17 de abril de 2026 Um Jornal Bilíngue

New York,US
24C
pten
Esses Implantes Cerebrais Revelam Seus Pensamentos — Mesmo Quando Você Não Quer – The Brasilians

Esses Implantes Cerebrais Revelam Seus Pensamentos — Mesmo Quando Você Não Quer

Dispositivos implantados cirurgicamente que permitem que pessoas paralisadas falem também podem escutar seu monólogo interior.

Essa é a conclusão de um estudo sobre interfaces cérebro-computador (BCIs) na revista Cell.

A descoberta pode levar a BCIs que permitam que usuários paralisados produzam fala sintetizada de forma mais rápida e com menos esforço.

Mas a ideia de que a nova tecnologia pode decodificar a voz interior de uma pessoa é “inquietante”, diz Nita Farahany, professora de direito e filosofia na Duke University e autora do livro: The Battle for Your Brain.

“Quanto mais avançamos nessa pesquisa, mais transparentes nossos cérebros se tornam”, diz Farahany, acrescentando que as medidas para proteger a privacidade mental das pessoas estão atrasadas em relação à tecnologia que decodifica sinais no cérebro.

Do sinal cerebral à fala

As BCIs são capazes de decodificar a fala usando matrizes minúsculas de eletrodos que monitoram a atividade no córtex motor do cérebro, que controla os músculos envolvidos na fala. Até agora, esses dispositivos dependiam de sinais produzidos quando uma pessoa paralisada está ativamente tentando falar uma palavra ou frase.

“Estamos gravando os sinais enquanto eles tentam falar e traduzindo esses sinais neurais nas palavras que eles estão tentando dizer”, diz Erin Kunz, pesquisadora pós-doutoral no Neural Prosthetics Translational Laboratory da Stanford University.

Depender de sinais produzidos quando uma pessoa paralisada tenta falar facilita que essa pessoa mentalmente cale a boca e evite compartilhar demais. Mas também significa que eles têm que fazer um esforço concentrado para transmitir uma palavra ou frase, o que pode ser cansativo e demorado.

Então Kunz e uma equipe de cientistas partiram para encontrar uma maneira melhor — estudando os sinais cerebrais de quatro pessoas que já usavam BCIs para se comunicar.

A equipe queria saber se poderiam decodificar sinais cerebrais muito mais sutis do que aqueles produzidos pela fala tentada. A equipe queria decodificar a fala imaginada.

Durante a fala tentada, uma pessoa paralisada faz o possível para produzir fisicamente palavras faladas compreensíveis, mesmo que não consiga mais. Na fala imaginada ou interior, o indivíduo apenas pensa em uma palavra ou frase — talvez imaginando como soaria.

A equipe descobriu que a fala imaginada produz sinais no córtex motor semelhantes aos da fala tentada, mas mais fracos. E com a ajuda da inteligência artificial, eles conseguiram traduzir esses sinais mais fracos em palavras.

“Conseguimos até 74% de precisão na decodificação de frases de um vocabulário de 125.000 palavras”, diz Kunz.

Decodificar a fala interior de uma pessoa tornou a comunicação mais rápida e fácil para os participantes. Mas Kunz diz que o sucesso levantou uma pergunta incômoda: “Se a fala interior é semelhante o suficiente à fala tentada, poderia vazar sem querer quando alguém está usando uma BCI?”

Sua pesquisa sugeriu que sim, em certas circunstâncias, como quando uma pessoa estava recordando silenciosamente uma sequência de direções.

Proteção por senha?

Então a equipe testou duas estratégias para proteger a privacidade dos usuários de BCI.

Primeiro, eles programaram o dispositivo para ignorar sinais de fala interior. Isso funcionou, mas removeu a velocidade e a facilidade associadas à decodificação da fala interior.

Então Kunz diz que a equipe pegou emprestada uma abordagem usada por assistentes virtuais como Alexa e Siri, que acordam apenas quando ouvem uma frase específica.

“Escolhemos Chitty Chitty Bang Bang, porque não ocorre com muita frequência em conversas e é altamente identificável”, diz Kunz.

Isso permitiu que os participantes controlassem quando sua fala interior poderia ser decodificada.

Mas as salvaguardas testadas no estudo “assumem que podemos controlar nosso pensamento de maneiras que podem não corresponder realmente a como nossas mentes funcionam”, diz Farahany.

Por exemplo, diz Farahany, os participantes no estudo não conseguiram impedir que a BCI decodificasse os números que estavam pensando, mesmo que não pretendessem compartilhá-los.

Isso sugere que “a fronteira entre pensamento público e privado pode ser mais borrada do que assumimos”, diz Farahany.

Preocupações com privacidade são menos problemáticas com BCIs implantadas cirurgicamente, que são bem compreendidas pelos usuários e serão reguladas pela Food and Drug Administration quando chegarem ao mercado. Mas esse tipo de educação e regulamentação pode não se estender às próximas BCIs de consumo, que provavelmente serão usadas como bonés e para atividades como jogar videogames.

Dispositivos de consumo iniciais não serão sensíveis o suficiente para detectar palavras como os dispositivos implantados fazem, diz Farahany. Mas o novo estudo sugere que essa capacidade poderia ser adicionada algum dia.

Se assim for, diz Farahany, empresas como Apple, Amazon, Google e Meta poderiam descobrir o que está acontecendo na mente de um consumidor, mesmo que essa pessoa não pretenda compartilhar a informação.

“Temos que reconhecer que essa nova era de transparência cerebral realmente é uma fronteira totalmente nova para nós”, diz Farahany.

Mas é encorajador, diz ela, que os cientistas já estejam pensando em maneiras de ajudar as pessoas a manterem seus pensamentos privados em segredo.

Fonte: npr.org por Jon Hamilton


  • Ator Juca de Oliveira morre aos 91 anos

    Ator Juca de Oliveira morre aos 91 anos

    O Brasil perdeu na madrugada deste sábado (21) um dos nomes mais expressivos das artes cênicas nacionais. O ator, autor e diretor Juca de Oliveira faleceu aos 91 anos em São Paulo, vítima de pneumonia associada a uma condição cardiológica. A informação foi confirmada pela assessoria da família à TV Globo, veículo que noticiou o…