5 de novembro de 2026Um Jornal Bilíngue
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No Brasil, quatro em cada dez adolescentes enfrentam bullying escolar

No Brasil, quatro em cada dez estudantes com idades entre 13 e 17 anos afirmam já ter sido vítimas de bullying, e 27,2% nessa faixa etária sofreram alguma forma de humilhação duas ou mais vezes.

Os dados, divulgados nesta semana, baseiam-se em depoimentos coletados em 2024 em escolas de todo o Brasil pelo IBGE — o órgão oficial de estatísticas do governo brasileiro — como parte da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE).

Em comparação com a pesquisa anterior, realizada em 2019, houve um aumento de 0,7 ponto percentual no número total de estudantes que relataram ter sofrido bullying. A proporção de estudantes que vivenciaram a situação pelo menos duas vezes subiu mais de 4 pontos percentuais, ressaltou Marco Andreazzi, gerente da pesquisa.

“O bullying já é caracterizado como algo persistente, intermitente… E aqui observamos uma tendência de alta, indicando que mais estudantes passaram a vivenciar situações repetidas de violência”, afirmou Andreazzi.

O pesquisador destacou que “o número daqueles que sofrem bullying permanece praticamente o mesmo; no entanto, a persistência e a intensidade dos episódios aumentaram”.

Aparência, raça, gênero

Os estudantes que sofreram bullying relataram aos pesquisadores que suas características faciais ou o cabelo foram os principais alvos das agressões, respondendo por 30,2% dos casos.

Em seguida, aparece a aparência corporal, representando 24,7%, seguida pelo bullying relacionado à cor ou raça, relatado por 10,6% dos estudantes.

“Há também um percentual elevado — 26,3% — de estudantes que dizem que o bullying não teve motivo. Ou seja, muitos dos que sofrem não sabem o porquê, e isso é natural, uma vez que o bullying ocorre de forma coletiva e a vítima não necessariamente percebe uma razão para tal. Pelo contrário, sentem-se completamente injustiçadas”, observou o gerente da pesquisa.

A pesquisa constatou que as meninas são as mais afetadas: 43,3% vivenciaram situações de bullying, em comparação com 37,3% dos meninos.

Além disso, 30,1% das estudantes adolescentes relataram ter se sentido humilhadas por provocações de colegas duas ou mais vezes. Essa proporção é quase 6 pontos percentuais superior à observada entre os estudantes do sexo masculino.

Perfil dos agressores

Os dados sobre aqueles que praticam *bullying* revelam um padrão inverso: 13,7% dos estudantes relataram ter se envolvido em alguma forma de violência — sendo 16,5% dos meninos e 10,9% das meninas.

O IBGE também questionou sobre os motivos das agressões e, mais uma vez, os traços faciais, o cabelo, o tipo físico e a cor da pele ou raça foram os fatores mais citados.

No entanto, surgiram algumas diferenças significativas em relação aos relatos das vítimas. Por exemplo, 12,1% dos agressores afirmaram ter praticado *bullying* devido ao gênero ou à orientação sexual de seus colegas, enquanto apenas 6,4% das vítimas identificaram esses fatores como motivo para a violência.

Um padrão semelhante foi observado em relação à deficiência: enquanto 7,6% dos agressores admitiram ter praticado *bullying* por esse motivo, apenas 2,6% das vítimas associaram os ataques a essa característica.

Para os pesquisadores, isso pode indicar que muitas vítimas preferem manter silêncio sobre as circunstâncias, por medo de serem estigmatizadas.

Agressões físicas e virtuais

A pesquisa também constatou que, em alguns casos, os conflitos entre estudantes estão se intensificando: 16,6% dos alunos relataram ter sofrido agressões físicas por parte de colegas, índice que sobe para 18,6% especificamente entre os meninos.

O IBGE também destacou um aumento na proporção de estudantes agredidos duas ou mais vezes, passando de 6,5% para 9,6%.

Os casos de *cyberbullying* — praticados por meio de redes sociais ou aplicativos — apresentaram queda, passando de 13,2% para 12,7%. Nesse contexto, as meninas são vítimas com maior frequência: 15,2% relataram ter se sentido humilhadas ou ameaçadas por conteúdos publicados nessas plataformas, em comparação a 10,3% dos meninos.

Ações preventivas

O IBGE também realizou um levantamento junto aos gestores escolares para coletar informações sobre o apoio oferecido aos adolescentes, constatando que apenas 53,4% dos estudantes frequentavam escolas que aderiram ao Programa Saúde na Escola (PSE), o qual implementa uma série de ações voltadas à promoção do bem-estar dos alunos.

Considerando as iniciativas contempladas pelo PSE, apenas 43,2% dos estudantes frequentavam escolas que realizavam ações de prevenção ao *bullying*, e apenas 37,2% frequentavam escolas que implementavam, no âmbito do programa, medidas para prevenir brigas em suas dependências.

Fonte: Agência Brasil


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