A Eurasia Group, principal empresa mundial de pesquisa e consultoria em riscos políticos globais, publicou seus “Top Risks”, a altamente aguardada revisão anual da empresa sobre as dez maiores ameaças às trajetórias de nações, indústrias e instituições. Revelado todo janeiro, Top Risks ajuda investidores, empresas e membros do público a se prepararem e responderem a oportunidades e desafios onde quer que invistam ou façam negócios. O relatório é coescrito pelo presidente e fundador da Eurasia Group, Ian Bremmer, e pelo presidente do conselho, Cliff Kupchan.
Você pode ver o relatório completo aqui: www.eurasiagroup.net/issues/top-risks-2023.
1- Rogue Russia: Uma Rússia acuada se transformará de jogadora global no estado pária mais perigoso do mundo, representando um perigo sério e generalizado para a Europa, os EUA e além. Enredada na Ucrânia, com pouco a perder com maior isolamento e retaliação ocidental, e enfrentando intensa pressão doméstica para demonstrar força, a Rússia recorrerá à guerra assimétrica contra o Ocidente para causar danos, em vez de empregar agressão aberta que depende do poder militar e econômico que a Rússia não possui mais.
Em resumo, Rogue Russia é uma ameaça à segurança global, aos sistemas políticos ocidentais, à cibernética e à segurança alimentar. Sem mencionar todo civil ucraniano.
2- Maximum Xi: Xi Jinping agora tem um comando do sistema político chinês sem rival desde Mao, com (muito) poucos limites à sua capacidade de avançar sua agenda de políticas estatistas e nacionalistas. Mas, sem vozes dissidentes para desafiar suas visões, a capacidade de Xi de cometer grandes erros de longo prazo também é sem rival. Isso representa um enorme desafio global, dado o papel desproporcional da China na economia mundial.
3- Weapons of Mass Disruption: Avanços recentes representam uma mudança radical no potencial da inteligência artificial (IA) para manipular pessoas e perturbar a sociedade, e 2023 será um ponto de inflexão para essa tendência. Uma nova forma da tecnologia, conhecida como IA generativa, permitirá que usuários criem imagens, vídeos e textos realistas com apenas algumas frases de orientação. Modelos de linguagem de grande escala passarão no teste de Turing — um Rubicão para a capacidade das máquinas de imitar a inteligência humana. Avanços em deepfakes, reconhecimento facial e software de síntese de voz tornarão o controle sobre a própria imagem uma relíquia do passado.
4- Inflation Shockwaves: O choque inflacionário global que começou nos Estados Unidos em 2021 e se instalou no mundo todo em 2022 terá poderosos efeitos econômicos e políticos em 2023. Ele será o principal motor da recessão global, aumentará a volatilidade do mercado e o estresse financeiro, e produzirá efeitos disruptivos na política em todas as regiões do mundo.
5- Iran in a Corner: Protestos antigoverno em nível nacional continuam. Ao mesmo tempo, Teerã escalou seu programa nuclear de forma dramática, praticamente encerrando qualquer chance de reviver o acordo nuclear. E agora o Irã está fornecendo armas mortais ao exército de Vladimir Putin. À medida que o Irã enfrenta convulsões em casa e reage no exterior, este ano trará novos confrontos entre a República Islâmica e o Ocidente.
6- Energy Crunch: Uma combinação de geopolítica, economia e fatores de produção criará condições muito mais apertadas no mercado de energia, particularmente na segunda metade de 2023, elevando custos para lares e empresas, aumentando o ônus fiscal para governos importadores e ampliando o racha entre OPEC+ e grandes consumidores.
7- Arrested Global Development: Nas últimas duas gerações, o PIB global triplicou, quase todos os países ficaram mais ricos e mais de um bilhão de pessoas escaparam da pobreza extrema para se juntar às fileiras da primeira classe média global da história. Esse progresso foi revertido por choques interligados: a pandemia de Covid-19, a guerra Rússia-Ucrânia e o surto de inflação global. Em 2023, bilhões de pessoas ficarão mais vulneráveis à medida que ganhos econômicos, de segurança e políticos são perdidos. A classe média global encolherá, e maior instabilidade política, dentro e entre países, seguirá.
8- Divided States of America: As eleições de meio de mandato de 2022 interromperam o deslize para uma crise constitucional na próxima eleição presidencial dos EUA, pois os eleitores rejeitaram virtualmente todos os candidatos a governador estadual ou procurador-geral estadual que negaram ou questionaram a legitimidade da eleição presidencial de 2020. Mas os EUA permanecem uma das democracias industriais avançadas mais polarizadas e disfuncionais do mundo ao entrar em 2023. Divergências extremas de políticas entre estados vermelhos e azuis tornarão mais difícil para empresas americanas e estrangeiras tratarem os Estados Unidos como um mercado único coerente, apesar das óbvias forças econômicas. E o risco de violência política permanece alto.
9- Tik Tok Boom: Nascidos entre meados dos anos 1990 e início dos anos 2010, os membros da Geração Z são os primeiros sem experiência de vida sem internet. Dispositivos digitais e mídias sociais os conectaram através de fronteiras, criando a primeira geração verdadeiramente global. E isso os torna um novo ator político e geopolítico, especialmente nos Estados Unidos e na Europa. A Geração Z tem tanto a capacidade quanto a motivação para se organizar online e remodelar políticas corporativas e públicas, dificultando a vida para empresas em todos os lugares e perturbando a política com o clique de um botão.
10- Water Stress: Este ano, o estresse hídrico se tornará um desafio global e sistêmico… enquanto os governos ainda o tratarão como uma crise temporária. O estresse hídrico exige uma transição da crise hídrica para o gerenciamento de riscos hídricos. Essa mudança não se materializará em 2023, deixando investidores, seguradoras e empresas privadas para descobrirem sozinhas como lidar com esse desafio.



