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Peak Season com Ana Paula Junqueira Leão: legado no campo e na política

Mineira do Sul de Minas, Ana Paula Procópio Junqueira Leão, formada em Relações Públicas, nasceu em Varginha e foi criada em Caxambu. Seus pais se chamavam Paulo César e Márcia, ela cresceu ao lado dos seus irmãos Fabíola e José Bento. Nas férias, Ana Paula passava um tempo na fazenda com seus avós, em Varginha e em Cruzília, onde aprendeu desde cedo o valor do trabalho e da vida no campo.

Neta de Manoel Procópio Bueno e de José Bento Junqueira Andrade, foi com eles que nasceu sua admiração pelo agro, por isso carrega até hoje o legado da família como produtora de leite e deputada federal.

Ana Paula é casada com o ex-prefeito e ex-deputado federal Odelmo Leão, e tem uma filha chamada Maria Hilda Junqueira.

Aryane Garcia – Durante a sua adolescência, em algum momento você imaginou estar na posição que se encontra hoje?

Ana Paula Junqueira – Nunca. Sempre fui de viver o presente, aproveitar cada fase e aprender com o caminho, sem imaginar que um dia estaria na posição em que estou hoje.

Aryane Garcia – Ainda na sua infância, você era influenciada por quais artistas que hoje perderam a referência com a revolução digital e advento da internet?

Ana Paula Junqueira – Infelizmente nenhum, até porque a vida era muito diferente. Quando eu era criança, eu passava o tempo brincando de boneca, pique, queimada e bolinha de gude. Foi uma infância simples, leve e muito feliz.

Aryane Garcia – Após anos de aprendizagem, tornar-se uma profissional reconhecida na sua área lhe traz facilidades laborais para opinar em outras áreas/empresas do segmento?

Ana Paula Junqueira – Eu acredito que sim. Quando você vive a política por dentro, acompanha de perto decisões, acertos e desafios, você desenvolve um olhar mais completo sobre o funcionamento do setor público. Isso não significa saber tudo, mas significa ter repertório, responsabilidade e maturidade para contribuir.

Aryane Garcia – Entre os seus hábitos produtivos durante a semana, existem preceitos adaptados por você que foram inseridos na sua rotina e que hoje você os aconselha para seus demais colaboradores e colegas mais jovens de trabalho?

Ana Paula Junqueira – Depois de tantos anos trabalhando junto com Odelmo na Câmara Federal e na Prefeitura de Uberlândia, o que dá quase 40 anos de vida pública, eu fui criando alguns hábitos que hoje levo para o meu mandato e que sempre compartilho com a minha equipe. O primeiro é a proatividade. Quem viveu dentro do Executivo sabe que demanda não espera. Eu aprendi a resolver as coisas na hora, a não deixar acumular, e isso se tornou parte da minha forma de trabalhar.

Outro ponto muito importante para mim é estar sempre antenada. Eu gosto de acompanhar os assuntos que estão surgindo, entender os debates que começam a ganhar força e ficar de olho nas novas tecnologias que podem facilitar a gestão e melhorar o atendimento à população. É algo que sempre fiz e continuo fazendo em Brasília.

Também reforço muito a importância da organização. Manter a agenda clara, saber priorizar e registrar tudo evita ruídos e dá firmeza na hora de decidir. São hábitos que construí ao longo de muitos anos vivendo a política por dentro – observando, aprendendo e participando. Hoje, fazem toda a diferença no meu dia a dia como deputada federal.

Aryane Garcia – Qual o seu panorama sobre a situação econômica do Brasil nos últimos 20, 10 e 5 anos?

Ana Paula Junqueira – Nos últimos 20 anos, o Brasil viveu avanços e retrocessos. Tivemos momentos de estabilidade e crescimento, mas também de crise, recessão, inflação alta e desemprego. Infelizmente, nos encontramos no pior dos cenários.

Hoje vemos um governo que arrecada muito, mas gasta sem planejamento, aumenta despesas de forma desenfreada e enfraquece a confiança de quem quer investir e produzir. Isso impacta tudo: as famílias, as empresas, o comércio, o agro e, principalmente, os municípios, que são onde a vida realmente acontece.

Falta organização das contas públicas, falta priorizar quem trabalha e falta coragem para fazer o que precisa ser feito. O Brasil tem força, tem capacidade e tem um povo que faz. O que falta é gestão séria, responsabilidade fiscal e compromisso real com o cidadão.

Aryane Garcia – Das mais diversas dificuldades e oportunidades que você encontrou no decorrer da sua carreira, fazer parte do agronegócio, o setor mais lucrativo no Brasil, lhe ajuda a entender a situação social do país? Quais são seus planos para colaborar com a inclusão dos jovens e mais mulheres no setor?

Ana Paula Junqueira – Com certeza. Quem vive o agro sabe exatamente o impacto que uma crise provoca no dia a dia das famílias. E o que temos visto nos últimos anos deixa claro que muita gente ainda não compreende a importância desse setor. O agro move cidades inteiras, garante emprego, renda e alimento na mesa das pessoas. Mesmo assim, ainda é desvalorizado e muitas vezes tratado como o grande vilão.

Eu venho de uma cadeia que sofre muito, que é a do leite, e sei como a queda de preço, o custo dos insumos e a falta de apoio atingem diretamente o produtor. E, mesmo com tantas dificuldades, o campo não para, graças ao esforço de quem está lá todos os dias.

O meu trabalho é justamente para evitar que mais produtores desistam do campo e ampliar programas que fortaleçam o protagonismo feminino e a sucessão rural, porque o presente e o futuro do agro dependem deles.

Aryane Garcia – A sua participação diária e ativa com as estatísticas econômicas do Agro lhe entregam uma variedade de oportunidades de crescimento. Na sua opinião, como o Agronegócio permanecerá em alta nos próximos anos – de acordo com o seu ramo de atuação?

Ana Paula Junqueira – O agro só vai continuar crescendo se houver segurança para produzir. Isso significa previsibilidade, respeito ao setor, políticas sérias e responsabilidade fiscal. Quem está no campo sabe que não existe mágica. Existe trabalho, gestão e condições para investir.

Quando o governo atrapalha, cria insegurança e trata o produtor como inimigo, todo esse avanço fica comprometido. Se houver gestão responsável e respeito ao produtor, o agro continuará sendo o motor econômico do país. Sem isso, nenhum setor se sustenta, por mais forte que seja.

Aryane Garcia – De acordo com a sua experiência, em níveis globais, o Agro enfrenta desafios para comunicar com o mundo a sua importância no impacto de toda a cadeia produtiva?

Ana Paula Junqueira – Sim, enfrenta. Infelizmente, quem nunca pisou numa fazenda ou não entende a cadeia produtiva cria narrativas que não condizem com a realidade. O setor ainda é pouco compreendido porque existe uma distância entre quem produz e quem consome. Falta mostrar para o mundo que por trás de cada litro de leite, de cada alimento que chega à mesa, existe trabalho duro.

O maior desafio para nós, produtores, é combater a desinformação. O caminho é comunicar melhor, abrir as portas das fazendas, mostrar boas práticas e aproximar as pessoas da realidade do campo. O mundo precisa entender que sem agro não existe alimento, não existe economia forte e não existe futuro.

Aryane Garcia – Como convencer a sociedade de que o Agro não é o principal responsável pelo aquecimento global? Qual a notícia ou manchete que deve ser desmentida por ter prejudicado falsamente o setor?

Ana Paula Junqueira – Não se trata de convencer a sociedade, mas de cada um fazer a sua parte, principalmente quem ocupa posições de liderança e grande influência. Basta mostrar o que o produtor rural já faz todos os dias: produzir com qualidade, responsabilidade e respeito ao meio ambiente.

A manchete que sempre precisa ser desmentida é a de que “o agro brasileiro destrói o meio ambiente”. O agro brasileiro é, sim, sustentável. Nós cuidamos da terra porque dela depende o nosso trabalho e o futuro das nossas famílias. Quem vive o dia a dia da fazenda sabe que não existe produção sem preservação, e é justamente essa verdade que precisa ser dita com clareza e sem medo.

Aryane Garcia – A popularidade dos produtores rurais está em risco e quais seriam os motivos para a demonização da composição ruralista?

Ana Paula Junqueira – Sim, a popularidade dos produtores rurais muitas vezes fica em risco, e isso acontece por alguns motivos claros. Primeiro, existe um desconhecimento enorme sobre como o campo realmente funciona. Segundo, parte da polarização política transformou o setor em alvo fácil, como se produzíssemos problemas e não soluções.

Enquanto o produtor trabalha todos os dias para garantir alimento, emprego e desenvolvimento, muitos preferem apontar o dedo sem compreender a realidade. Por isso, é tão importante reforçar o papel do agro, mostrar seu valor e lembrar que toda a sociedade depende dele.

Aryane Garcia – O fio condutor do sucesso do agronegócio é a economia. Você acha possível que o Brasil diminua o poder de compra e passe por uma recessão econômica? Como o Brasil poderá se blindar de uma crise alimentar?

Ana Paula Junqueira – Os brasileiros já sentem no bolso o peso de uma economia fraca. O poder de compra caiu, os impostos são altos e o preço dos alimentos não para de subir. Mas que fique claro: não é o produtor que está ganhando com isso. Pelo contrário, nós vemos, por exemplo, os produtores de leite ganhando cada vez menos.

O país corre risco de uma crise alimentar justamente quando o agro não é valorizado como deveria. Proteger o produtor e dar a ele condições para produzir com qualidade e responsabilidade é a melhor forma de garantir alimento na mesa das pessoas, gerar empregos e fortalecer o desenvolvimento do Brasil.

Aryane Garcia – Das mais variadas atitudes que aceleram o crescimento do Brasil, qual a maior contribuição que essa geração poderá entregar que irá impactar os próximos 30 anos?

Ana Paula Junqueira – A maior contribuição que essa geração mais jovem pode dar ao Brasil é buscar conhecimento e aproveitar as boas oportunidades desde cedo. A educação é a base de tudo e, quanto mais eles aprenderem, mais preparados estarão para enfrentar desafios que fazem parte de qualquer crescimento e estão em todas as áreas. É assim que eles vão ajudar a construir um país melhor para todos.

Aryane Garcia – Se você pudesse escolher uma cidade brasileira para viver até o último dia de sua vida, qual seria e por quê?

Ana Paula Junqueira – É difícil escolher uma só, mas com certeza seria alguma cidade de Minas Gerais. Eu tenho um amor enorme pelo meu estado e faço questão de estar presente nos municípios, conhecer as pessoas, a cultura e os pequenos detalhes que fazem Minas ser tão especial. Sempre que posso, aproveito as viagens para visitar pontos turísticos e descobrir algo novo.

Para falar a verdade, minha vontade é ter um trailer e sair viajando por todos os lugares, conhecendo cada canto. Aí sim eu seria completamente feliz!

ARYANE GARCIA
Jornalista
@aryanegarcia


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