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“Pelas Ruas Que Andei” – Uma biografia de Alceu Valença – The Brasilians

“Ele nunca abriu mão de sua identidade ao longo de sua carreira”, enfatiza o jornalista Julio Moura, autor do livro de 562 páginas “Pelas Ruas Que Andei” (Pelas ruas que andei) – Uma biografia de Alceu Valença. A obra sobre o artista de múltiplas influências foi lançada em junho, em Recife, Brasil.

Valença, que completou 77 anos, tem uma carreira marcada pela resistência e pela manutenção de suas raízes nordestinas. Ele é o criador de um estilo musical distinto que mistura suas raízes nordestinas e grooves contemporâneos de MPB. Ele também é um performer ao vivo enérgico, até hipnotizante. Suas canções foram gravadas por vários grandes artistas, incluindo Luiz Gonzaga (com quem escreveu “Plano Piloto”),&nbsp Maria Bethânia, e Elba Ramalho.

Filho de um advogado localmente renomado, Valença sempre preocupava seu pai com seu caráter rebelde. Aos cinco anos, participou de um concurso de música, cantando uma canção de Capiba. Aos 11, sua mãe adoeceu e sua família se mudou para o Recife. Nesse período, Valença se interessou pela guitarra acústica e pela viola. No entanto, não conseguiu uma por alguns anos — ele ganhou um instrumento durante um concurso de canções aos 15 anos. Em 1965, começou um longo período frequentando a faculdade de direito no Recife com várias interrupções. Três anos depois, iniciou sua carreira musical com o grupo Tamarineira Village. Ele também tocou com Zé Ramalho e Elba Ramalho durante esse período. Enquanto frequentava a faculdade de direito, participou de um concurso de redação que oferecia um curso de três meses na Universidade de Harvard como primeiro prêmio. Sem saber uma palavra de inglês, redigiu um ensaio comparando o marxismo à Igreja Católica e apontou poeticamente as contradições das ideologias políticas em voga. Ele venceu. Durante seu período em Harvard, tocava suas canções políticas em coffee houses quando não estava estudando. Foi perfilado pelo jornal estudantil, que se referiu a ele como o “Bob Dylan brasileiro”. Após retornar ao Brasil, formou-se, mas nunca exerceu a advocacia.

Em 1972, conheceu Geraldo Azevedo. Juntos, participaram de muitos concursos de festivais de canções e gravaram seu primeiro álbum, Quadrafônico, pela Copacabana, produzido por ninguém menos que Rogério Duprat. Ele recrutou músicos já estabelecidos, incluindo Zé Ramalho e Elba Ramalho. Valença classificou inúmeras canções em competições de festivais, mas devido a letras controversas foi frequentemente desclassificado — embora essas músicas proibidas lhe conquistassem seguidores entre jovens afins. Desapontado, retornou ao Recife com a convicção de abandonar a música. Essa decisão se provou de curta duração.

Em 1974, lançou o álbum Molhado de Suor, produzido por Eustaquio Sena. Uma incursão avant-folk, também contava com os talentos de Azevedo e Lula Côrtes. Fez turnê por várias cidades nordestinas. Em fevereiro de 1975, obteve um grande sucesso com “Vou Danado pra Catende”, em um festival; inspirada no poeta modernista pernambucano Ascenso Ferreira, o apoio da plateia levou o júri da competição a criar um prêmio especial de “Pesquisa”. Em 1975, gravou o álbum de rock agora clássico Vivo, gravado no Teatro Teresa Raquel, no Rio de Janeiro. Enquanto fazia turnês e participava constantemente de concursos de canções, não gravou novamente por dois anos; o esforço de estúdio Espelho Cristalino foi lançado em 1977 e entrou nas paradas. Essas duas gravações o colocaram no topo como um estilista e compositor único na tradição da MPB, mas ele também foi abraçado por toda uma geração de roqueiros.

Valença foi bem-sucedido além dos sonhos de qualquer um, exceto dos seus próprios. Várias de suas canções se tornaram temas de novelas (o caminho mais rápido para alcançar uma audiência em massa no Brasil) e aumentaram sua já grande base de fãs. Conquistou uma posição como um dos cantores e compositores mais respeitados da música popular brasileira, e seus álbuns e singles continuaram a entrar nas paradas.

Ao longo de sua carreira, Valença gravou mais de 20 álbuns e viajou por muitos países, como Portugal, França, Países Baixos e Estados Unidos. Na verdade, ele é considerado um dos maiores expoentes da música de Pernambuco.

Finalmente, com o lançamento em 2013 de Três Tons de Alceu Valença, uma caixa com os clássicos Cinco Sentidos (1981), Anjo Avesso (1983) e Mágico (1984), toda a obra solo de Alceu Valença está disponível em CD. Em 2014, seu álbum Amigo da Arte foi indicado ao Latin Grammy Award for Best Brazilian Roots Album.


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