Antes do palco, da televisão e das câmeras de cinema, a maior estrela do drama brasileiro, a atriz Fernanda Montenegro, era conhecida apenas por sua voz. Ela era a locutora e atriz de rádio Arlete Pinheiro, da Rádio MEC. Fernanda, que começou sua carreira nessa emissora aos 15 anos, reconheceu que foi em um estúdio sem câmeras que nasceu a atriz que faria um país inteiro se orgulhar. Em outubro, essa carioca, que criou seu próprio nome artístico e levaria a sensibilidade brasileira ao mundo, completou 95 anos.
“Eu era a locutora Arlete Pinheiro e a atriz de rádio Arlete Pinheiro. Quando fui escrever, achei que era muito ‘Arlete Pinheiro’. Então inventei esse nome (Fernanda Montenegro) só para escrever”, disse a atriz, em entrevista à Rádio MEC há três décadas.
A atriz deixou o teatro radiofônico pelo palco e depois direto para a televisão. Desde então, seu currículo inclui pelo menos 65 espetáculos, 18 filmes, 14 novelas e dezenas de prêmios como melhor atriz. Sua estreia no teatro foi em 1950, na peça “Alegres Canções nas Montanhas”, ao lado de Fernando Torres, seu marido, falecido em 2008.
Fernanda Montenegro é imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) desde 2022 e ocupa a cadeira 17.
No cinema, entre muitos prêmios, há um Urso de Prata em Berlim por sua interpretação como Dora em Central do Brasil (1998), de Walter Salles. O trabalho lhe rendeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz. O reconhecimento não veio, mas a Associação de Críticos de Cinema dos Estados Unidos lhe deu o prêmio de atriz do ano, entre outros troféus. Em 2013, ela ganhou o International Emmy de melhor atriz pelo papel de Dona Picucha no especial “Doce de Mãe”. A atriz também fez uma participação especial no filme “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles. O filme representa o Brasil na disputa por uma indicação ao Oscar de melhor filme internacional este ano.
Guinness premia Fernanda por recorde de público em leitura filosófica
Fernanda foi recentemente homenageada com reconhecimento do Guinness Book pelo recorde mundial de público em leitura filosófica na apresentação de Simone de Beauvoir no Parque Ibirapuera, em São Paulo, no dia 18 de agosto de 2024, quando reuniu um público de 15 mil pessoas.
Na cerimônia em que recebeu o prêmio, Fernanda expressou sua gratidão pelo feito reconhecido mundialmente pela publicação. “Milagres acontecem. Nossa cultura é nosso país. A cultura teatral é o homem ao longo dos milênios. Em qualquer lugar do mundo, sempre há a presença de alguém falando para alguém, a visão de uma experiência que traz um texto, um contraste, uma variação do momento em que se vive, uma transcendência do momento em que se vive, até o bom humor do momento em que se vive. Isso é do palco. Então, eu agradeço a Simone de Beauvoir pelos 15 mil dentro do Ibirapuera”, disse a atriz.
Fernanda elogiou o ambiente harmonioso do público que permaneceu no local durante toda a apresentação em que ela estava sentada a uma mesa recitando textos de Simone de Beauvoir.
“isso acontece em algum lugar do mundo? Só conversando com 15 mil pessoas, só conversando, só trazendo ideias que não são fáceis de absorver, e ninguém sai. Todo mundo aceita cada palavra que é dita e acaba aplaudindo e se abraçando num espaço com 15 mil pessoas. Por mais que a gente agradeça a Deus e aos deuses, não é suficiente”, disse a atriz no vídeo postado em seu perfil no Instagram.
Fonte: Agência Brasil



