Onde você encontra inspiração?

TV: Estou apaixonada por NYC desde 1996, e essa cidade é uma fonte viva de inspiração, pela diversidade de pessoas e culturas de todo o mundo. Gosto de me inspirar em livros, artistas, revistas, sites, fotografia, filmes, ruas, etc. Mas também me inspiro em outros aspectos da vida, da natureza e de viagens, mantendo olhos e mente atentos. Uma simples caminhada no parque, à beira do rio, pode ser tão relaxante que abre minha mente para novas ideias. Na verdade, a inspiração pode vir de qualquer coisa, desde que olhemos para a vida com sensibilidade e atenção aos detalhes. O desafio consiste em transformar o que vemos em arte.

TB: Por favor, dê um conselho para aqueles que planejam iniciar uma carreira como Graphic Designer.

TV: A carreira de design gráfico é muito ampla e permite que o designer trabalhe em diferentes indústrias, então há inúmeras possibilidades para experimentar. Tente fazer o que gosta, e aproveite o processo desde o que aprende na faculdade até a vida profissional. Se isso é o seu dom, se você ama o que faz, vá em frente, estude, seja muito dedicado e lute pelos seus sonhos! A vida de artista não é fácil, mas é muito mais difícil não ser artista.

ILANA LIPSZTEIN
Jornalista & Empreendedora
Instagram: @ilana_wip
ilevents2@aol.com


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