17 de abril de 2026 Um Jornal Bilíngue

New York,US
23C
pten
“Trump Quer Conter a China e Também o Brasil”, Diz Elias Jabbour – The Brasilians

“Trump Quer Conter a China e Também o Brasil”, Diz Elias Jabbour

A nova Estratégia de Segurança Nacional de 2025 dos Estados Unidos, assinada esta semana pelo presidente daquele país, Donald Trump, reorganiza as prioridades de Washington em torno de um objetivo central: preservar a supremacia dos EUA diante da ascensão da China e impedir o surgimento de qualquer potência concorrente no Hemisfério Ocidental.

De acordo com Elias Jabbour, geógrafo e professor de economia da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), em entrevista à TV 247, esse movimento não se limita a conter Pequim: inclui também uma ofensiva direta para limitar o Brasil sempre que o país tentar construir seu próprio projeto nacional.

Jabbour afirmou que o documento funciona como um plano de contenção dupla. “Trump quer conter a China e também o Brasil”, disse ele, descrevendo a iniciativa de Trump como uma tentativa dos EUA de supostamente “colocar a casa em ordem”, enquanto a liderança global de Washington está em declínio.

Comparando o momento atual à administração do ex-presidente dos EUA Ronald Reagan nos anos 1980, ele resumiu a lógica do novo texto oficial: “Trump vê o mundo como algo muito volátil para os Estados Unidos, e por meio deste documento divulgado, busca tentar reorganizar o mundo à imagem e semelhança dos interesses dos Estados Unidos. Ele está acordando para a realidade.”

Jabbour associa o novo desenho estratégico dos EUA a um processo em curso de pressão política e informacional sobre o Brasil. Para ele, o país já vive um cenário de confronto não declarado. “Acho que estamos vivendo uma guerra híbrida há muito tempo”, afirmou, projetando o efeito prático da nova orientação de Washington na política interna brasileira. Com base no documento, ele antecipa uma escalada. “Essa guerra híbrida vai ampliar seu alcance. Por exemplo, podemos já esperar, com base neste documento, interferência direta dos Estados Unidos via Big Tech nas próximas eleições”, disse. Na avaliação do professor, o controle dos fluxos de informação, das plataformas digitais e dos ambientes de debate público agora é tratado, na prática, como um instrumento para conter projetos políticos que não se alinhem à estratégia de Washington para o hemisfério. Portanto, Jabbour argumenta que o calendário eleitoral brasileiro deve ser visto como parte de uma disputa maior. Segundo ele, “do ponto de vista político, é fundamental que a esquerda brasileira, ou os patriotas em geral, tenham uma compreensão muito clara do que está em jogo nas próximas eleições.”

Jabbour argumenta que o país não pode mais manter uma posição ambígua entre Washington e Pequim. “É hora de o Brasil tomar uma decisão. Vamos ter uma relação frouxa com a China, vamos tentar ficar aqui com um pé lá e outro aqui?” questionou.

Ele defende que a China deve ser vista como uma oportunidade concreta para reindustrialização e reposicionamento produtivo.

“Acho, por exemplo, que a China pode ser uma grande janela externa para um processo de reindustrialização no Brasil, porque a China hoje está comprometida com isso como exportadora de bens públicos”, avaliou. Ao mesmo tempo, ele reconhece que o interesse de Donald Trump no Brasil pode abrir oportunidades em áreas específicas, como semicondutores ou cadeias de suprimentos ligadas às reservas minerais brasileiras.

Ele enfatizou que o cerne de sua análise é o interesse nacional brasileiro como parâmetro para qualquer relação externa. “Não quero fechar a porta para os Estados Unidos, não quero criar animosidade com os Estados Unidos, quero ter excelentes relações com eles, mas temos que ver qual é o interesse nacional em primeiro lugar, né?” afirmou.

Com base nesse critério, Jabbour avalia que “considerando o interesse nacional, vejo a China como o parceiro estratégico mais ideal para os nossos interesses”.

De acordo com Jabbour, uma das áreas em que se manifesta a contenção do Brasil é a competição por elementos de terras raras e outros minerais estratégicos presentes na América do Sul. Jabbour observa que já há demanda potencial, especialmente dos Estados Unidos, por essas matérias-primas. Na sua visão, a resposta do Brasil deve ser criar uma estratégia para internalizar cadeias de processamento e agregar valor aos recursos naturais.

“O Brasil deve buscar, com ou sem os chineses, por meio de substituição de importações ou por meio de pesquisa em ciência, tecnologia e inovação, internalizar as cadeias produtivas que processam esses elementos de terras raras”, argumentou. Recordando que a China domina tanto as reservas quanto o processamento de elementos de terras raras, ele aponta a diferença de trajetória entre Pequim e Brasília. “A China hoje detém entre 60 e 70% das reservas internacionais de elementos de terras raras e é responsável por 90% do seu processamento, né? Então, como eles conseguiram e o Brasil não pode?” questionou. Para o professor, o país precisa de um “arcabouço institucional” que proteja esses recursos e, ao mesmo tempo, os converta no motor de uma nova revolução industrial.

No entanto, Jabbour conclui que o Brasil está em uma posição estrategicamente frágil. “Por enquanto, o Brasil tem muito pouco que pode fazer do ponto de vista político, institucional, financeiro e industrial para lidar com uma ameaça como essa, né? Ou seja, uma ameaça de interferência direta, até do ponto de vista militar”, avaliou. Ele descreve um país sem instrumentos adequados para responder à combinação de guerra híbrida, pressão econômica e eventual escalada militar na região. “O Brasil é um país despreparado para lidar com esse cenário. Precisamos urgentemente discutir um projeto nacional à luz dessa ameaça externa ao Brasil”, afirmou.

Fonte: brasil247.com


  • Ator Juca de Oliveira morre aos 91 anos

    Ator Juca de Oliveira morre aos 91 anos

    O Brasil perdeu na madrugada deste sábado (21) um dos nomes mais expressivos das artes cênicas nacionais. O ator, autor e diretor Juca de Oliveira faleceu aos 91 anos em São Paulo, vítima de pneumonia associada a uma condição cardiológica. A informação foi confirmada pela assessoria da família à TV Globo, veículo que noticiou o…