6 de junho de 2026Um Jornal Bilíngue
New York, New York, US
24C
pten

Exposição em Nova York chama atenção para ameaças ao povo Yanomami

Ameaças ao povo Yanomami ganham atenção ao redor do mundo. Com a exposição no The Shed, em Nova York, o patrimônio cultural de um povo ultrapassa fronteiras.

Um grupo étnico com uma rica cultura e longa história, os Yanomami tornaram-se notícia mundial por causa de uma tragédia humanitária: fome e a destruição de seu território, que se estende por dois estados brasileiros e penetra na Venezuela, e a invasão por milhares de garimpeiros.

Ao mesmo tempo em que as imagens dramáticas dos efeitos mortais da desnutrição circulam na imprensa e nas redes sociais, porém, a beleza da cultura Yanomami também se torna notícia e motivo de celebração graças a uma exposição em um importante museu em Nova York.

As imagens resultam de um encontro entre uma fotógrafa suíça e povos indígenas da Amazônia. Cláudia Andujar visitou as aldeias Yanomami pela primeira vez em 1970 e viu sua própria história refletida naquele povo. “Todos os meus parentes, exceto minha mãe, morreram em um campo de concentração”, diz a fotógrafa.

A família judia foi vítima do holocausto na Segunda Guerra Mundial. Os Yanomami se tornaram uma missão: “Um povo que eu quero que continue a viver e não ‘morra’ como toda a minha família morreu por causa do nazismo”, diz Cláudia Andujar.

A fotógrafa começou a registrar o dia a dia dos Yanomami. Ela denunciou os impactos da mineração, a invasão do homem branco, doenças, desnutrição e prostituição.

“A narrativa da exposição mostra esse mundo e essa sociedade que por milhares de anos viveu em certa harmonia, integrada à natureza, respeitando a natureza, e que, aos poucos, está sendo exterminada e atacada pela sociedade não indígena que não vê e não sabe respeitar a natureza”, explica Thyago Nogueira, curador da exposição.

Eles servem como registros históricos de uma floresta, de um povo que não é mais o mesmo dos anos 1970. As fotos chamam atenção para uma luta pela sobrevivência, pela vida, e dão voz a um grito de socorro.

A indígena Ehuana Yaira diz que os garimpeiros de ouro se aproximaram novamente das aldeias, e eles estão sofrendo muito. Seus desenhos, pinturas e vídeos de outros artistas Yanomami também ilustram a relação indígena com a floresta.

A exposição já estava planejada, mas ganhou ainda mais destaque agora.

O xamã e líder indígena Davi Kopenawa entende o poder dessas imagens. Há mais de 30 anos, elas se espalham pelo mundo e ajudaram no movimento pela demarcação das terras Yanomami, que ocorreu em 1992.

Na época, o xamã foi a Nova York pedir apoio após receber um prêmio do programa da ONU para o meio ambiente.

“É o mesmo problema que voltou para a terra Yanomami. Por isso estou aqui para falar novamente”, diz Davi Kopenawa.

A nova denúncia chamou a atenção da comunidade acadêmica da Universidade de Princeton, uma das mais reconhecidas nos Estados Unidos.

O antropólogo e pesquisador Agustín Fuentes diz que hoje há muitas crises, como a da floresta e do clima. E que os Yanomami podem nos ajudar a enfrentá-las se aprendermos a trabalhar juntos.

“Estou pedindo a proteção da vida e da cultura para continuarmos vivendo em nossa terra mãe. Para não acabar com o meu povo, vocês têm que cuidar”, diz Davi Kapenawa.

 

VIVIANE FAVER
Jornalista
vfaver@gmail.com


  • Summary – 5160

    Welcome to our website. We are dedicated to providing quality content and services to our visitors. mostbet portugal