Cantor, compositor, multi-instrumentista e arranjador João Donato faleceu aos 88 anos no Rio de Janeiro na segunda-feira (17 de jul.). O artista havia sido internado na semana passada por causa de uma infecção pulmonar. A página do Instagram de João Donato anunciou sua morte. “O paraíso dos compositores acordou mais feliz nesta manhã, pois João Donato se juntou a eles para tocar suas belas melodias. Sua alegria, assim como seus acordes, agora durarão para sempre pelo universo.”
João Donato é uma figura massivamente influente na história e desenvolvimento da bossa nova e do jazz brasileiro. O pianista, compositor e arranjador gravou mais de três dúzias de álbuns sob seu próprio nome e tem milhares de créditos. Ele trabalhou com virtualmente todos os mestres brasileiros, homens e mulheres, por gerações, incluindo João Gilberto, Sergio Mendes, Tito Puente, Gilberto Gil, Gal Costa e incontáveis outros.
Donato nasceu em 17 de agosto de 1934, em Rio Branco, capital do estado do Acre, no norte, e mudou-se com a família para o Rio de Janeiro 11 anos depois. A música veio cedo para ele. Incentivado por seu pai, tocador de bandolim, e sua mãe, cantora, ele já tocava acordeão aos cinco anos.
No Rio de Janeiro, após participar de festas musicais em escolas em Tijuca, na Zona Norte do Rio, ele começou a participar de jam sessions na casa do cantor Dick Farney e no Sinatra Farney Fã Club aos 15 anos.
A primeira vez que apareceu em disco foi como membro da banda do flautista Altamiro Carrilho. Foi também por volta dessa época que ele entrou em contato com outros grandes nomes, como Lúcio Alves, e se tornou conhecido por artistas fora do Brasil, incluindo Chet Baker.
Nos anos 50, ele se mudou para os EUA, onde explorou e combinou jazz e música latina.
Em 2016, seu álbum Donato Elétrico foi indicado ao Latin Grammy de Melhor Instrumental. O disco também foi eleito o 11º melhor álbum brasileiro do ano pela revista Rolling Stone Brasil.
Ele lançou um álbum no ano passado e ainda fazia shows no início deste ano.
“Não sou bossa nova, não sou samba, não sou jazz, não sou rumba, não sou forró. Na verdade, sou tudo isso ao mesmo tempo”, disse Donato ao jornal O Globo do Rio em entrevista em 2014.
Fonte: Agência Brasil e AllMusic



