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Pioneiro da Bossa Nova Brasileira João Gilberto Morre aos 88 Anos – The Brasilians

Pioneiro da Bossa Nova Brasileira João Gilberto Morre aos 88 Anos

João Gilberto, cantor, guitarrista e compositor brasileiro considerado um dos pais do gênero bossa nova, que ganhou popularidade global nos anos 1960, morreu em 6 de julho aos 88 anos.

Embora nenhuma causa oficial de sua morte tenha sido divulgada, seu filho, João Marcelo, disse que o pai vinha lutando contra problemas de saúde.

Nascido em 1931 em Juazeiro, no estado nordestino da Bahia, Gilberto parecia obcecado por música quase desde o momento em que saiu do ventre materno. Seu avô lhe comprou a primeira guitarra aos 14 anos (para desgosto do pai de João). Em um ano, resultado de uma prática quase constante, ele era o líder de uma banda formada por amigos de escola. Durante esse período, Gilberto absorvia a sutileza rítmica das canções pop brasileiras da época, enquanto também se deliciava com os sons ricos do swing jazz, além do canto de ópera leve de Jeanette MacDonald. Aos 18 anos, Gilberto abandonou a vida em sua pequena cidade e seguiu para a maior cidade da Bahia, Salvador, em busca de um lugar na indústria da música, atuando em programas de rádio ao vivo. Embora tenha tido a oportunidade de cantar, a fama instantânea não estava a caminho, mas suas breves aparições no rádio chamaram a atenção de Antonio Maria, que queria que Gilberto se tornasse o cantor principal da popular banda de rádio Garotos da Lua (Meninos da Lua) e se mudasse para o Rio de

Janeiro.

Gilberto ficou na banda por apenas um ano. Foi demitido depois que o resto do grupo não aguentou mais sua atitude desleixada. Gilberto frequentemente chegava atrasado aos ensaios e apresentações, e, em um gesto que lembrava o pop star americano Sly Stone, ocasionalmente não aparecia de jeito nenhum. Após sua demissão do grupo, Gilberto levou uma vida seminômade. Por anos, não teve endereço fixo, passando de amigo em amigo e de conhecido em conhecido, vivendo de sua bondade e raramente, se é que alguma vez, contribuindo para as despesas da casa. Evidentemente, Gilberto era uma companhia tão encantadora que sua negligência emocional e apatia financeira nunca foram um problema — ou então ele tinha amigos extremamente pacientes e generosos. Foi durante esse período boêmio de subdesempenho que Gilberto manteve um perfil extremamente baixo. Em vez de usar seu tempo com os Garotos da Lua como trampolim para outras possibilidades de gravação e apresentações, fumando maconha, tocando em gigs ocasionais em clubes e recusando trabalhos que considerava abaixo dele (isso incluía shows em clubes onde as pessoas conversavam durante a apresentação). Embora dotado de considerável talento como cantor e guitarrista, parecia que Gilberto falharia em alcançar o sucesso e a notoriedade que merecia, se apenas devido à apatia que beirava a letargia.

Após quase uma década de descompromisso, Gilberto se uniu ao cantor Luis Telles, que o incentivou a deixar o Rio para uma vida semirural em Porto Alegre. Telles garantiu que Gilberto se concentrasse em sua música. Trata-se de uma estratégia bem-sucedida, embora cara. Em poucos meses, Gilberto era a sensação de Porto Alegre, o músico que todos queriam ver. Também foi durante esse longo aprendizado que Gilberto aperfeiçoou seu estilo vocal único e sua guitarra. Tão sussurrado e nasal que quase desafia descrição, de muitas maneiras ele usa tudo o que se ensina a não fazer como cantor e transformou isso em um estilo instantaneamente reconhecível. Nem mesmo crooners estabelecidos como Bing Crosby e Perry Como cantavam mais baixinho ou com menos vibrato. Isso, junto com sua abordagem rítmica idiossincrática para tocar guitarra — um dedilhado intensamente sincopado das cordas que fluía com seu canto — resultava em uma música eletrizante, e no momento de seu primeiro disco, Chega de Saudade (1959), Gilberto se tornou amplamente conhecido como o homem que fez da bossa nova o que ela é.

Fiel ao seu estilo, no entanto, Gilberto pegou o caminho menos trilhado, e após o sucesso de seu disco de estreia e dos dois lançamentos seguintes, ele deixou o Brasil para se estabelecer nos Estados Unidos, onde viveu até 1980. Durante esse período, gravou alguns discos incríveis, trabalhando com o saxofonista Stan Getz e gravando músicas de compositores brasileiros mais antigos como Dorival Caymmi e Ary Barroso. Ele voltou ao Brasil no início dos anos 80 e trabalhou com praticamente todos os grandes nomes da música pop brasileira, incluindo Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gal Costa e Chico Buarque. Ele nunca teve vendas de discos como os mencionados, mas todos eles o consideram uma influência profunda em seu trabalho. Fiel à sua imagem enigmática e excêntrica, Gilberto levou uma vida semirreclusa, seguro no conhecimento de que, décadas atrás, mudou o curso da cultura brasileira ao fazer da bossa nova sua música, bem como a música do Brasil.

Fonte: www.allmusic.com, biografia do artista por John Dougan


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