No coração do Pelourinho, encontra-se uma imponente mansão colonial azul que abriga há 37 anos um grande tesouro da cultura brasileira: a coleção do casal de escritores Jorge Amado e Zélia Gattai. Ali está localizada a Fundação Casa de Jorge Amado, criada para preservar e estudar as coleções bibliográficas e artísticas do escritor, mas ele nunca quis que fosse apenas um museu.
“O que eu quero é que esta casa reflita o sentido da vida na Bahia e que esse seja o sentimento de sua existência, e que seja um local de encontro para intercâmbio cultural entre a Bahia e outros lugares, além de pesquisa e estudo”, disse Jorge Amado.
Após nove meses de sua maior reforma, a Fundação Casa de Jorge Amado reabriu em dezembro de 2024.
A instituição cultural passou pela maior restauração desde sua inauguração em 7 de março de 1987. Sua sede, que compreendia as casas de números 49 e 51 — as conhecidas Casas Azul e Amarela no Largo do Pelourinho —, agora foi conectada a outro prédio, o número 47, a chamada Casa Branca. Com a reforma, foram criados novos espaços de exposição. Além disso, o local ficou mais acessível, mais moderno e seguro, com a instalação de um novo e moderno sistema de prevenção e monitoramento de incêndios.
Quem é Jorge Amado?
Jorge Amado (nascido em 10 de agosto de 1912, na Bahia, Brasil—falecido em 6 de agosto de 2001) foi um romancista brasileiro cujas histórias sobre a vida no estado brasileiro oriental da Bahia conquistaram aclamação internacional.
Amado cresceu em uma plantação de cacau, Auricídia, e foi educado no colégio jesuíta em Salvador e estudou direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ele publicou seu primeiro romance aos 19 anos. Três de suas obras iniciais tratam das plantações de cacau, enfatizando a exploração e a miséria dos negros migrantes, mulatos e brancos pobres que colhem a colheita e geralmente expressando soluções comunistas para os problemas sociais.
Amado tornou-se jornalista em 1930, e sua carreira literária acompanhou uma carreira na política radical que o elegeu para a Assembleia Constituinte como deputado federal representando o Partido Comunista do Brasil em 1946.
Ele foi preso já em 1935 e exilado periodicamente por suas atividades de esquerda, e muitos de seus livros foram proibidos no Brasil e Portugal. Ele continuou a produzir romances com facilidade, a maioria deles contos picarescos e irreverentes da vida urbana baiana, especialmente das classes baixas racialmente conglomeradas. “Gabriela, Cravo e Canela” (1958; Gabriela, Clove and Cinnamon) e “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1966; Dona Flor and Her Two Husbands; filme, 1978) ambos preservam a atitude política de Amado em sua sátira. Suas obras posteriores incluem “Tenda dos Milagres” (1969; Tent of Miracles), “Tiêta do Agreste” (1977; Tieta, the Goat Girl), “Tocaia Grande” (1984; Show Down) e “O Sumiço da Santa” (1993; The War of the Saints). Amado publicou suas memórias, “Navegação de Cabotagem” (“Coastal Navigation”), em 1992.
Fontes: Agência Brasil e Britannica



