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A Copa do Mundo de 2026 Enfrenta Grandes Desafios a Apenas 100 Dias do Apito Inicial – The Brasilians

A Copa do Mundo de 2026 Enfrenta Grandes Desafios a Apenas 100 Dias do Apito Inicial

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Apenas 100 dias antes do início da Copa do Mundo da FIFA, o que deveria ser um período de celebração está se transformando em um momento de turbulência.

Os ataques dos EUA e de Israel ao Irã levantaram grandes dúvidas sobre a possível retirada do país persa do torneio de 48 times — uma decisão não tomada por nenhuma outra nação após se classificar desde 1950, quando a Escócia, junto com outros países como Índia e Turquia, optou por não participar, em parte devido aos custos de viagem para os jogos no Brasil.

Mas a participação do Irã não é a única incerteza. A violência no México, após o assassinato de um líder de cartel, levantou questionamentos sobre a capacidade do país de atrair torcedores, enquanto as preocupações com o financiamento das cidades-sede dos EUA também cresceram nas últimas semanas.

E há também indignação com os preços dos ingressos e controvérsia em torno do presidente Trump e das políticas de sua administração, incluindo ações militares e aplicação de leis de imigração.

A ansiedade antes das Copas do Mundo não é novidade. Preocupações com violência precederam as Copas de 2010 e 2014 na África do Sul e no Brasil, enquanto a escolha da Rússia e do Catar como sedes dos últimos dois torneios também gerou controvérsias.

Mas nenhuma Copa do Mundo masculina foi tão grande quanto esta, com 48 times competindo em 104 partidas pelos Estados Unidos, Canadá e México. E nenhuma Copa recente aconteceu em meio a tanta incerteza geopolítica global.

Aqui estão as principais áreas de preocupação para a Copa do Mundo de 2026.

O Irã vai se retirar?

Essa foi a principal pergunta em torno da Copa do Mundo da FIFA quando os Estados Unidos e Israel entraram em guerra com o Irã neste fim de semana. Até o momento, não há indícios de que o Irã planeje se retirar, seja por boicote ou por outros motivos.

O Irã é uma das equipes mais fortes da Ásia e competirá em sua sétima Copa do Mundo este ano.

O presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, reconheceu a incerteza em uma entrevista na TV iraniana, segundo a Reuters e outros veículos de imprensa.

“O que podemos dizer agora é que, devido a esse ataque e sua brutalidade, está longe de nós podermos olhar para a Copa do Mundo com esperança”, disse Taj, segundo a agência de notícias.

O Irã tem dois jogos marcados contra Nova Zelândia e Bélgica em Los Angeles, uma cidade que abriga uma grande comunidade iraniana da diáspora. O país também enfrentará o Egito em Seattle.

A FIFA não comentou diretamente. Seu secretário-geral, Mattias Grafstrom, disse no domingo que a organização continuará “acompanhando os desdobramentos de todos os assuntos no mundo”. “Realizamos o sorteio final em Washington com a participação de todas as equipes. Nosso foco é ter uma Copa do Mundo segura com a participação de todos”, disse Grafstrom.

“Realizamos o sorteio final em Washington com a participação de todas as equipes. Nosso foco é ter uma Copa do Mundo segura com a presença de todos”, disse Grafstrom. A participação do Irã na Copa do Mundo permanece incerta, mas pelo menos uma coisa é certa: seus torcedores terão dificuldade para viajar aos Estados Unidos, já que o Irã é um dos poucos países com restrições de viagem, embora isso não afete a seleção nacional e sua equipe.

O México será seguro para os visitantes?

A escalada da violência por grupos armados em todo o país após a morte do líder de cartel Nemesio Oseguera Cervantes no mês passado levantou preocupações com a segurança em uma das sedes do torneio.

A presidente mexicana Claudia Sheinbaum afirmou que não haverá riscos quando o país sediar a Copa do Mundo, enquanto o presidente da FIFA, Gianni Infantino, expressou sua “plena confiança” no México.

O México sediará 13 jogos da Copa do Mundo, incluindo quatro em Guadalajara, no estado de Jalisco, onde o grupo de Oseguera Cervantes está concentrado e onde grande parte da violência ocorreu.

As preocupações com violência não são novas. Questões de segurança também foram levantadas antes da Copa de 2010 na África do Sul, bem como da Copa de 2014 no Brasil — e ambos os países acabaram sediando seus respectivos torneios com sucesso.

As cidades-sede dos EUA receberão financiamento?

As preocupações com finanças são constantes antes de grandes eventos esportivos — e os EUA não são exceção.

As 11 cidades-sede dos EUA ainda não receberam US$ 625 milhões em financiamento federal para custos essenciais de segurança para realizar o torneio, incluindo Foxborough, Massachusetts. O financiamento deveria ser fornecido pelo Departamento de Segurança Interna por meio da Agência Federal de Gerenciamento de Emergências (FEMA).

Um porta-voz da FEMA direcionou a NPR para um post recente no X da secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, notando que “a FEMA estava nas etapas finais de revisão dos pedidos para garantir a supervisão adequada”, mas que o fechamento parcial que afeta a agência — que ela culpou pelos democratas — colocou “uma porção significativa da equipe da FEMA em licença administrativa”.

Para algumas cidades-sede, o problema está se tornando urgente. O Grupo de Trabalho da Casa Branca para a Copa do Mundo da FIFA ainda não respondeu às perguntas da NPR.

“Sem receber esse dinheiro, as consequências para nosso planejamento e coordenação poderiam ser catastróficas”, disse Ray Martinez, diretor de operações do Comitê Organizador de Miami, em uma audiência no Congresso, segundo a Politico.

Os torcedores serão excluídos por causa dos preços?

Talvez nenhuma outra questão afete os torcedores de forma tão direta quanto os custos exorbitantes para comparecer à Copa do Mundo.

A FIFA definiu os preços de ingressos mais altos da história das Copas, tornando-os inacessíveis para muitos fãs. O uso de precificação dinâmica também gerou controvérsia; os ingressos mais caros para a final em Nova Jersey foram inicialmente vendidos por mais de US$ 6.300, chegando a quase US$ 8.700 em vendas posteriores.

Além dos altos preços de ingressos, os custos de viagem e hospedagem também dispararam. Mesmo com todos esses desafios, a FIFA afirma ter recebido mais de 500 milhões de pedidos de ingressos em sua última janela de vendas.

Dito isso, a FIFA forneceu pouca informação adicional para corroborar suas alegações, tornando difícil determinar se a demanda está concentrada apenas em jogos de destaque, como Colômbia x Portugal em Miami, ou principalmente em times de ponta como a Argentina.

O presidente Trump e suas políticas vão afastar os torcedores?

Talvez a maior incógnita seja o efeito que Trump e as políticas de sua administração terão na presença de público na Copa do Mundo.

As restrições de viagem impostas pelo governo afetam não apenas torcedores iranianos, mas também de outros três países já classificados: Senegal, Côte d’Ivoire e Haiti.

O presidente Trump e suas políticas continuam controversos tanto nos Estados Unidos quanto no exterior. No início deste ano, quando Trump ameaçou invadir a Groenlândia, alguns oficiais europeus consideraram um boicote, embora a iniciativa não tenha se materializado. Até o ex-presidente da FIFA, Sepp Blatter, instou os torcedores a “ficarem longe” dos Estados Unidos.

E os recentes ataques dos EUA e de Israel ao Irã — que seguiram a captura de Nicolás Maduro, da Venezuela, pelos EUA — reacenderam a controvérsia em torno do Prêmio FIFA da Paz entregue durante o sorteio do torneio em Washington, D.C., em dezembro.

Os EUA já registraram uma queda acentuada de visitantes por vários motivos, incluindo maior escrutínio nas fronteiras (como o requisito de compartilhar postagens em redes sociais), além de preocupações com violência devido a assassinatos de alto perfil envolvendo agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos EUA (ICE).

A Oxford Economics prevê um aumento de visitantes devido à Copa do Mundo, então os números de turistas podem se recuperar, pelo menos parcialmente, este ano, embora outras pesquisas apontem para uma queda de visitantes europeus aos EUA.

É mais um sinal de incerteza no que promete ser o maior torneio da história, a apenas 100 dias do apito inicial.

Fonte: npr.org


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