18 de abril de 2026 Um Jornal Bilíngue

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Exposição Individual de Paulo Bruscky em Nova York – The Brasilians

Exposição Individual de Paulo Bruscky em Nova York

Galeria Nara Roesler apresenta uma exposição de obras de Paulo Bruscky, brasileiro de Recife. A exposição exibe os anúncios classificados do artista, bem como documentação de performances históricas, ilustrando o seminal corpo de trabalho do artista ao longo de mais de cinco décadas, muitas nunca finalizadas devido à censura imposta pela ditadura militar no Brasil durante os primeiros anos de sua carreira artística.

Artista multimídia e poeta, Bruscky foi pioneiro em “arte da comunicação”, termo cunhado pelo próprio artista. Como muitos artistas de sua geração, Bruscky acredita que a arte deve incorporar seu entorno e se esforçar para desfragmentar a vida cotidiana. Proponente ativo do movimento internacional de mail art e membro do Fluxus, o artista realizou experimentos não ortodoxos com sistemas de comunicação como livros de artista, anúncios classificados, telegramas, telefaxes, faxes, a internet e o Xerox. Impulsionando a prática de Bruscky está uma poética de experimentação, ancorada no potencial dos meios, uma rejeição do formalismo e uma recusa em estagnar na busca por reconhecimento.

Como afirma Bruscky: “Eu estudo equipamentos para ver como posso subvertê-los, arrancá-los do que se destinam a fazer, quero dizer, torná-los nossos aliados, certo?”

Central às investigações de Bruscky com técnicas de imagem e reprodução está o desejo de transformar o status quo e criar o impossível. Nos anos 1970, Bruscky começou a publicar anúncios em jornais, ou “arte desclassificada”, que interrompiam a mundanidade do jornal oferecendo propostas extraordinárias ao leitor.

Em seus classificados, assim como em suas performances, subjacente ao humor e ao genuíno desejo de criar uma expressão poética, há uma intenção política de minar o regime opressivo que prendeu e paralisou artisticamente o artista ao longo dos anos 1960 e 70. A exposição Cemetery Art do artista em 1971 visava memorializar a morte da autonomia artística sob a censura estatal, enquanto refletia tacitamente sobre as mortes de ativistas políticos. No entanto, quando a exposição foi impedida pelas autoridades, o artista organizou uma procissão fúnebre para sua exposição, que ocorreu nas ruas de sua cidade natal, Recife, até ser inevitavelmente reprimida.

Além de sua crítica política, Bruscky simultaneamente questiona os parâmetros para a criação e exibição de arte, travando diálogo frequente com contemporâneos que também se dedicam à crítica institucional. Para o 30º Salão Paranaense de Arte em 1973, o artista enviou um telegrama (Telex, 1973) transmitindo três propostas que constituíam uma performance/instalação que refletia sobre o ato de preparar uma exposição. A historicidade conceitual do salão o tornava uma ocasião particularmente adequada para questionar a instituição canonizadora da arte. Embora aceita pelo salão, a peça não foi realizada na ocasião.

O quê: Exposição “Paulo Bruscky”
Onde: Galeria Nara Roesler (Manhattan)
Quando: Até 24 de junho


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