O Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco declarou oficialmente o Sítio Arqueológico do Cais do Valongo, no Rio de Janeiro (RJ), Patrimônio Mundial.
O cais, localizado na praça Jornal do Comércio, no Rio, é um símbolo da dor de milhares de escravos negros trazidos ao Brasil durante mais de 300 anos.
O sítio já havia sido declarado Patrimônio Cultural da cidade do Rio de Janeiro pelo Instituto Rio Patrimônio Mundial (IRPH). O tombamento foi anunciado no Dia da Consciência Negra (20 de novembro no Brasil) de 2013.
Por volta da mesma época, representantes da Unesco passaram a considerar o sítio arqueológico como parte da Rota do Escravo, o primeiro lugar no mundo a receber esse reconhecimento. Ambos os eventos reforçaram a candidatura do Cais do Valongo à Lista do Patrimônio Mundial.
Descoberta
Em 2011, dois embarcadouros (Valongo e Imperatriz) foram descobertos durante as escavações realizadas como parte da revitalização da Zona Portuária do Rio de Janeiro antes dos Jogos Olímpicos de 2016. Os sítios contêm enormes quantidades de amuletos, anéis e pulseiras, conchas e objetos de culto do Congo, Angola e Moçambique. O Cais do Valongo foi tombado como patrimônio sem ressalvas, baseado exclusivamente em sua relação com eventos de notável significância universal (neste caso, a escravidão e o tráfico de escravos).
“O Sítio Arqueológico do Cais do Valongo agora se junta a uma lista única de bens culturais inscritos exclusivamente sob este critério, uma lista que inclui Auschwitz e Hiroshima”, explicou Adam Muniz, chefe do Departamento de Promoção Internacional do Ministério da Cultura do Brasil.
A presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bogéa, destacou que “no contexto da escravidão, o Rio carrega o triste título de maior porto de escravos da história. No entanto, é também um lugar onde as contribuições trazidas pelos povos africanos encontraram uma de suas maiores fontes de expressão, matizada pela miscigenação inerente à brasilidade”.
Fonte: BrazilGovNews



