O setor de franquias consolidou sua relevância na economia brasileira ao atingir uma receita recorde de R$ 301,7 bilhões no último ano. Esse desempenho representa um crescimento de 10,5% em comparação ao período anterior e reforça a maturidade do modelo de negócios no país. Atualmente, o sistema conta com 3.297 redes de franquias e mais de 202 mil unidades em operação, responsáveis por gerar aproximadamente 1,76 milhão de empregos diretos.
Os dados fazem parte de um relatório divulgado pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), que identifica o franchising como um dos segmentos mais estruturados e resilientes do ambiente de negócios brasileiro. Essa expansão é impulsionada por diversos setores da economia, notadamente o setor de alimentos, que mantém uma taxa de crescimento forte.
O segmento de Food Service registrou receita recorde de R$ 51,8 bilhões, um aumento de 10,8% em relação ao ano anterior. No quarto trimestre de 2025, o setor totalizou receitas de R$ 15,3 bilhões, um aumento de 9,9%, resultado que reforça a tendência de aumento da demanda por refeições fora do lar e destaca a eficiência operacional das redes franqueadas.
Segundo Ycaro Martins, especialista em negócios de alta performance e expansão, CEO e fundador da Maxymus Expand, o franchising brasileiro vive uma fase marcada pela consolidação de práticas profissionais e pela evolução dos modelos de gestão. Ele acredita que o setor de alimentos se destaca nesse movimento.
“O setor de alimentos, em particular, tem mostrado crescimento contínuo, impulsionado pelo aumento do consumo fora do lar e pela capacidade das redes de proporcionar experiências atraentes para os clientes. Hoje vemos redes mais estruturadas, com governança, indicadores de desempenho claros e modelos projetados para escalabilidade. Isso transforma o franchising em uma estratégia de crescimento inteligente, tanto para quem quer se tornar empreendedor quanto para investidores em busca de ativos operacionais com método e previsibilidade”, afirma ele.
Apesar do cenário favorável, o especialista enfatiza que a expansão exige análise cuidadosa por parte dos investidores interessados em ingressar no modelo de franquias.
“O franchising não é uma moda, é um modelo. Portanto, precisa ser replicável, financeiramente saudável e transparente. O investidor precisa analisar a fundo a saúde financeira do franqueador, conversar com franqueados ativos, entender o nível real de suporte, estudar com cuidado o Documento de Revelação da Franquia (FDD) e validar se o negócio faz sentido para sua região. Uma marca forte não substitui os fundamentos. Expansão sem base sólida gera frustração e prejuízos. Crescimento é importante, mas crescimento com estrutura é o que constrói legado”, comenta Martins.
As redes expandem sua presença no país
As perspectivas de crescimento do mercado estimularam a expansão de várias marcas no setor de alimentos. Uma delas é a Di Blasi Pizzas, rede de pizzarias especializada em delivery que já conta com mais de 50 unidades em operação. A empresa tem ampliado sua presença nacional, chegando às regiões Norte e Nordeste, e projeta crescimento de 30% no número de unidades até o fim do ano.
“O foco da nossa marca é crescer de forma responsável e consistente para manter a essência da rede e garantir uma operação sólida para os franqueados”, diz Arnaldo Di Blasi, fundador e CEO da Di Blasi Pizzas.
Outro exemplo de expansão é a Casa de Bolos, considerada a maior rede de franquias de bolos do Brasil e pioneira no segmento. Em 2025, a empresa registrou crescimento de 11,6% nas operações e receita de R$ 720 milhões.
A rede possui mais de 600 lojas distribuídas em 20 estados brasileiros e atende mais de 250 municípios, com uma produção diária de aproximadamente 60 mil bolos. No último ano, foram abertas 63 novas unidades nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Alagoas, Bahia, Ceará e Pernambuco. Para 2026, a empresa projeta receitas de R$ 800 milhões e planeja chegar a 700 lojas, com atenção especial a regiões com forte perfil familiar e alto potencial de consumo, como o Nordeste.
Sofisticação e diversidade no food service
No campo da confeitaria, a Boulangerie Carioca se destaca ao apostar em um conceito inspirado nas pâtisseries francesas. Fundada há dez anos, a rede mantém uma estratégia de crescimento orgânico e atualmente conta com nove unidades.
Segundo o CEO Antônio Augusto Ribeiro de Souza, a combinação de referências internacionais com ingredientes brasileiros ajuda a ampliar o interesse do público.
“A diversidade da culinária brasileira convida à integração do café nacional com croissants franceses. Assim, redes que abraçam a culinária internacional de qualidade sem ignorar o melhor do nosso país ganham espaço e respeito junto ao público, impulsionando o franchising”, comenta ele.
A sofisticação do consumidor também aumentou a demanda por produtos artesanais e diferenciados. Um exemplo é a gelateria Cuor di Crema, que utiliza um método de produção italiano. Gerenciada pelo grupo Antaris Foods Brands Franchising, a rede atualmente tem dez unidades distribuídas por São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Piauí, Maranhão e Rio Grande do Sul.
No segmento de sobremesas congeladas, a Açaí Concept se consolidou como uma das principais redes globais na venda de açaí e cremes tropicais. Fundada em 2014, a marca está presente em 18 estados brasileiros e também opera em países como Estados Unidos, Equador, Suíça, Chile, Canadá, Portugal, Emirados Árabes Unidos, Espanha e Turquia.
“Com matérias-primas sourced inteiramente do Brasil, o açaí tem um enorme potencial para contribuir com o crescimento, tanto para quem trabalha com esse produto quanto em termos de sua representatividade dentro da indústria de food service. A tendência é de anos cada vez melhores pela frente”, enfatiza o sócio fundador e CEO Rodrigo Melo.
Opções temáticas e saudáveis ganham terreno
Outra tendência observada no mercado é a popularização de restaurantes temáticos. Criada em 1986 em Los Angeles, a rede de hambúrgueres Johnny Rockets, com sua estética anos 1950, mantém no Brasil sua segunda maior cadeia de lojas no mundo, atrás apenas da sede americana.
A marca aposta no modelo de “quick service restaurant” (QSR) dentro do casual dining, voltado a diferentes perfis de clientes.
“O setor de restaurantes temáticos tem ganhado fôlego na indústria de food service. A vantagem do franchising é que o franqueado já tem a experiência da marca, um caminho claro e diretrizes sobre como alcançar o sucesso na área”, diz o diretor Alan Torres.
A indústria de confeitaria também acompanha essa expansão. Fundada em 2014 em Bento Gonçalves (RS), a Le Petit Macarons se consolidou como a primeira boutique brasileira especializada no doce francês. A rede tem 28 franquias em sete estados e oferece mais de 30 sabores em seu cardápio.
Segundo Roger Coelho, sócio fundador e diretor de novos negócios da marca, o interesse do público por experiências gastronômicas diferenciadas fortalece o segmento.
“O consumidor moderno deseja momentos de indulgência e autenticidade. Esse desejo por ‘luxo acessível’ consolidou a Le Petit Macarons como referência de alta gastronomia no franchising brasileiro. Nossa expansão reflete a maturidade de um modelo que combina sofisticação técnica com operação eficiente, permitindo-nos projetar um crescimento de aproximadamente 8% na rede até o fim desse ciclo”, enfatiza ele.
A alimentação saudável avança
A busca por opções mais saudáveis também impulsionou o franchising. A rede Mr. Fit, fundada em 2011 em Paulínia (SP), se consolidou como uma das pioneiras do fast food saudável no Brasil.
A empresa atualmente tem cerca de 900 unidades no país, além de operações em Portugal e Paraguai. O cardápio inclui refeições prontas congeladas, pratos leves e sanduíches nutritivos.
“A busca por praticidade aliada à saúde é um comportamento consolidado do consumidor moderno. Isso impulsiona a força da nossa rede dentro do franchising. A meta é chegar a 1.000 unidades até o fim do ano”, destaca Camila Miglhorini, CEO e fundadora da Mr. Fit.
Fonte: brasil247.com



