Luiz Melodia, ator, cantor e compositor brasileiro de MPB, rock, blues, soul e samba, faleceu no início de agosto, deixando um valioso legado à música brasileira.
Fora do establishment da indústria fonográfica, Luís Melodia é um compositor e intérprete talentoso que pagou o preço de sua independência com uma discografia errática. Suas canções, várias delas clássicos da MPB (como “Juventude Transviada,” “Pérola Negra,” “Magrelinha,” “Dores de Amores,” “Vale Quanto Pesa,” “Pra Aquietar,” “Ébano,” “Presente Cotidiano,” “Estácio, Holly Estácio,” e “Farrapo Humano”) foram gravadas por vários artistas como Gal Costa, Maria Bethânia e Zezé Motta.
Filho de Osvaldo Melodia, sambista do tradicional reduto de samba do
Estácio (no Rio), Luís Carlos dos Santos estava envolvido com a música desde a infância. Ele abandonou o ensino médio na adolescência e formou o grupo Instantâneos, dedicado a covers de sucessos da jovem guarda e bossa nova. Nos anos 70, sua mistura de samba tradicional e música pop chamou a atenção dos poetas Waly Salomão e Torquato Neto. Salomão apresentou Melodia a Gal Costa, que gravou sua canção “Pérola Negra” para o álbum Gal a Todo Vapor (1972). No mesmo ano, Maria Bethânia gravou “Estácio, Holly Estácio” para o álbum Drama — Anjo Exterminado. Foi então que ele adotou o nome artístico Luís Melodia. Melodia gravou seu primeiro LP em 1973, Pérola Negra. De seu próximo álbum, a clássica faixa Maravilhas Contemporâneas (1976) foi escolhida como tema da novela Pecado Capital. Em 1975, Melodia chegou à final do Festival Abertura (TV Globo) com “Ébano”. Em 1980, ele gravou Nós, com sua interpretação moderna de “Negro Gato” (Getúlio Cortes).
Após um longo período de ostracismo, durante o qual continuou gravando, Melodia voltou às paradas de sucesso com sua versão de “Codinome Beija-Flor” (Cazuza). Em 2001, um documentário dirigido por Karla Sabah retratou sua vida.



